Entrevista: Impiedoso- Black Metal é a luta contra um deus podre e falso e seus seguidores.


Black Metal não é apenas uma vertente musical e sim um estilo de vida, que traz consigo identidade, honra e respeito, com certeza muitos ficaram no caminho, e outros abandonaram o estilo porém por isso que uma horda que consegue manter se 20 anos na cena, são na verdade guerreiros do metal negro. Nos do Underground extremo temos a honra de entrevistar IMPIEDOSO.

1) Hail Impiedoso satisfação em entrevistar a horda gostaria de começar, com uma apresentação geral, como foram os processos de transição da Imperium Tenebrae, para a formação da Impiedoso?

Nahash - Hail! Sempre considerei o Impiedoso como uma continuação do Imperium Tenebrae. Os objetivos são os mesmos e o estilo também é muito parecido. Quando ocorreu a separação da Imperium, eu e o Agranamariu, que éramos os compositores da horda, nos juntamos ao Azoth para formar o Impiedoso. Como o Azoth sempre estava em nossos ensaios e também nos acompanhava nos shows, essa transição foi bem tranquila, pois sempre estivemos bem entrosados. Foi mais ou menos assim: um final de semana acabou uma banda, e no outro já ensaiávamos outras músicas com a outra banda.

2) Hoje o sul é visto e respeitado como um dos grandes centros da música obscura porem como era o cenário extremo na década de 90, tínhamos mais união das hordas ou o cenário era algo mais retraído de maneira geral?

Nahash - Tinha muito, mas muito mais união entre as bandas e entre o público headbanger. Todos se conheciam ao ponto de firmar uma amizade que perdura até hoje. Era algo extremamente natural e corriqueiro o intercâmbio do pessoal do RS, PR e SC. Lembro que em praticamente todo evento de Black Metal que ocorria em Guaramirim-SC, no lendário Curupira RC, vinha uma galera que lotava 2 ônibus de 40 lugares, só da região de Porto Alegre!! E estamos falando de eventos totalmente underground!! Não consigo imaginar isso acontecendo nos dias de hoje em evento algum!! Encontrar alguém que se desloque mais de 50 km para participar de um show já é uma raridade.


3) Na Demo Master Of Darkness a bateria foi gravada por Nahash, foi difícil chegar em uma formação definitiva para Impiedoso? E quais membros hoje compõem a horda

Nahash - Impiedoso passou por diversas mudanças de formação. Mas felizmente nunca de estilo. Sei que existem bandas que possuem os mesmos membros por décadas, mas são poucas que ficam 100% desse tempo na ativa, sem um período de “férias”. Nós nunca paramos, e creio que isso gera um certo desgaste. Ensaiamos toda semana, organizamos eventos, tocamos em shows, criamos e gravamos músicas.E todos na banda se envolvem muito nisso tudo. Realmente dão o sangue por isso. Todos que passaram por aqui deixaram sua marca, e ficam por um tempo considerável. Posso até dizer que seria mais tempo individual do que dura a maioria das bandas por aí. Agranamariu tocou comigo por quase 10 anos (4 deles no Impiedoso), Jaghar ficou por aqui 12, Aldebaran está aqui à 10 e Mortuum à 6. Recentemente (e a Underground Extremo está sabendo de primeira mão!) nosso vocalista e um dos fundadores do Impiedoso, o Azoth, deixou a horda depois de 20 anos! Então, quando achamos que a coisa está estabilizada, acontece algo para nos surpreender (risos).
A formação atual é a seguinte: Aldebaran na bateria, Mortuum na guitarra e Nahash no baixo. O novo vocalista será anunciado em breve.

4) Abismo da Desgraça é um trabalho marcante para a cena, existe alguma possibilidade de relançamento do mesmo e como vocês avaliam esse trabalho hoje em dia?

Nahash - Apesar de ter sido gravada em apenas um ‘take’ no estúdio, foi algo que nos marcou pela quantidade de críticas positivas. É um orgulho e uma honra saber que esse trabalho conseguiu agradar os headbangers em geral, e saber que ele se tornou referência para muitos. Se fôssemos gravá-lo hoje, creio que ficaria bem diferente, com uma qualidade instrumental melhor. E, por mais absurdo que possa parecer, seria justamente essa melhora que poderia estragar essa demo. É essa crueza que tornou esse trabalho bom. Várias pessoas e distros entram em contato pedindo cópias da Abismo, mas infelizmente não temos mais esse material físico. E acredito que não iremos relançá-lo novamente. Estamos focados em produzir material novo. 



5) Depois do boom na cena na década de 90 o Black Metal foi incorporando vários estilos e influências, essa nova abordagem do metal negro agrada a horda, ou acreditam que ocorreu uma saturação?

