Alkanza: acabou a paciência. Está na hora do caos!

Quantos degraus são necessários serem escalados para uma banda ter o reconhecimento necessário na cena?

Com certeza, se tratando de metal, tudo fica mais complexo e as adversidades são elevadas a milésima potencia, então temos dois grupos aqueles que lamentam e aqueles que batalham, e por conhecimento de causa posso afirmar que a banda Alkanza se enquadra nesse segundo grupo, acompanho há muito tempo o trabalho dos caras e posso afirmar que temos um caso aqui de musica feita com revolta e com amor, pelo estilo sem meia palavras vamos a entrevista:

UNDERGROUND EXTREMO - Hail Alkanza! Primeiramente o blog Underground Extremo, agradece vocês por tirarem um tempo para trocar uma ideia conosco, particularmente acompanho a banda há algum tempo então fico muito a vontade em afirmar que a evolução é constante, porém, para quem ainda não conhece a banda conte-nos um pouco dos primórdios quando surgiu a banda e quais eram as perceptivas no inicio?

ALKANZAPrimeiramente gostaria de agradecê-lo pelo apoio não só à Alkanza, mas ao metal nacional, e é uma honra conceder essa entrevista ao Underground Extremo.

A banda surgiu como um projeto meu [Thiago Bonazza], passando por várias formações, músicos convidados, e em um determinado momento vi que já era uma banda, a galera começou a curtir as músicas próprias, aí entrou o André Guterro, botando muito gás "pra" consolidar pois o mesmo já curtia a banda e também ama o metal com foco e determinação, foi quando fomos a estúdio gravar o Ep "Destroyed the system" .

UE - Mudanças sempre foram um caminho comum para a banda, seja na sonoridade que foi se tornando mais agressiva, no idioma [por um tempo a Alkanza cantou em inglês] ou nas formações. Contes-nos como foram esses processos de adaptações e qual é a atual formação da Alkanza?

ALKANZASim, estamos em uma evolução constante, acho que esse é o caminho, uma evolução sem perder a essência, aí está o desafio.

Sobre as trocas de formações infelizmente ocorrem, normalmente por divergência de estilos, metas, músicos que não correspondem o que a banda precisa, isso é normal em qualquer banda, e nós não nos contentamos com conformismo, sabemos onde queremos chegar, então fica mais claro para saber quem realmente quer estar aqui e fazer o seu melhor por amor a música e ao metal, esse é nosso espírito: o amor pela música pesada.

Hoje a banda está formada comigo [Thiago Bonazza Fernandes] na guitarra e vocal, André Guterro na guitarra e backing-vocal, Ramom Scheper na batera e Gabriel Torquato no baixo.

UE - Destroyed the System” e logo depois “Colonizado pelo Sistema” já chamam a atenção pelas capas, nos conte um pouco quem foram os artistas que desenvolveram os trabalhos e que mensagem subliminares podemos identificar?

ALKANZAEu [Thiago Bonazza] fiz junto com o Getúlio Farias ambas as capas. Sempre curti capas com vários elementos, aquela que você olha depois de 1 ano e vê detalhes que não tinha visto, confesso que grandes bandas sempre me fizeram amar esse tipo de arte, curto capas que chamem atenção. Na minha opinião um CD é uma obra de arte e tudo conta.

Nas capas existem alguns detalhes que prefiro que cada um interprete da sua maneira, que use sua mente para interpretá-la, isso eu acho mágico nas artes gráficas, eles tem várias interpretações como um organismo vivo, que muda dependendo da pessoa que a vê

UE - Todos os trabalhos da Alkanza estão no formato digital, essa é uma realidade que estamos nos acostumando infelizmente. Porém existe algum projeto de lançar algum material físico, particularmente imagino que as capas em um vinil ficariam incríveis.

ALKANZA - Sim, infelizmente por questões financeiras e de marketing só saíram digital, mas faremos uma prensagem de poucas cópias para a galera que curte, algo limitado mesmo. Para o segundo esperamos já lançarmos físico direto.

UE - Metal em português é um divisor de águas alguns amam, outros odeiam. Se por um lado a mensagem fica mais explícita, sempre tem aqueles que dizem que isso limita o mercado. Sabendo que a banda passeou pelos dois eixos qual a opinião de vocês acerca de tal assunto?

