Albuns Marcantes #56: "Spiritual Healing" (1990) - Death

35 Anos desse clássico com turnê especial do Death to All pelo Brasil, agora em janeiro de 2026 
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Salve headbangers! Não é segredo algum que se não fosse a obra do Death, provavelmente não existiria o site Underground Extremo. O impacto da obra de Chuck foi crucial para desenvolver meu gosto pessoal por metal extremo, e falo sem medo algum que eu coloco o Death como uma das raríssimas bandas que possui uma discografia irretocável (coloco o Emperor também nessa lista, mas isso é papo para outro momento).
Agora, pensando em álbuns, é evidente a transformação que cada álbum do Death alcançava, algo que o Opeth foi fazendo indo de algo mais podre e maravilhoso como o "Scream Bloody Gore" (1987) para momentos mais técnicos, mas sem perder os elementos que marcam sua sonoridade.
Dito isso, revisitando a discografia, chegamos em mais um divisor de águas: o sucessor de "Leprosy" (1988) em 1990, a cura espiritual vem com "Spiritual Healing". A palavra "polimento" aparece muito quando se cita esse trabalho: um polimento na produção, nos vocais, um instrumental mais refinado, mas acho que isso é limitante. "Spiritual Healing" é uma caminhada para o que seria "Human" (1991) sem esquecer o que fez o Death ser notado desde as primeiras demos.
Isso se prova na abertura com Living Monstrosity, ela vem em uma crescente que vai se tornando claustrofóbica, e nesse momento já quero destacar o brilhantismo de James Murphy (ex-Cancer e Obituary). Ele consegue não apenas completar os solos de Chuck como mostra que nem sempre é preciso usar velocidade para ser extremo; ouça com essa ótica Altering the Future e as camadas que o som vai desenvolvendo.
Bill Andrews pode não estar ao nível de um Gene Hoglan, mas ele consegue deixar sua marca fazendo uma bateria muito rítmica e, convenhamos, conhecendo o histórico de Chuck com os músicos que ele chamava para o Death, é óbvio que Andrews desenvolve muito bem o que lhe era cobrado. Isso vem nas dobradinhas Defensive Personalities e Within the Mind, essa primeira poderia até dizer que é uma das mais grudentas do registro.
'Practice What You Preach' – pratique o que você prega – é incrível como a faixa título é atemporal. Os tele evangelistas, que sempre foram uma praga na cultura ocidental, se tornam o alvo da ferocidade de Chuck. Nessa faixa, que passa dos oito minutos, mas em nenhum momento se torna cansativa, tanto que ela tem uma das seções de tapping que são o puro suco do que é a alma do Death, e esse som é, sem sombra de dúvida, um clássico absoluto do metal morte.
Ecos do álbum antecessor vêm em Low Life. Ela tem passagens de groove e ecos do death metal old school. Os solos presentes nessa faixa mostram o que afirmei acima da presença de Murphy. E aqui quero apontar uma faixa que muitas vezes não é citada pelos fãs menos hard: Genetic Reconstruction é um raio-X do que foi até aquele momento a discografia do Death, com destaque para mais uma brilhante interpretação do mestre Schuldiner.
O trabalho se encerra com um ode à violência com Killing Spree. Esse som tem ecos que vêm do thrash metal e mostram toda a abrangência sonora de um trabalho reverenciado até hoje, marcante, irretocável e único.
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TRACKLIST:
1) Living Monstrosity
2) Altering the Future
3) Defensive Personalities
4) Within the Mind
5) Spiritual Healing
6) Low Life
7) Genetic Reconstruction
8) Killing Spree
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FORMAÇÃO:
Chuck Schuldiner (R.I.P. 2001) - guitarras e vocais;
James Murphy - guitarras;
Terry Butler - baixo;
Bill Andrews - bateria.
Nós, fãs brasileiros, seremos agraciados com o Death To All, levando essa data de três décadas e meia para os palcos brasileiros, terminou sua turnê que conta com cinco datas no Brasil. O projeto tem como objetivo manter vivo o legado de Chuck e vem desde 2012 honrando o legado do Death. Nessa turnê, a formação conta com o baterista Gene Hoglan (Dark Angel, ex-Testament), o baixista Steve DiGiorgio (Testament) e o guitarrista Bobby Koelble. O vocalista e guitarrista Max Phelps (Exist, ex-Cynic) e, além do já citado "Spiritual Healing", o outro álbum reverenciado é "Symbolic" (esse, meu favorito da discografia, e também terá, resenha aqui no site!).
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