Nahash - Não vejo problema nessas misturas. Pode haver quem goste. Isso é problema de cada um. Mas não é nosso caso. Sempre tocamos e tocaremos o Black Metal primordial. Não é nenhuma “obrigação” nossa manter esse padrão. Simplesmente gostamos do Black Metal desta forma. E só tocamos algo que gostamos, sem realmente esperar agradar à alguém. E é essa falta de pressão sobre nós, em criar as músicas, que pode deixar nosso trabalho cada vez melhor.

Muitas bandas misturam estilos buscando criar algo novo. Na maioria das vezes fica uma porcaria. E na verdade são essas porcarias que saturam. O pessoal mais jovem começa escutando isso, e quando descobrem a autenticidade do black/death/trash/heavy de um passado não tão remoto, e que ainda existem bandas que o praticam sem cair na mesmice, vão se agarrar à isso. E é aí que nasce o verdadeiro headbanger: até a morte!

6) Citando agora Reign in Darkness, qual foi a sensação de saber que o trabalho foi lançado e atingiu ótimas criticas da mídias e do publico

Nahash - “Reign in Darkness” superou nossas expectativas... Nós gostamos muito desse trabalho, mas nós somos suspeitos para opinar (risos). Então ouvir da mídia, em votações e do público que esse disco está entre os melhores do estilo, nos deixa muito satisfeitos. Isso só nos motiva a continuar nossa luta. Saber que estamos representando adequadamente o metal nacional nos enche de orgulho.


7) Gostaria que comentassem um pouco da parte gráfica de Reign in Darkness ela é simples mas deixa bem clara a ideologia da banda

Nahash - A capa do disco realmente foi feita para deixar transparecer adequadamente nossa ideologia e o que buscamos de simplicidade em nossas músicas. Conseguimos voltar um pouco no tempo, na época dos grandes álbuns clássicos com capas pintadas à mão. A ideia surgiu na mente do Azoth, que tentou colocar um pouco de cada música no quadro que foi pintado pelo artista plástico Elizeu Rocha.
8) Nesse mesmo trabalho a horda cantou músicas em português e inglês, em qual idiomas vocês preferem compor, e acreditam que o uso do idioma nacional limita mercado como muitas vezes é alegado?

Nahash - Cantamos na língua pátria e em inglês porque acreditamos que o metal não tem fronteiras. Em momento algum pensamos que o fato de compor as letras em inglês nos facilitaria competir ou adentrar no mercado externo. Simplesmente simboliza que o estilo não tem limites.

9) O Black Metal na sua essência é um gênero underground e hermético, muito se fala sobre a ideologia do gênero afinal de conta, para a Impiedoso o que é Black Metal ?

Nahash - Se fosse pra traduzir Black Metal em uma única palavra, talvez seria ‘liberdade”. Apesar dos imbecis seguidores de cri$to alegarem que pregam a paz e a liberdade, eles praticam exatamente o oposto. Desde sempre... E o engraçado é que todos sabem disso, mas negam...sempre. Vide a história de como surgiu a igreja, dos seus objetivos financeiros, das cruzadas, da falsa moral eclesiástica, dos padres, pastores e fiéis corruptos e pedófilos. Da fusão com governos, criando teocracias que buscam dinheiro e poder pelo medo imposto aos fracos. Se a questão fosse apenas essa maluquice entre eles, tudo bem, foda-se, mas essa hipocrisia afeta todos nós diretamente. E é aí que está o problema...
Black Metal é a luta contra um deus podre e falso e seus seguidores.

10) Vocês irão tocar no evento Bisho Extreme Festival em Junho na cidade de Tubarão, e o Underground Extremo estará lá na cobertura, para quem nunca viu uma apresentação da Impiedoso, o que podem esperar da horda ao vivo

Nahash - Será uma honra para nós tocar nesse evento repleto de metal maníacos e bandas de respeito. É a primeira vez que tocaremos na cidade, e também a primeira vez com o novo vocalista. Vamos tocar com toda nossa fúria, e esperamos que todos fiquem com os pescoços doloridos no dia seguinte (risos). É assim que deve ser o metal underground: com a união de todos nós.
11) Para finalizar nosso agradecimento, pela entrevista e gostariam de deixar algum recado para os leitores do Underground Extremo?

Nahash - Nós é que estamos gratos pela oportunidade de falar um pouco aqui. À todos os maníacos que lerem isto: o underground é uma arma fortíssima. Estaremos sempre juntos nessa luta, e espero que sempre possamos conhecer novos guerreiros onde formos! Hail! 



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