Entrevista #40: Korvak

Criando uma ponte entre o lado mais técnico e a pegada visceral do ‘Thrash’, é impossível não se admirar, quem acompanha nossa mídia com frequência, sabe o quanto ficamos empolgados com o mais recente trabalho lançado pelo trio da Korvak, seu ‘debut’ autointitulado. Então, sem mais demora, agendamos uma entrevista. Que você confere agora: 



1) Hail Korvak! É uma grande honra para nossa mídia Underground Extremo estar entrevistando vocês. No histórico da banda, consta que vocês começaram muito cedo a tocar juntos. Quais lembranças vocês tem desses primórdios da Korvak

R: Salve, Underground Extremo, um prazer fazer parte do espaço! Cara, sabe aquela inocência de um personagem no início de uma história muito louca que está prestes a começar? Com um pouco de vislumbre do mundo, apenas com suas qualidades sendo levadas para a aventura, prestes a pular dentro de um abismo... hahaha. É basicamente isso, a gente só se preocupava em tocar o melhor possível os nossos instrumentos da forma mais raivosa e verdadeira possível, saca? Combinávamos de passar uma tarde ensaiando, aí íamos ao mercadinho ao lado do local de ensaio, comprávamos algumas cervejas e íamos tocar Slayer, Black Sabbath, todas essas coisas que um jovem de 14/15 anos no auge da puberdade, meio frustrado com a sociedade por não se encaixar tão bem, gostaria de fazer. Nós crescemos nesse meio da música, e quando decidimos que íamos fazer algo nessa linha, começamos a nos organizar aos poucos, é um processo de expansão gradativo, a gente sempre quis ser assim, mas não foi de uma hora pra outra, ainda temos essa essência de diversão, mas uma vez no abismo, nada que era no passado vai ser igual. 


2) Como vocês avaliam a importância dos EP “The Ritual” de 2015 e do “Mind Malefactor” de 2019, para o desenvolvimento da sonoridade da banda? 

R: Os EP’s serviram como um laboratório para a banda. O "The Ritual" foi o primeiro trabalho de estúdio, foi importante justamente por ter sido o marco inicial. Já o “Mind Malefactor” foi um EP lançado com a finalidade de ser uma prévia do 'full length', lançado em novembro do mesmo ano. Ouvindo os dois EP’s denota-se que o som da banda amadureceu, veio por ser um som com mais identidade. Ambos os trabalhos foram de extrema importância para a experiência musical de cada membro da Korvak


3) O som de vocês tem uma amplitude que vai do ‘thrash’ para momentos que flertam com o ‘death’ metal, isso somado a muita de muita técnica, que deixa o som muito orgânico. Poderia nos dizer como é o processo de composição do Korvak

R: Pegando "carona" na pergunta, eu diria que o processo de composição da Korvak também é bastante orgânico (risos). Não há uma regra, ou uma "receita". Procuramos unir ideias de todos e chegarmos em um ponto em comum. Algumas músicas começam com a ideia de um 'riff' ou batida de bateria, outras começam pela letra e outras com a vontade de expressar ou passar uma mensagem. O som ganha forma na medida que a ideia vai se concretizando e, devido às influências mistas dos integrantes da banda, o som flerta com traços que vão desde o 'thrash' metal, 'death' metal, 'heavy' metal ao o 'rock' progressivo e psicodélico. 


4) Aproveitando a pergunta anterior, o álbum ‘debut’ é fantástico, com sons como a incrível The Hydrocyclone: No. 1 - Apex, No. 2 – Vortex. Gostaria de saber se vocês estão contentes com a receptividade do trabalho até aqui, ou se mudariam alguma coisa no mesmo? 

R: "The Hydrocyclone" é um dos trabalhos que mais satisfaz a banda, pois é uma reunião de influências – principalmente a influência do 'rock' progressivo –, onde pudemos “sair da mesmice” e trazer algo pouco explorado dentro do gênero, que é esse lado mais experimental. Tais características nós tentamos demonstrar durante todo o disco, mesmo que em pequenos detalhes em uma música ou outra, vindo por tornar-se uma característica nossa. 

A receptividade do trabalho tem sido gratificante pra todos nós. Podemos afirmar com veemência que estamos muito satisfeitos com o resultado do trabalho, tendo este sido construído com extrema dedicação e vontade. As mensagens foram passadas, a música em si foi bem recebida. Isso é totalmente satisfatório para qualquer artista. 


5) A capa do trabalho tem uma pegada bem ‘old school’. Quais são os conceitos apresentados na mesma e qual artista foi responsável por ela? 

