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sábado, 13 de agosto de 2016

Entrevista #03: AlkanzA

Acabou a paciência, está na hora do caos!

Quantos degraus são necessários serem escalados para uma banda ter o reconhecimento necessário na cena?
Com certeza, se tratando de metal, tudo fica mais complexo e as adversidades são elevadas a milésima potência. Então temos dois grupos, aqueles que lamentam e aqueles que batalham! E por conhecimento de causa, posso afirmar que a banda AlkanzA se enquadra nesse segundo grupo. Acompanho há muito tempo o trabalho dos caras e posso afirmar que temos um caso aqui de música feita com revolta e com amor pelo estilo sem meias palavras, vamos a entrevista:


1) Hail AlkanzA! Primeiramente, o blog Underground Extremo agradece vocês por tirarem um tempo para trocar uma ideia conosco. Particularmente acompanho a banda há algum tempo, então fico muito a vontade em afirmar que a evolução é constante. Porém, para quem ainda não conhece a banda, conte-nos um pouco dos seus primórdios, quando surgiu a banda e quais eram as perceptivas no início:

R: Primeiramente gostaria de agradecê-lo pelo apoio, não só à AlkanzA, mas ao metal nacional, e é uma honra conceder essa entrevista ao Underground Extremo.
A banda surgiu como um projeto meu, Thiago Bonazza, passando por várias formações com músicos convidados inclusive, e em um determinado momento vi que já era uma banda, a galera começou a curtir as músicas próprias, aí entrou o André Guterro, botando muito gás "pra" consolidar, pois o mesmo já curtia a banda e também ama o metal com foco e determinação, foi quando fomos a estúdio gravar o EP "Destroyed the system".

2) Mudanças sempre foram um caminho comum para a banda, seja na sonoridade que foi se tornando mais agressiva, seja no idioma que por um tempo a AlkanzA cantou em inglês, ou seja até mesmo nas formações. Contes-nos como foram esses processos de adaptações e qual é a atual formação da AlkanzA:
R: Sim, estamos em uma evolução constante, acho que esse é o caminho, uma evolução sem perder a essência, aí está o desafio.

Sobre as trocas de formações, infelizmente ocorrem, normalmente por divergência de estilos, metas, músicos que não correspondem o que a banda precisa, isso é normal em qualquer banda, e nós não nos contentamos com conformismo, sabemos onde queremos chegar, então fica mais claro para saber quem realmente quer estar aqui e fazer o seu melhor por amor a música e ao metal, esse é nosso espírito: o amor pela música pesada.

Hoje a banda está formada comigo, Thiago Bonazza Fernandes na guitarra e vocal, André Guterro na guitarra e backing-vocal, Ramom Scheper na batera e Gabriel Torquato no baixo.

3) “Destroyed the System” e logo depois “Colonizado pelo Sistema” já chamam a atenção pelas capas. Nos conte um pouco sobre quem foram os artistas que desenvolveram os trabalhos e que mensagens subliminares podemos identificar?

R: Eu, Thiago Bonazza, fiz junto com o Getúlio Farias ambas as capas. Sempre curti capas com vários elementos, aquela que você olha depois de 1 ano e vê detalhes que não tinha visto, confesso que grandes bandas sempre me fizeram amar esse tipo de arte, curto capas que chamem atenção. Na minha opinião um CD é uma obra de arte e tudo conta.


Nas capas existem alguns detalhes que prefiro que cada um interprete da sua maneira, que use sua mente para interpretá-la, isso eu acho mágico nas artes gráficas, eles tem várias interpretações como um organismo vivo, que muda dependendo da pessoa que a vê.

4) Todos os trabalhos da AlkanzA estão no formato digital, essa é uma realidade que estamos nos acostumando infelizmente. Porém, existe algum projeto de lançar algum material físico?Particularmente imagino que as capas em um vinil ficariam incríveis!
R: Sim, infelizmente por questões financeiras e de marketing só saíram digital, mas faremos uma prensagem de poucas cópias para a galera que curte, algo limitado mesmo. Para o segundo esperamos já lançarmos físico direto.

5) Metal em português é um divisor de águas, alguns amam, outros odeiam. Se por um lado a mensagem fica mais explícita, sempre tem aqueles que dizem que isso limita o mercado. Sabendo que a banda passeou pelos dois eixos qual a opinião de vocês acerca de tal assunto?

