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domingo, 24 de maio de 2020

Entrevista #39: Tainá Bergamaschi (guitarrista) - Crypta

Em meio a tantos sentimentos e incertezas geradas devido ao período que estamos vivenciando, ressurge um nome importante para o metal nacional, Tainá Bergamaschi (guitarrista) que, ao lado de Fernanda Lira (baixo e vocal), Luana Dametto (bateria) e Sonia Anubis (guitarra) nomes também conhecidos, devido a grandes contribuições para o metal, compõe a mais nova banda brasileira/holandesa de ‘death’ metal, Crypta. Essa formação promissora faz com que o entusiasmo e a expectativa dominem nossos ouvidos ansiosos por músicas brutais e marcantes! Confira a seguir a entrevista que a guitarrista Tainá nos concedeu:

1 – Hail Tainá! Durante as últimas semanas seu nome tem aparecido muito nas notícias relacionadas ao metal Nacional. Para iniciar esta entrevista, gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e falasse um pouco de como foi o processo da sua inserção no cenário do metal. 

TB: Hail! Sou Tainá Bergamaschi, guitarrista da banda Crypta, meu trabalho mais recente foi com a Hagbard no ano de 2017. Sempre tive tendência para coisas mais extremas, então quando comecei a me interessar pela música não imaginei que seria diferente, não é mesmo? Por meio de amigos tive meu primeiro contato com o Metal Extremo aos 12 anos, nisso me interessei por guitarra e assim fui me ingressando em bandas na região e frequentando festivais. Já toquei em bandas de 'Thrash', Sinfônico, 'Folk' Metal e agora 'Death' Metal com a Crypta


Foto: arquivo pessoal de Tainá Bergamaschi

2 – Será que você poderia citar quais bandas e até álbuns, são influências que marcaram muito o seu desenvolvimento como guitarrista e por quê foram tão importantes? 

TB: Eu acredito que o álbum "Stigmata" da banda Arch Enemy de 1998 tem sido grande influência para mim. Ver Christopher Amott com sua técnica junto de seu irmão Michael Amott com riffs melódicos me trouxe uma grande paixão pelo instrumento. Foi um dos meus primeiros CD's de metal. Hoje tenho como influência a banda Death que me influencia totalmente no desenvolvimento técnico, Gojira e Hypocrisy

3 – Em relação a sua contribuição e trabalho como musicista, temos registros de quando você passou pela banda Hagbard. Nessa passagem se apresentou em diversos eventos junto ao grupo de 'folk' metal. Como é para você a sensação de tocar ao vivo? 

TB: Por mais que eu já tenha passado por outras bandas, Hagbard foi a primeira que definitivamente me levou aos palcos. Acho que bem aí eu tive a certeza de que seria a carreira que eu gostaria de seguir definitivamente. Há várias coisas dentro de uma banda que sou apaixonada em fazer, como gravar, criar, até mesmo os ensaios, eles sempre salvam as minhas semanas, mas o palco, para mim é a melhor sensação do mundo, nada se compara à um momento como esse. 

4 – Prestigiamos uma apresentação ao vivo que você participou em conjunto com a Hagbard no Maniacs Metal Meeting 2017, que é um evento ‘open air’ aqui de Santa Catarina, região que promove bastante eventos nessa proposta. Qual sua opinião em relação a este tipo de festival? 

TB: Sim! Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer ao festival, muito bom poder tocar onde nós somos muito bem recebidos e onde nos sentimos em casa. É difícil colocar em prática um festival como este. Eu torço muito para que mais festivais como o Maniacs possam crescer aqui no Brasil. É um tipo de festival que abre espaço desde as bandas que estão iniciando a sua carreira até as que tem o nome mundialmente conhecido. E melhor, 3 dias de metal com camping haha! Aqui na região de Minas temos o Roça n Roll, que eu torço muito para que o festival possa voltar um dia. Estes tem meu total apoio, com certeza. 

5 – Oriunda de uma presença em um grupo voltado a tocar ‘folk’ metal, agora seu novo projeto anuncia um som voltado ao ‘death’ metal ‘old school’. Como foi para você o processo de adaptações em relação as técnicas dessa nova sonoridade? 

TB: Na verdade tocar 'folk' metal para mim foi mais desafiador. Eu desde muito nova já tinha vontade de ter uma banda de 'Death' Metal, já comecei com o estilo no metal, e era o que eu gostava de tocar em casa. Com o 'Folk' Metal eram muitos 'riffs' e solos melódicos, e com a Hagbard ainda tive que pegar na hora por fazer esses 'riffs' e cantar ao mesmo tempo haha. Agora com o 'Death' Metal eu me sinto de volta ao meu foco principal. 

6 – Poderia nos contar como foram os processos de escolha para a formação da Crypta? Como ocorreu seus primeiros contatos com as outras integrantes, a Fernanda, a Luana e a Sonia? Essa formação se deu por meio de convites? 