R: Muito obrigado! Ficou do caralho, e devemos muito ao nosso parceiro de artes, Guga Burkhardt, que também é o escritor da Acclamatur zine, e seu traço é auto-intitulado de hostil, ou seja, casa bastante com nossa “aura”. Bem, outra coisa que deu muito certo foi a parte esotérica/ocultista que temos em comum, e os detalhes da capa, apesar de terem traços da materialidade do mundo a concepção foi justamente para mostrar a efemeridade dessa sociedade cheia de paixões e vícios, que não medem escrúpulos para conseguir, ou seja: o ser humano ocupa seu tempo atrás de posses passageiras, sugadas pelo “olho que tudo vê”, universo amoral que não tem pena de sua morte, na capa há o “império de areia” sendo sugado pelo vortex, com elementos do semi-árido, região que nós moramos, também na maleta do político (símbolo do ser ganancioso), a turmalina azul, uma pedra preciosíssima no nosso estado que são arrancados de nossas entranhas sem nenhum aviso prévio, devastando nossa terra, totalmente inerente à exploração por mineradoras. Por fim a águia sangrenta, retirando a coluna do político, base de sustentação do ser, símbolo da liberdade (condenamos qualquer apologia aos Estados Unidos), uma realeza interna do ser-humano, com sentimentos que nos elevam a outras dimensões e planos, que voa contra toda a efemeridade e caminhos convencionados pela sociedade, pode-se ver que ela voa em direção oposta a tudo. 



6) Recentemente vocês fizeram um vídeo em formato de ‘lyric’ para a Empire of Dust (E.O.D). Vocês acreditam que as novas mídias atrapalham, ou são boas ferramentas para as bandas no ‘underground’? 

R: Acreditamos que as novas mídias trazem muitas oportunidades para os músicos em geral. Particularmente, o 'underground' ganha muito com isso. As novas mídias democratizam tanto o acesso como a produção da arte seja ela qual for e a tecnologia que dispomos hoje em dia com certeza contribui para maior produção de conteúdo. No entanto, acreditamos que pelo fato de haver novas formas de consumir o conteúdo das bandas em geral, não quer dizer que as mídias tradicionais percam o seu prestígio. Todos nós, da banda, adoramos ouvir música em vinil, mas se não fosse as plataformas de 'streaming' não teríamos acesso a tantos materiais incríveis que as bandas têm produzido 


7) É possível perceber nas letras do Korvak um posicionamento muito forte e uma indignação em relação a sociedade de maneira geral. Quem é responsável por essa parte na banda e de onde vem a inspiração? 

R: Todos buscamos trazer nossas ideias para a letra, às vezes discutimos o assunto que queremos abordar e tentamos compor melodias e batidas que remetam ao sentimento que queremos passar, saca? Em geral, André se debruça mais na questão de criar letras, traduzir, etc. Mas não é nada fechado, nos temos ideias filosóficas e sociais bastante parecidas, somos bastante curiosos, e quando lemos algum livro, vemos algum filme, mesmo que não seja uma reprodução descritiva, pegamos algum ponto que nos chamou atenção e levamos para a letra, ficando uma inspiração bastante natural, não negamos as influencias, mas não tentamos plagiar... então tentamos sintetizar isso de uma forma que todos se sintam representados. 


8) Qual foi o impacto do Covid-19 para a banda nesse primeiro semestre? Vocês já tem algo marcado para a segunda parte do ano? Nós do sul adoraríamos ver vocês ao vivo! 

R: Cagou todos nossos planos, basicamente foi isso! Hahaha. Nós tínhamos fechado algumas datas, estávamos nos programando certinho, olhando os feriados... o plano era tocar o máximo possível onde desse. A gente tá tentando não planejar muito nesse segundo semestre, porque as coisas estão muito incertas ainda, a única coisa que a gente tá fazendo é preparando os 'merchandisings' pra uma eventual turnê, movimentando nossas redes sociais, inclusive estamos vendendo os CD’s do álbum, que chegaram recentemente (linktr.ee/korvak para mais informações); e também temos algumas músicas novas, quem sabe a gente não entra em estúdio ainda esse ano... mas nada certo. E seria uma honra tocar por aí, só chamar! Hahaha. 


9) Gostaria que comentassem um pouco da cena metal do estado da Paraíba. Ela está forte ou mais fragmentada? Que banda conterrânea, vocês poderiam nos indicar? 

R: Aqui tem muita banda foda, mas cremos que seja igual a qualquer local no Brasil, tem muitos altos e baixos, tem época que tem tanto 'show' que tem no mesmo fim de semana, tem época que tem 'show' de meses em meses, no momento (antes da pandemia) não tinha local pra rolar 'show', aí era algo mais feito pelas bandas mesmo, o grande desafio de quem produz 'show' é fazer a galera sair de casa. A gente pode indicar uma porrada: Venomous Breath (André toca guitarra nela), Nihil, TxOxSxIx, Overlloud, Demonized Legion, Caverna, Necrose, Necropolis... 


10) Obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês! Podem deixar uma mensagem para os leitores do blog Underground Extremo?

R: Valeu demais! Agradecemos o espaço mais uma vez, é muito importante o conteúdo para discussão e exposição de pensamentos, total apoio! Valeu galera, esperamos tocar para vocês o quanto antes possível, enquanto isso não acontece, se cuidem, nos apoiem nas redes sociais, uma curtida nas páginas ou um compartilhamento já ajuda muito! E fiquem em casa o máximo possível.

Revisado e editado por Carina Langa. 

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