Sons Extremos #06: Nervochaos

Esta edição do notas extremas é com uma lenda do death metal nacional, e digo mais, mundial, pois com anos e anos de tours mundo a fora o Nervochaos se consolida como um dos grandes monstros do nosso metal diante a cena global, sendo 25 anos de estrada, com tours que superam os 100 shows anuais, com agenda para os lugares mais undergrounds do Brasil e do mundo e com uma visão invejável sobre a cena, eventos e banda. O mentor da banda é um cara super inteligente e entendido da coisa toda, com experiências tanto como músico, produtor de eventos e até manager tour.
 

A banda tem nove discos de estúdio, algumas demos, splits e lives, vamos ressaltar os álbuns de estúdio, mas só um destaque a ideia genial de fazer um split com o Amazarak foi também sensacional, aí já lhes digo porque: no split é normal as bandas se juntarem e gravar, agora um split invertido (o Nervo tocou músicas do Amazarak, e o Amazarak tocou Nervo... mano isso foi de uma sacada monstra!) Vale a pena conferir. Mas vamos lá, hora de falar das bolachinhas full, difícil é destacar algumas músicas de cada disco, pois eu os escuto na íntegra no mais alto e bom som.

"Pay Back Time" (10/11/1998 – Tumba Records) A primeira faixa já começa agressiva, rápida e mostrando que ali seria música extrema para destruir ouvidos sensíveis, mostrando que a estreia já seria com os dois pés no peito, aquele Death Metal que passeia ali de mãos dadas com o Thrash metal, desenvolvido por um Power trio, que na época contava com: Edu Lane (Bateria) Thomas (Baixo) e Sidney Becky (Guitarra e Vocal). Destaques: I Hate Your God, Nervochaos, Rotten Flesh e o cover de Pain Haze do brutal Truth.
 

"Legion Of Spirits Infernal" (01/09/2002 – Destroyer Records/Tumba Records) Com duas mudanças na banda, agora em quarteto, em que o Hareton assume o baixo e o Cezar Coveiro assume mais uma guitarra e intercala os vocais com o Becky, o som deixa o thrash metal um pouco de lado, e se aprofunda no mais devastador death metal. Destaques: Envy, Speechless, Legion Of Spirits Infernal, e Mortal Decay.
 
 
"Quarrel In Hell" (28/08/2006 – Tumba/Ibex Moon Records) Este álbum comemora os 10 anos de banda e é o primeiro lançado no exterior, com apenas o Edu (bateria) de remanescente das outras formações afinal o nervo central é ele, se juntam Daniel Blasphemoon (vocal), Vinicius (guitarra) e Thiago Anduscias (baixo), e mais uma vez a genialidade do Lane é surreal ao fazer um álbum com uma puta formação e ainda convidar nomes carimbados do metal mundial para realmente discutirem no inferno, e aqui eles cravaram de vez o nome no hall do death metal. Os destaques aqui não tem como serem outros: Horde Of Demons (feat. Alex Camargo – Krisiun), Cursed Soul (feat. John McEntee – Incantation), Televangelism (feat. Magnus Caligula – ex Dark Funeral), Scavengers Of The Underworld e um cover nervoso e brutal da Iron FirstMotörhead.
 

"Battalions Of Hate" (07/04/2010 – Tumba Records) Cara, esse CD tem um significado especial para mim, pois foi lançado no dia do meu aniversário! Foi como se a banda me presenteasse, coisa de fã, pois a banda nem sabia quem eu era [kkkkk], mas vamos lá, nessa bolachinha mais uma alteração na formação acontece e a banda tem sua experiência em quinteto, com uma segunda guitarra o que trás um peso a mais para o que já era de um peso extremo, onde para acompanhar Edu e o Blasphemoon, chegam o Guiller (guitarra), o Luiz “Quinho” (guitarra) e o Felipe Freitas (baixo), e aí nasce um dos maiores hinos da banda, a Pazuzu Is Here. Nessa fase a banda acrescenta pequenos relances de modernidade ao Death Metal mais old school até então apresentado, e além do hino já citado, destaco petardos como: Total Satan, Dark Chaotic Destruction e vale ressaltar os 3 covers matadores Legiões Satânicas (Vulcano), Funeral Rites (Sepultura) e Maggie (The Exploited).
 
 
"To The Death" (19/05/2012 – Cogumelo Records) Após a saída do Daniel Blasphemoon, a banda volta a ser um quarteto e Guiller assume os vocais/guitarra, e mesmo assim a segunda guitarra (Quinho) ainda se faz presente e com todo o peso e qualidade com ótimos trabalhos no baixo (Felipe) e a batera infernal do (Edu). Lembrando que esse disco ainda contou com participações de Cherry (até então Hellsakura), Jão (Ratos de Porão), Antônio (Korzus), Zhema (Vulcano) entro outros, e aqui os destaques são: Mark Of The Beast, Sheep Amongst Wolves, Your World’s Trend, To The Death, Smoking Mortal Remains, Delusions and Lies, Warlords Unbound.


