Resenha #124: "Itankale" - Quilombo

Hoje, 20 de novembro, para os conhecedores de História é sabido que “comemora-se” a Consciência Negra, que é uma expressão que designa a percepção histórica e cultural que os negros têm de si mesmos e também representa a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social.

Esta data foi escolhida por ter sido o dia da morte do líder negro Zumbi, que lutou contra a escravidão no Brasil. A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Afinal, as gerações de afro-brasileiros que sucederam a época de escravidão sofreram (e ainda sofrem) diversos níveis de preconceito.


Aqui no Underground Extremo queremos mostrar nosso apoio a banda paulista Quilombo que está novamente adjunta a família Sangue Frio Produções e recentemente lançou o EP intitulado “Itankale”, trazendo a visão de toda a história da vinda do povo Africano ao Brasil como escravos, durante e após o cativeiro e sua realidade atual, e essa perspectiva abordada, foi escrita por mãos negras e contada sob tons de 'Death' Metal e 'Grindcore'.
O conceito desse álbum representa a evolução do povo negro considerando o seu passado, seus ancestrais e sua cultura, conta a visão dos descendentes daqueles que sofreram com a escravidão.

A banda é um duo composto por Panda Reis na bateria e vocal, e Allan Kallid na cozinha. Mesmo sendo um EP com uma duração de menos de vinte minutos, fica evidente que o Quilombo tem muito a dizer: cânticos africanos abrem a faixa Melanina. A produção de todo o EP é suja fazendo uma mescla entre 'Death' Metal e 'Grindcore', as guitarras não fazem a questão de ser harmônicas e destilam uma dose de peso a mais nas letras.

Ancestralidade reduz um pouco a velocidade, me trazendo a memória alguns discursos do Barnes do Napalm Death, já Treze Nações começa com ares de uma faixa perdida do "Roots" e vai logo para uma pegada Death, as 'intros' ainda estão presentes nas faixas Descendentes de Reis, Semideusas (um arrasa quarteirão com trabalho de guitarras mais afiados) e Diáspora d.C., com uma passagem inicial de 'reggae', que converte-se em um dos momentos mais extremos do EP.

Em tempos difíceis, se omitir não é uma opção, e bandas como o Quilombo deixam claro que o 'Underground' não é lugar para racistas.


Escrito por Harley Caires e Carina Langa.
Revisado por Carina Langa.

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