Cobertura MMM - parte 2 “No meio das polêmicas, o metal nacional mostra sua força!”



Recuperados do dia anterior e antes das apresentações começarem fomos conferir a estrutura da Fazenda Evaristo, local que sedia o Maniacs. A experiência de um festival open air é fantástica e recomendo muito para quem nunca esteve nesse festival ou em outros que seguem essa linha, muitas barracas de camping espalhadas, pra todo lado que você olha tem alguém com camisa de banda, sons rolando nos carros e um clima de amizade que nos mostra que o metal além de um estilo musical é um estilo de vida.

A abertura do festival no sábado começou com a Fearless Woman, o quarteto feminino divulgou seu EP de estréia - Volúpia, suas músicas possuem elementos de rock pop e metal, todas em português com letras bem legais, além das moças terem uma grande presença de palco e os vocais e backing bem desenvolvidos, difícil sair do show sem cantar o refrão de músicas como “Volúpia” ou “Cigano”. Entrevistamos as moças e em breve estará no blog.

A Toxic Revolution vem apresentando o seu CD de estréia, “End of the Word” trazendo um thrash metal técnico que transita entre a velocidade e aquelas paradinhas típicas do estilo, destaque para sons como “Post War”, “Purpose of destruction” e “End of the world” que representam bem o som dos paranaenses, um nome a se ficar de olho.

Para quem acompanha o Underground sabe da importância da Mercy Killing e essa nova formação com Tati Klingel nos vocais casou perfeitamente com a proposta da banda, o thrash metal tornou-se muito mais agressivo, o fato de Tati ter participado de um cover do Arch Enemy, já demonstra o seu potencial além daqueles riffs da velha escola do thrash, criando assim uma sonoridade impressionante, destaque para sons como “Total Death”, “Euthanasia” e “Life”, e de quebra na finaleira do show ainda teve um wall of death, simplesmente a banda quebrou tudo.

Por estar entrevistando a Mercy Killing não conseguimos acompanhar todo o show da Futhark, mas chegamos a tempo de assistir um eficiente cover de Eluviette. A banda faz um folk metal com melodias marcantes e destaque para os vocais e para músicas autorais como “Winds of fate” e “Land Of freedom”.

Division Hell mostra como a cena paranaense sempre revela nomes fortes no que tange o death metal, com um nome em ascensão, o público veio à frente prestigiar o calibre de sons como: “Bleeding Hate” e “The Fable of Salvation”. Falar da técnica de bandas que se propõem a fazer esse estilo é “chover no molhado”, porém quando a banda consegue desenvolver o que faz em estúdio ao vivo, é impressionante e a Divison Hell é isso: extrema e técnica.

O Surra veio de São Paulo com seu hardcore com letras politizadas e muita energia, quem conhece o trio paulista sabe o que esperar, nunca tinha visto a banda ao vivo, mas posso afirmar que depois desse show eles ganharam mais um fã, o circle pit rolou solto o show inteiro, sem perder muito tempo a banda emendava músicas dos CD’s “Tamo na Merda” e “Bica na Cara”, entre elas “Daqui pra pior”, “7x1”, “Merenda” e “Cubatrash”. Pós show, fiz uma entrevista com a banda e a admiração por ela só aumentou (entrevista em breve no blog). Vale a pena dizer que o Surra tem mais duas datas marcadas em SC sendo 27/01 – Porto Belo e 24/03 – Jaraguá do Sul.

A Blackmass é um dos nomes mais fortes da cena Black metal nacional, isso se deve ao fato de ter composto opus como “Gloria Diaboli” e “Nemesis” e deles vieram sons como “Gloria Diaboli” e “I call Upon Theea” apresentados no festival com uma postura de palco da horda marcante. Lord Aeshma é uma máquina de riffs gélidos para o black metal nacional.

Muita expectativa estava presente no show da Nervochaos, afinal a recente morte de Cherry afetou muito a banda e a melhor forma de homenagear a musicista foi fazendo o que ela se dedicava a fazer em vida, tocando metal. Então a Nervochaos representou muito, afinal são mais de duas décadas de dedicação ao metal da morte. Apresentaram músicas do recente trabalho “Nyctophilia Moloch Rise”, como “Ad Majorem Satanae Gloriam” que pode ser considerado um novo hino na discografia da banda, além dos clássicos como “Pazuzu is here”, “Pure Hemp” e “Not Fashion For Passion”, enfim foi um show avassalador.