TB: A Crypta teve início em Junho de 2019, iniciada pela Fernanda e Luana, e logo já decidiram que queriam Sonia como guitarrista 'lead'. Apesar de eu ter entrado neste mês de Maio de 2020, as mesmas já tinham a intenção de ter duas guitarristas na banda desde o início, mas elas ainda não tinham encontrado uma segunda guitarrista. Eu quando soube do novo projeto em Abril/2020, percebi que seriam Fernanda e Luana juntas, ainda não sabia da Sonia, mas já a conhecia pelos vídeos no Instagram e Youtube e sempre admirei o trabalho dela. Então eu mandei uma mensagem para a Fernanda perguntando se já tinham uma guitarrista para o projeto, que eu gostaria de me candidatar, demonstrei interesse. Não imaginava que Fernanda iria me responder ou ver minha mensagem, mas não custava tentar (eu pensava). Eis que em algumas horas ela me responde, trocamos bastante ideia, e quando ela viu meus vídeos tocando mandou para as meninas, com o tempo recebi um contato da Sonia para me enviar alguns 'riffs' para serem gravados. Depois de uma conversa com todas juntas em vídeo, eu me ingressei na banda. 



7 – Durante o processo de isolamento social devido ao período de quarentena no qual o mundo está passando em decorrência da pandemia do Covid-19, como é a interação entre as componentes da banda para composições, ensaios enfim, desenvolvimento dos trabalhos? 

TB: Há muitas coisas que devem ser resolvidas antes de pensar em ensaios, até mesmo porque não tem como pensar nisso agora por conta do Covid-19, estamos trabalhando muito via 'internet' nesse início da Crypta e temos comunicação 'full-time'. A banda já tem sim algumas composições desde o ano passado, mas ainda não ocorreu um encontro. Agora posso dizer que é um momento de muito estudo para nós, com certeza. Não estamos com pressa, estamos trabalhando muito mas com calma, queremos trazer um material de qualidade. 

8 – Desde o anúncio da formação da Crypta, que foi noticiado em diversos meios de divulgação nacional e mundialmente, estão sendo criadas muitas expectativas em relação à banda, pois tem como integrantes grandes nomes do metal! Como é para você essa pressão do público, da imprensa, dos fãs e até mesmo dos ‘haters’? 

TB: É algo totalmente novo para mim com certeza. Pelos grandes nomes envolvidos tivemos uma repercussão muito grande desde que anunciamos a banda, então estamos trabalhando muito todos os dias em relação à isso. Também tivemos comentários como "ouvi o som dessa banda e é um lixo" sendo que não lançamos nenhum material ainda. É absurdo, mas acontece, mesmo eu não tendo essa mesma experiência que as outras meninas, é normal para mim, alguém já julgar um trabalho que é feito por mulheres, ainda mais na cena do metal. Mas isso não se compara ao tanto de comentários e mensagens positivas que estamos recebendo. Estamos realmente muito agradecidas. 

9 – Ter uma banda formada só por mulheres é, para mim (Carina), motivo de grande admiração e minha expectativa principal é de que vocês continuem fazendo muito sucesso e mostrando que metal não deve ser um meio no qual o gênero sexual seja motivo para avaliar capacidade, técnica e profissionalismo. O que você tem a dizer ao público que insiste em fazer comentários maldosos em relação a bandas que têm na formação, mulheres? 

TB: Sinceramente não vejo muito o que falar, eu acho que é mais questão de agir, essa gente não sabe escutar. Eu fico muito feliz em fazer parte de uma banda só de mulheres e poder representar a todas que seguem o estilo, que tem a vontade de se iniciar em um instrumental musical e querem fazer parte disso. Muitas ainda não tiveram o incentivo ou espaço para isso. Que isso seja um ciclo, que nós possamos inspirar outras mulheres, que outras mulheres possam inspirar outras mulheres e que assim continue. O que eu posso dizer é nós vamos ter nosso espaço como iguais, isso em breve deixará de ser diferente no 'Heavy' Metal. Continuaremos cada vez mais fortes independente de comentários sujos. 

10 – Nós do Underground Extremo estamos muito felizes e honrados em ter realizado esta entrevista! Estamos ansiosos e cheios de expectativas também por novas informações e é claro, pelo som da Crypta! Fica agora o espaço para você mandar um recado para nossos leitores, seus fãs enfim, para o público em geral: 

TB: Gostaria de agradecer o Underground Extremo pela entrevista e pelo apoio. Aos que nos acompanham, estamos imensamente agradecidas pelo apoio de vocês, infelizmente o momento atual não nos permite fazer tudo como queríamos para agora e pedimos um pouco de paciência, mas toda essa espera, inclusive para nós, vai valer a pena. Se cuidem. Muito obrigada!

Participação na elaboração das perguntas de Harley Caires.

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