R: Falamos do Brasil e nosso cotidiano, até fizemos em inglês mas aí me perguntei: "por que cantar em inglês se to falando do meu país, dos problemas de nossa nação e o cotidiano?". Então até pela precária realidade de nossa educação muitos não tem a oportunidade de entender outras línguas e assim podemos chegar mais próximo dessas pessoas. Sobre os que torcem o nariz acharia trágico se não fosse cômico, pois a maioria deles não entendem, nem falam inglês e não entendem o preconceito contra a própria língua. Não me entenda mal, amo bandas gringas também, mas, em português acho muito foda pela proximidade com o fã de metal que está ouvindo pela primeira vez, ele já sabe o que se trata a música e todo seu contexto já na primeira audição.

6) Recentemente a banda foi indicada como tendo um dos melhores álbuns de 'thrash' da América Latina. Acredito que isso é muito difícil de mensurar, pois sendo uma banda que vem de uma cidade pequena e que batalha muito pra isso, como vocês receberam essa notícia e qual o valor simbólico da mesma?

R: Sinceramente, foi muito gratificante receber essa notícia ainda mais cantando em português e saindo de uma cidade pequena. Foi um sinal que estamos no caminho certo, que de alguma forma existem pessoas reconhecendo o valor da AlkanzA, e isso tem aumentado, o que nos deixa ainda mais confiantes na nossa jornada.

7) Se "Colonizado pelo Sistema" fosse gravado na década de 90, a mensagem seria igualmente recebida, pois infelizmente o cenário não mudou muito, ainda vivemos em um país com potencial de grande, mas rebaixado ao lixo pelos seus governantes, afinal de contas, Brasil, quem lhe prostituiu?

R: Se pegar o álbum "Brasil", do Ratos de Porão, você vai ouvir o que acontece ainda, e se não me engano ele é de 89 (Nota do UE: 1988).
Falamos muito do que vivemos, nosso ponto de vista para que quem ouça, pense e reflita, não para pensar igual pensamos, mas para pensar com a consciência deles, sair dessa era de pensamento em massa. Sempre falei que as pessoas são inteligentes mas o povo é burro, porque você tem sua consciência mas quando no meio da massa provavelmente seja influenciado não. Pelo que você é pensa, mas pelo fato de ser aceito ali, tipo um efeito manada. Acredito que quando as pessoas pensarem mais no coletivo, no bem comum e com sua consciência e responsabilidade as coisas mudem, quando pensarem que só vai mudar quando nosso modo de ver nosso país mudar. Somos um país lindo e cheio de riqueza em diferentes aspectos, então somos nós mesmos que o colocamos nesse mar de lama por todos os lados.


8) Perdi as contas de quantas apresentações de vocês eu já assisti, mas toda vez que assisto me impressiono com a agressividade e a evolução da banda. É correto dizer que a AlkanzA é uma banda feita para tocar ao vivo?
R: Com certeza, damos tudo nos shows, você que já foi sabe que cada show tocamos como se fosse o último, porque quem está lá merece o nosso melhor e é isso que damos nos shows, você é testemunha (risos).

10) Por merecimento próprio, a banda vem conseguindo se apresentar em grandes eventos e ao lado de nomes consagrados do metal nacional. Quais são os próximos passos da AlkanzA em relação à agenda e aos novos trabalhos? Afinal de contas já está rolando nos shows músicas novas, como Em Coma, então é fato de que a evolução é constante e a banda não pára.

R: Sim, a máquina AlkanzA não pára. O que posso adiantar é que em janeiro provavelmente entraremos em estúdio para nosso segundo álbum e que vamos em breve lançar uma campanha para achar o artista para fazer a capa, não importa se é profissional ou quem só desenha em casa, ficando bom nós queremos e será remunerado e logicamente divulgado a arte e o artista por vários países do mundo.

11) Para encerrar, quero agradecer a banda e parabenizar pelo trabalho. Conheço a jornada de vocês e sei que merecem muito mais! Gostariam de deixar algum recado para os leitores do blog Underground Extremo?

R: Gostaria de agradecer seu apoio e de toda a galera que tem apoiado a banda em shows, sites, blogs, em suas próprias páginas, difundindo nossas matérias e músicas, aos produtores que tem acreditado no nosso trabalho, a todos vocês que fazem a diferença.
Os que não conhecem nosso trabalho é só entrar na página da banda do Facebook e fazer o download gratuito do CD "Colonizado pelo Sistema".

Um grande abraço a todos.

Revisado por Carina Langa.

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