Resenha #485: "Irracionalidade Existencial" (2025) - Baga

Viver no caos urbano é o combustível para fazer música cada vez mais violenta e inconformada. Acredito que essa é a explicação para a gente poder bater no peito e dizer que, se tratando de grindcore e anti música de forma geral, o Brasil está muito bem servido. E hoje quero resenhar um trabalho que saiu no começo do ano, época perfeita para promessas de fim de ano e para jogar essa hipocrisia na nossa cara. O Baga apresenta seu terceiro petardo: "Irracionalidade Existencial".
Passaram-se seis anos depois de "Hegemonia Destrutiva" onde eu achava que eles tinham encontrado o ponto mais extremo da sua discografia. Mas que iludido eu fui! As máscaras da pandemia e todo o desgoverno que passamos, somados à atual conjuntura de apocalipse que bate na nossa janela todos os dias, ganham agora uma trilha sonora. São 22 faixas sem interlúdios ou descanso para o ouvido. Afinal de contas, é isso que se espera desse tipo de trabalho.
A formação que gravou esse trabalho foi Hell e  Anderson Gore no vocal, e Bruno Borges na guitarra, baixo e bateria. Os vocais são pontos muito fortes do trabalho. Vão dos mais grunhidos e guturais aos gritados, e se encaixam perfeitamente, como podemos ver em Nada a se Esperar e Carcaça, dois sons diferentes na sua essência, mas que são como cartões de visitas.
Largando o Barro tem algo de Krisiun, devido à velocidade, e Distopia Macabra consegue ser ainda mais ríspida. A quebra de velocidade aqui deixou tudo mais marcante. E agora, nos momentos mais desgraçados, vêm as faixas que bebem da fonte do grindcore mundial, como Napalm antigo e o Rotten Sound. Como Auto-Destrutivo (com vocais de Heron Uzômi), Humano, Quem? e Razão.
A munição ainda está apontada para Apartheid Social, Underground e Massacre de Trabalhadores, que reforçam o papel do underground como uma música de protesto acima de tudo. E esse trabalho é dedicado a Bahiano "Goregrind" & Tony "Nihilist Grinder" (RIP), sendo que ele foi gravado e mixado por Bruno Borges no Estúdio Grindhouse – estúdio esse que apareceu no nosso festival online, que tivemos a honra de ter o Baga como uma das bandas participantes!
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TRACKLIST: 
1) Nada A Se Esperar
2) Carcaça
3) Do Barro Ao Barro...
4) Distopia Macabra
5) Silêncio Massificado
6) Mentiras E Promessas
7) O Ilustre Desconhecido E O Seu Mundo Abstrato
8) A Beira Da Extinção
9) Fluxo Dos Conformados
10) Inferno
11) Completa Negação Da Vida
12) O Inimigo (Meu Grande Amigo II)
13) Apartheid Social
14) Auto-Destrutivo (feat. Heron Uzômi)
15) Humano...Quem?
16) Razão...?
17) Underground
18) Massacre De Trabalhadores
19) Em Busca De Respostas...
20) Não Te Iluda!
21) Agressão
22) O Inevitável Fim Do Incrível Nada
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FORMAÇÃO: 
Hell - vocal;
 Anderson Gore - vocal;
Bruno Borges - guitarra, baixo e bateria.