Entrevista: Māyā


As vezes uma banda nos surpreende com uma sonoridade que desafia o senso comum, fazendo um mix que vai do jazz para o Heavy Metal, sem duvida um projeto que a cada lançamento chama mais atenção formada no rio de janeiro no ano de 2012 e nas vésperas de lançar um novo trabalho, tivemos uma conversa exclusiva, leia nossa entrevista e descubra a sonoridade única da Maya

1) Hail Maya, é um prazer para nós do Underground Extremo entrevistar vocês, uma banda que já acompanhamos há um tempinho. Pela biografia de vocês, a Maya formou-se em 2012 no Rio de Janeiro, gostaria de começar nossa entrevista apresentando a atual formação. Como foi o processo de criação da banda desde o recrutramento dos músicos até as primeiras composições?

R: Gimmy: Em 2012 lançamos nosso primeiro álbum e clipe, então marcamos como nossa data inicial. Tivemos muitas formações diferentes, mas a atual sem dúvida é a mais madura e criativa. Nós mantemos o espírito que todos ex-integrantes ajudaram a criar, mas é uma construção contínua que não acaba nunca. Hoje contamos com Thiago Alves na bateria, Renan Weignater no baixo, Gabriel Ferraz nos teclados e eu, Gimmy, nos vocais e guitarras.



2) O som de vocês entra naquele seleto time de bandas que são muito difíceis de resenhar, sendo que o Hard Rock puxa à frente, porém temos muitos elementos de outros estilos. Para quem não conhece a banda, como vocês se apresentariam?

R: Gimmy: Realmente não nos preocupamos muito com estilo. Pensamos muito nos temas que vamos abordar e construímos canção de acordo com eles. Se pede algo mais debochado podemos ir para o hard rock, mais sexy a gente vai pro blues, mais agressivo vamos para o metal e por ai vai. A identidade da banda se mantém, mas não colocamos limites para nossa criatividade e nem barreiras de gêneros.

3) O primeiro trabalho auto intitulado tinha uma pegada mais abrangente, sendo que em “Tower” a pegada mais hard rock ficou mais evidente. Essa foi uma mudança natural na banda ou algo mais pensado após criticas do primeiro CD?

R: Gimmy: Foi natural. Na verdade, as músicas do primeiro CD foram compostas muito antes da gravação, nós éramos moleques e queríamos muito experimentar com a psicodelia. Novas influências foram surgindo e queríamos lançar algo diferente como um segundo disco. Já tínhamos bebido na fonte do psicodélico, então era hora de tentar algo mais seco, mais direto e misturar com ainda outros estilos.

4) Os temas abordados pela banda chama a atenção primeiramente pela forma que são expostos, segundo por que não é comum uma banda mais ligada ao hard rock, que sempre enaltece as festas e bebedeiras, falar de temas mais sérios como vocês fizeram no debut CD e em “Tower”. De onde vem essa inspiração para temáticas digamos mais “adultas”?

R: Gimmy: Eu não acredito em arte inofensiva. Claro que tem de existir a “diversão pela diversão” e é algo saudável, mas eu não conseguiria me sentir completo como artista fazendo só isso. Eu acredito muito na mensagem, no poder de transformação e de fazer pensar que a arte pode ter. Assim sendo, até temos uma ou outra música com temas mais simples e divertidos, como “Magic Lips” ou “Backdoor Girl” do álbum “Tower”, mas de fato não é nossa missão. No “Egophilia”, novo álbum, os temas giram em torno do ego, e falamos sobre redes sociais, justiça, corrupção, autoritarismo, intolerância religiosa e outros assuntos polêmicos.

5) A sonoridade dos teclados tem uma importância grande na sonoridade de vocês, mas as guitarras e vocais também estão bem dosados. Como nasce uma composição da Maya?