ALKANZA - Falamos do Brasil e nosso cotidiano, até fizemos em inglês mas aí me perguntei: "por que cantar em inglês se to falando do meu país, dos problemas de nossa nação e o cotidiano?". Então até pela precária realidade de nossa educação muitos não tem a oportunidade de entender outras línguas e assim podemos chegar mais próximo dessas pessoas. Sobre os que torcem o nariz acharia trágico se não fosse cômico, pois a maioria deles não entendem, nem falam inglês e não entendem o preconceito contra a própria língua. Não me entenda mal, amo bandas gringas também, mas, em português acho muito foda pela proximidade com o fã de metal que está ouvindo pela primeira vez, ele já sabe o que se trata a música e todo seu contexto já na primeira audição.

UE - Recentemente a banda foi indicada como tendo um dos melhores álbum de thrash da América Latina, acredito que isso é muito difícil de mensurar, pois, sendo uma banda que vem de uma cidade pequena e que batalha muito pra isso, como vocês receberam essa notícia e qual o valor simbólico da mesma?

ALKANZA - Sinceramente, foi muito gratificante receber essa notícia ainda mais cantando em português e saindo de uma cidade pequena. Foi um sinal que estamos no caminho certo, que de alguma forma existem pessoas reconhecendo o valor da ALKANZA, e isso tem aumentado, o que nos deixa ainda mais confiantes na nossa jornada.

UE - Se "Colonizado pelo Sistema" fosse gravado na década de 90, a mensagem seria igualmente recebida pois infelizmente o cenário não mudou muito, ainda vivemos em um país com potencial de grande, mas rebaixado ao lixo pelos seus governantes afinal de contas Brasil quem lhe prostituiu?

ALKANZA - Se pegar o álbum "Brasil", do Ratos de Porão, você vai ouvir o que acontece ainda, e se não me engano ele é de 89 [Nota do UE: 1988].

Falamos muito do que vivemos, nosso ponto de vista para que quem ouça pense e reflita, não para pensar igual pensamos, mas para pensar com a consciência deles, sair dessa era de pensamento em massa. Sempre falei uma que as pessoas são inteligentes mas o povo é burro, porque você tem sua consciência mas quando no meio da massa provavelmente seja influenciado não. Pelo que você é pensa, mas pelo fato de ser aceito ali, tipo um efeito manada. Acredito que quando as pessoas pensarem mais no coletivo, no bem comum e com sua consciência e responsabilidade as coisas mudem, quando pensarem que só vai.mudar quando nosso modo de ver nosso país mudar. Somos um país lindo e cheio de riqueza em diferentes aspectos, então somos nós mesmo que o colocamos nesse mar de lama por todos os lados.


UE - Perdi as contas de quantas apresentações de vocês eu já assisti, mas toda vez que me impressiono com a agressividade e a evolução da banda, é correto dizer que a Alkanza é uma banda feita para tocar ao vivo ?

ALKANZA - Com certeza, damos tudo nos shows, você que já foi sabe que cada show tocamos como se fosse o ultimo, porque quem está lá merece o nosso melhor e é isso que damos nos shows, você é testemunha (risos).

UE - Por merecimento próprio a banda vem conseguindo se apresentar em grandes eventos ao lado de nomes consagrados do metal nacional, quais são os próximos passos da Alkanza em relação à agenda e novos trabalhos afinal de contas já esta rolando nos shows musicas novas como em coma então é fato de que a evolução é constante e a banda não para

ALKANZA - Sim, a Máquina ALKANZA não para. O que posso adiantar é que em janeiro provavelmente entraremos em estúdio para nosso segundo álbum e que vamos em breve lançar uma campanha para achar o artista para fazer a capa, não importa se é profissional ou quem só desenha em casa, ficando bom nós queremos e será remunerado e logicamente divulgado a arte e o artista por vários países do mundo.

UE - Para encerrar quero agradecer a banda e parabenizar pelo trabalho conheço a jornada de vocês e sei que merecem muito mais, gostariam de deixar algum recado para os leitores do blog Underground Extremo?

ALKANZA - Gostaria de agradecer seu apoio e de toda a galera que tem apoiado a banda em shows, sites, blogs, em suas próprias paginas difundindo nossas matérias e músicas, aos produtores que tem acreditado no nosso trabalho, a todos vocês que fazem a diferença.

Os que não conhecem nosso trabalho é só entrar na página da banda do Facebook e fazer o download gratuito do CD Colonizado pelo Sistema.

Um grande abraço a todos.

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