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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Entrevista #38: Guro


O cenário político, as tragédias naturais, e todas as dificuldades da vivência diária, sem dúvida são combustíveis para gerar nas bandas do nosso ‘Underground’ uma Predileção pelo Macabro, como diria o Flagelädor, e claro, um dos sons que mais coloca o dedo na ferida sem medo de desagradar a todos é o ‘Grindcore’. E para fortalecer e explodir nossos tímpanos, temos o Guro, banda formada no ano de 2014 e que agora, em 2020 lançou o seu primeiro ‘full’, denominado “Anticristo”.
Para falar dessa jornada, fizemos essa entrevista exclusiva:




1) Hail Guro! Inicialmente, parabéns pelo mais recente trabalho, o “Anticristo” esta fantástico! Gostaria de iniciar esse nosso bate-papo, com vocês falando um pouco do início da banda, afinal de contas, já são seis anos no ‘Underground’. Então, contem ´para nós como foram os primeiros ensaios e se a sonoridade sempre foi ‘grind’ ou o som foi se modificando a medida que a banda ia se formando?

R: Muito obrigado Luiz pela oportunidade. O Guro começou como um projeto paralelo. Eu tocava bateria numa banda chamada Deranged Insane e chamei o Guilherme Tavares (guitarra e vocal) com quem eu já tinha tocado em uma banda de Death metal chamada Overall miscreation aqui de Londrina também. A idéia sempre foi o grindcore. Acho que no começo era até mais "grind" do que hoje. Depois que o Guilherme saiu e o Thiago Franzim entrou na guitarra a gente começou a experimentar mais, mas sempre focado no grind.


2) A banda passou por algumas mudanças de formação, certo? Poderiam nos informar qual é a formação atual e quais influências cada músico traz para a sonoridade do Guro?

R: Hoje a banda conta com Francisco Paiva na bateria, Thiago Franzim na guitarra e Eron Bueno no vocal. Eu (Francisco) acho que sou o lado mais "grind" da banda. O Eron é mais do Trash, Black metal. Isso fica evidente nos vocais dele, lembra bastante os estilos na minha opinião. O Thiago é o mais eclético do rolê. Ele toca em outras bandas de estilos diferentes.

3) Antes de vocês comentarem o mais novo trabalho, o “Anticristo”, queria que voltassem um pouco na história da banda e que vocês dissessem qual a importância do ‘Split’, gravado com o Cruel Face, para a consolidação do Guro. E se fosse possível escolher, com qual banda nacional ou internacional vocês gostariam de gravar um novo ‘Split’? Porquê?

R: Com certeza esse split foi o lançamento mais legal antes do "Anticristo". Além do Cruel face ser uma das bandas mais massa de Grindcore do Brasil, foi em vinil e eles são nossos amigos. Com essa formação a gente já tinha feito um split com o Captain three leg dos Estados Unidos, ali já tava bem evidente o que a gente queria fazer em relação ao som. Sobre um novo split na verdade nenhuma preferência. Qualquer banda que a gente goste e sejam nossos amigos já era.

4) ‘Grindcore’ é um gênero anti-musical na sua essência. Quem não conhece muito do estilo pode achar que não existe técnica nessa forma de som, sendo que, na verdade, é muito pelo contrário. Vocês acreditam que o ‘grind’ ainda é um estilo muito ‘underground’, ou ele vem ganhando mais espaço na cena?

R: Eu acho que mudou bastante nos últimos anos. Ficando o estilo muito mais em evidência tanto por algumas bandas estarem tocando em grandes festivais como o blast beat estar meio que na moda. Mas acho que o grindcore sempre vai ser o lado mais underground da música extrema.

5) Um ponto importante na Guro é o uso do idioma, pois fazem o uso do português majoritariamente e as letras têm um elevado grau de acidez. Existe um compositor geral na banda ou todos contribuem com essa parte?

R: No álbum a maioria das letras são minhas e outras do Eron. O Thiago fica a cargo dos riffs mas a gente dá umas ideias também.


6) Agora, comentando o trabalho “Anticristo”, imagino que deve ter sido muito gratificante para vocês lançarem o seu primeiro ‘full’! Como foi o processo de gravação? E vocês tiveram a sensação de dever cumprido ao ver que o trabalho estava finalizado?

R: Com certeza foi a melhor coisa que a gente fez como banda foi lançar o full. O Thiago tem um estúdio e trabalha em outro bem legal aqui de Londrina. Eu sou técnico de som numa casa noturna aqui da cidade. Tanto ele como eu temos acesso a equipamento e fizemos nós mesmos a gravação com a ajuda de alguns amigos que também trabalham com áudio. Como foi a gente que fez tudo foi um processo longo. Mas sem dúvida estamos muito satisfeitos. Foi feito com calma e prestando muita atenção nos detalhes. Agora é correr pra divulgar.



7) O Guro também gravou sua participação no tributo ao grande Nasum. Imagino que vocês devem ser, assim como eu, grandes fãs da banda! Então como foi o convite para participar desse tributo e a forma como vocês escolheram a faixa Idiot Parade? (Ah, e parabéns pela versão, tá animal!)

R: Na real a gente que pediu pra participar quando saiu o primeiro flyer de divulgação. Tinha uma lista de sons ainda disponíveis pra escolher, esse eu já conhecia e achava um dos mais legais.


8) Existe um debate muito grande em relação as ideologias de bandas, muitos acham que o metal não pode ter bandeiras políticas, por exemplo, mas esquecem que o estilo nasceu da contestação de padrões! Se formos olhar para o ‘grind’ inglês, por exemplo, ele nasceu nessa essência, de jovens se revelando contra um sistema. Enfim, como vocês vêem essa questão de divisões ideológicas na cena?

R: Eu acho que o underground não tem nada a ver com conservadorismo, muito pelo contrário. E é impossível não se posicionar hoje com essa evidente ascensão do facismo aqui e no resto do mundo. Mesmo sendo uma puta contradição, eu não acho estranho ver isso na cena. Sempre teve.Tem um monte de banda mais antiga e conhecida que tem membro abertamente de direita/conservador e a galera paga mó pau. Essa galera mais conservadora que tá perdida aí na cena tá mais barulhenta por causa desse lixo que virou presidente. Época boa pra ver quem é quem de verdade, e não esquecer.

9) A pandemia do Covid-19 afetou muito as bandas ‘undergrounds’, que ficaram incapacitadas de se apresentar. Vocês estão lançando um trabalho agora, como essa crise afetou a banda? (Se afetou), e já existem datas marcadas de shows para quando isso tudo passar?

R: A gente já tava correndo atrás de fazer o lançamento desde janeiro. Por causa de alguns imprevistos só saiu agora quase junto com a pandemia aqui no Brasil. A gente tinha um show de lançamento agora em abril e outro em maio que eu acho que já era também. O Guro não toca muito ao vivo, além do Thiago tocar em outras bandas eu trabalho mais nos finais de semana, mas a gente já tá no veneno pra tocar. Com certeza quando tudo isso passar a gente vai armar algo. Eu imagino que pra banda que toca com frequência ou que vive disso que deve tá sendo muito foda. Desejo de verdade que as coisas melhorem rápido.

10) Muito obrigado pela entrevista! E por obséquio, poderiam deixar algum recado para os leitores do Underground Extremo?

R: Muito obrigado Luiz.
Vamos dar mais atenção pro verdadeiro underground. O Brasil tá infestado de banda fudida. Aqui na nossa região mesmo tem um monte de banda muito boa de todos os estilos. Muitas com nível de apresentação profissional e com todo tipo de material pra divulgação. Valeu!!!



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