O próximo show é até difícil de descrever o que ele representou, afinal de contas essa apresentação da Dark Avenger foi a última com Mario Linhares, então ela já era marcante pelo fato de termos ali no palco uma das maiores bandas de heavy metal do Brasil. O vocal de Linhares sempre foi impressionante e de quebra estavam divulgando um dos melhores álbuns de sua carreira “The Beloved Bones: Hell” com músicas como “The Beloved Bones”, além dos clássicos como “Morgana” e “Broken Vows”, enfim esse show ficará sempre marcado na nossa memória, obrigado por tudo Mario Linhares, sua obra será eterna.

Gangrena Gasosa era uma dúvida para mim, afinal de contas será que o sarava metal funcionaria tão bem ao vivo como no cd? E a resposta é não!!! O sarava metal é ainda muito mais “foda” ao vivo, a mistura de hardcore e metal, com letras bem inteligentes e o carisma de todos os integrantes, fez com que esse show fosse sem dúvida, um dos melhores do festival. Não sei nem o que dizer das músicas como “Eu não Entedi Matrix” e “Centro do Pica Pau Amarelo”, além das outras apresentadas, do CD “Gente Ruim Só Manda Lembrança Pra Quem Não Presta”, como “O Saci” e “Fiscal de Cu”, só sei que os caras agitaram muito e resumidamente Zé Pelintra e sua horda estão de parabéns e fizeram um show perfeito, pena que a banda que os seguiu não sabe o que significa respeito e integridade ao público.

Aqui um adendo, eu sou um grande fã de Black Metal, sendo que muitas hordas norueguesas estão entre as minhas favoritas, mas nada justifica a palhaçada que foi feita pelos seguranças da Gorgoroth. Não vou me estender em polêmicas, porém a equipe do Underground Extremo reafirma o posicionamento do programa Heavy Metal Online: “em um país com hordas como Miasthenia, Malkuth, Luciferiano, Impiedoso, Luxúria de Lilith e Mystifier, não precisamos de Gorgoroth, então em forma de respeito a cena nacional, vamos ignorar essa apresentação. Segue o link do programa Heavy Metal Online para quem quiser entender um pouco mais a situação: https://www.youtube.com/watch?v=82HCdHKY4Gw&t=323s

Então, nada melhor que Black metal de verdade, sem modinhas e sem frescuras, a Symphony Draconis, veio com seu draconian metal, divulgando o CD “Supreme Art of Renuciation”. Essa horda ao vivo é uma das melhores do país e canções do naipe de “Demoniac By a Divine Power” e “Ain Soph Aur” só provam isso. Stiemm Nechard é um grande frontman e a apresentação dos gaúchos só reafirmou o quanto é propílica nossa cena.

Outro nome que vem ganhando bastante destaque é a Dying Suffocation, com um som totalmente tétrico e atmosférico que combinou exatamente com o horário, fomos levados a atmosfera de doom metal em canções como “Suffocated” e “Sacrificed Souls”. Há tempo de dizer que eles focaram a maioria do set nas músicas do CD “In the Darkness of Lost Forest”, um dos melhores lançamentos de doom da nossa lista de 2017. Ressalto que fizemos uma entrevista com a banda que em breve se encontrará no blog.

O cansaço já pegava, mas não poderíamos ir embora sem ver a apresentação dos deuses do caos, a Chaos Synopsis, que vem em uma crescente vertiginosa desde “Kvlt of Dementia” até esse novo lançamento. Já podemos dizer que ela está no seleto grupo de bandas que não decepcionam os fãs, fica até difícil montar um set com tantas músicas legais, mas as que não poderiam e não ficaram de fora foram canções como “Storm of Chaos”, “Son Of Light” e “Gods Upon Mankind”. Assistindo a banda foi possível perceber o porquê que o nome Chaos Synopsis está cada vez mais forte no nosso underground.

Pós essa maratona de shows, restava-nos se arrastar para a barraca para esperar o terceiro dia recuperando as energias, onde teríamos nada mais nada menos que a quebradeira de Desdominus e Krisiun entre outras. Em breve teremos a terceira parte no ar.



Texto escrito por Luiz Harley Caires e revisado por Carina Camila Langa.
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