"The Art Of Vengeance" (16/07/2014 – Cogumelo Records) Com a mesma formação do disco anterior, após 2 anos, mais uma obra prima do metal da morte saía do forno, e podemos dizer que a manutenção do front com os 4 cavaleiros infernais deu certo, pois esse sexto full vem cheio de fúria e ódio, e literalmente a banda mostra que o metal underground não é por moda, é por paixão! Vamos aos destaques: For Passion Not Fashion (veja o clipe a seguir), The Devil’s Work, From Below And Not Above, Blood Ritual, e mais um cover fodástico desta vez Lightless do Headhunter D.C.
 

"Nyctophilia" (19/04/2017 – Cogumelo Records) A sétima obra, pode ser daqueles discos que você compra fácil fácil pela capa, mas eu digo a vocês meus caros amigos, essa maravilhosa arte, esconde algo bem mais denso, fúnebre e nefasto, e de uma qualidade extrema.
 
Após outra mudança de formação, com a volta do Anduscias ao baixo e a entrada da Cherry* para assumir uma das guitarras, Lauro Nightrealm se divide entre o vocal e guitarra, e aí o NC arrebenta qualquer portal que separe o mundo dos vivos do mundo dos mortos, e presenteiam os fãs com um death metal muito bem elaborado, mesclando ali old school com a escola moderna isso tudo com uma maestria fantástica, digo que até tenho uma certa preferência por este álbum. O ápice do disco sem dúvida alguma é mais um hino do metal: Ad Maiorem Satanae Gloriam! Mas também destaco: Moloch Rise, Ritualistic, Season of The Witch e Live Like Suicide.

*(In Memorian – com todo respeito e admiração por essa guerreira do metal que já não se encontra entre nós, mas sua obra será eterna)
 

"Ablaze" (06/06/2019 – Hammerheart Records) Mais uma obra extraída do ódio, desgraça e fúria, infelizmente veio em meio a tristeza da perda da Cherry. A formação sofre mais uma alteração onde o Guiller retorna a banda e o Diego Mercadante chega para os dois dividirem as guitarras e os vocais, o Ablaze foi a bicuda de partida em lançamentos na Europa, uma bolachinha bem recheada com 16 petardos dificílimos de serem escolhidos um ou outro destaque, mas vamos lá: Necroccult, Demonic Juggernant, Feast os Chain, Whisperer in Darkness, Death Rites, Downfall e Of Evil and Men.
 
 
"Dug Up… Diabolical Reincarnations" (19/11/2021 – Vários Selos) O nono álbum da banda é uma seleção de músicas dos quatros primeiros álbuns e um bônus do sexto disco. São regravações em comemoração aos 25 anos da banda, já com uma nova formação, voltando a ser quinteto com um vocal (solo) e duas guitarras, onde há o retorno do Quinho, e as entradas do Woesley Johann (guitarra), Pedro Lemes (baixo) e Brian Stone (vocal).
 
Aqui a sonoridade volta ao death metal mais old school, o Stone tem um vocal mais rasgado, as músicas ganharam uma certa velocidade, porém mesmo assim não agradou 100% dos fãs. Não vou mentir, eu sou um deles, talvez seja até por conta da mudança na sonoridade que vinha em uma pegada muito semelhante nos três últimos álbuns.
 
O lançamento será expandido à Europa, Estados Unidos, Argentina e Peru, vamos aos destaques, bom o "Dug up..." tem 13 músicas, dessas, 7 já foram destaques em seus respectivos álbuns de lançamentos, não irei repeti-las, apesar de ter achado bem legais, porém fui mais à fundo e observei bem as que não foram destaques anteriormente: Putrid Pleasures, Upside Down Cross e The Urge to Feel Pain.
 
 
Bônus (só um lembrete para comprovar que ficar parado não é com os caras da Nervochaos). Não vamos dissecar, mas não poderia deixar de citar os outros trabalhos da banda como as demos, splits e lives:

"Nervochaos" (Demo -1996)
"Disfigured Christ" (Demo – 2000)
"Necro Satanic Cult" (Demo -2004)
"Live Ritualis" ( Ao Vivo – 2011)
"Panzer Fest" (Split 2013)
"Ascensão do Caos" (Split com o Amazarak– 2016 )
"Of Evil and Men" (Demo -2018)
"Crypts Ablaze" (EP-2020)

E os boxes especiais de aniversário de banda:
17th Years of Chaos – (2013)
20 Years Immersed in Blood (2016)

Vale lembrar que está previsto para fevereiro o lançamento do décimo full álbum ("All Colors Of Darkness") inédito desse monstro do metal nacional chamado Nervochaos, que por sinal já soltaram aí o lyric vídeo do single Wage War On The Gods.
 
 
 
Acompanhem os caras nas redes sociais e adquiram os merchans que são fodas.