R:Gimmy: A banda foi criada por mim, guitarrista e pelo ex-tecladista Bruno Lima. Ele apontou um caminho bem interessante para os teclados da banda, algo sempre fora do comum, que sempre busca uma certa estranheza. E isso é algo que o atual tecladista, Gabriel Ferraz, segue e cria além com maestria. As guitarras e vocais geralmente são o ponto inicial de muitas das composições, mas cuidamos para que todos integrantes tenham participação absurdamente ativa. No fim, a música se transforma e se torna realmente uma obra conjunta dos quatro.

6) Falando sobre “Tower”, ele tem uma bagagem muito grande de ritmos diferentes, acredito que foi feita uma pesquisa enorme para chegar nessa sonoridade. Como foi o caminho de composição de “Tower”? Teremos elementos desse trabalho em “Egophilia"?

R: Gimmy: Sem dúvida. Há influência de blues, de ritmos cubanos, latinos e até de jazz. No caso do “Tower” foi uma questão da influência dos músicos mesmo. No nosso novo álbum “Egophilia”, já foi diferente. Nesse caso a gente realmente pesquisou muito, como por exemplo, na música “Tolerance”, que já lançamos no Youtube e pode ser conferida neste link.



Ela fala sobre religiões e tem uma miríade de sons, ritmos, instrumentos e escalas musicais para ambientá-la como queríamos

7) Antes do lançamento de “Egophilia”, foram liberados alguns vídeos que mostram a banda mais pesada como na minha favorita “Attention Whore”. Será esse o direcionamento do álbum? O que já pode nos adiantar sobre ele?

R: Gimmy: “Attention Whore” foi o primeiro single que lançamos para o que viria a ser esse novo CD. Ela ainda guarda o hard rock que ouvimos em “Tower”, mesmo que mais pesado. Contudo, esse novo álbum tem muitas outras novidades em relação a sonoridade. Cada faixa traz algo novo. E estamos muito orgulhosos com isso.



8) A Maya investe pesado em vídeos. Como vocês avaliam esse retorno, ainda é viável para uma banda lançar vídeos nas plataformas virtuais, ainda mais como o de vocês que é todo trabalhado como o de “Little Bitch”?

R: Gimmy: Eu acredito muito nos clipes. Como disse anteriormente, eu quero que a mensagem seja transmitida. E pensamos música, letra e clipe como uma coisa só. O Allan Caju, é um cineasta que acredita no nosso projeto e dirige a maioria dos nosso clipes. Temos vários making of’s no nosso canal do YouTube mostrando a trabalheira que é cada produção. Então, no nosso caso, não é uma questão de investimento de grana em si, mas de muito suor, tempo e criatividade.

9) Como vocês avaliam o cenário Hard Rock no Brasil? Existe uma cena forte ou o estilo está mais undergrond? Alguns críticos dizem que as bandas de Hard Rock no Brasil estão enveredando para ares mais do Heavy Metal, o que pensam acerca disso?

R: Gimmy: Acho que tenha lugar para todos. Mas, de fato, o Hard Rock e o Heavy Metal andam muito próximos em alguns casos e as vezes são classificados como a mesma coisa pela galera mais leiga. Como não nos importamos tanto assim com gêneros, não é uma questão muito preocupante para nós. Acreditamos que o cenário da música underground e independente como um todo pode crescer se unindo, independente do estilo.

10 ) Nós do Underground Extremo agradecemos a entrevista, desejamos boa sorte com “Egophilia”, (que resenharemos aqui assim que o trabalho for lançado). Gostariam de deixar algum recado final para nossos leitores?

Gimmy: Nós agradecemos imensamente pela oportunidade. É uma honra para o Maya! O recado é que fiquem ligados em nossos canais pois sempre estamos lançando clipes e vídeos novos. Nosso novo CD, “Egophilia” está pronto e estará disponível muito em breve. Aguardo ansioso para ver a resenha do Underground Extremo . E para quem for do Rio de Janeiro, dia 11 de agosto será o show de lançamento, no teatro Solar de Botafogo, onde filmaremos a noite inteira para materiais futuros. Então, estamos só começando!


←  Anterior Proxima  → Página inicial

Total de visualizações

Baphomet

Baphomet

As mais lidas