Resenha #480: "War Within Me" (2021) - Blaze Bayley

Salve, headbangers! Se tem um cara que merece um pedido de desculpas pelo que passou, esse alguém é o Blaze Bayley. Claro, sua passagem pelo Iron Maiden (1994-1999) foi bastante controversa. Os álbuns daquela época demoraram para ganhar um certo apreço entre os fãs, e, embora a banda toda seja responsável pelo som, a parcela de culpa maior caiu injustamente sobre o vocalista.
Entretanto, ele soube agarrar a oportunidade e se manteve ativo, fazendo aquilo que sabe: um bom Heavy Metal no qual sempre coloca sua personalidade. Isso vale tanto para sua primeira banda, o Wolfsbane, que o levou ao Iron Maiden, quanto para sua carreira solo, que segue desde o ano 2000, com um total de 12 álbuns de estúdio (sem contar os ao vivo). E esse senhor, assim como quem está lendo esta resenha, gosta muito de Heavy Metal. Depois de ouvir sua discografia completa, podemos dizer que o álbum "War Within Me" é uma carta de amor ao estilo e, ao mesmo tempo, uma biografia de sua carreira. Isso é perceptível desde o título até as faixas, que passam uma sensação muito forte de se perder e se encontrar.
O álbum, que abre com a faixa título War Within Me, não tem medo de entregar o melhor já de cara. E como é bom ouvir um Heavy Metal que começa com guitarras energéticas! A mensagem de "nunca desista" é um reflexo daquela biografia que citei no parágrafo acima. Essa música é daquelas que vão estar presentes em todos os shows e permite que o público cante junto. 303 mantém a mesma pegada, aquele clima de guitarras e coros de arena, com uma vibe oitentista muito bem executada. Só achei a faixa muito curtinha; acredito que um belo solo se encaixaria perfeitamente ali.
Warrior e Pull Yourself Up vêm com uma guitarra limpa na primeira e a segunda um pouco mais lenta, mas logo dão espaço para uma vibe pulsante. Essas músicas me lembraram Virus do Iron Maiden, e eu curti muito isso.
Hora do ataque das bruxas! Eu tenho uma teoria de que o Blaze se daria muito bem em uma banda de Power Metal, e Witches Night é a prova disso. E para atentar os fãs, eu afirmo: ele tem muito mais carisma que o vocalista do Sabaton (é importante dizer isso).
Como um bom contador de histórias, temos aqui três gênios e suas narrativas: The Dream of Alan Turing, The Power of Nikola Tesla e The Unstoppable Stephen Hawking. Todas elas têm algo em comum, não só na temática, mas em uma narrativa que se entrelaça. Em tempos onde a arte de ouvir um álbum completo se perdeu, ver essa narrativa sendo contada assim foi fantástico.
O trabalho vai chegando ao seu final, e temos aqui mais um grande momento de Bayley com Every Storm Ends, uma balada. Mesmo eu não sendo fã do estilo, não dá para passar inerte a esse som.
Antes de encerrar, preciso apontar a excelente banda que gravou esse registro: Christopher Appleton na guitarra e backing vocals, Martin McNee na bateria e Karl Schramm no baixo. Eles sabem como uma banda de Heavy Metal tem que soar. A discografia de Blaze, longe da "Donzela de Ferro", continua pulsante.
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TRACKLIST:
1) War Within Me
2) 303
3) Warrior
4) Pull Yourself Up
5) Witches Night
6) 18 Flights
7) The Dream Of Alan Turing
8) The Power Of Nikola Tesla
9) The Unstoppable Stephen Hawking
10) Every Storm Ends
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FORMAÇÃO:
Blaze Bayley - vocais; 
Christopher Appleton - guitarra e backing vocals;
Martin McNee - bateria;
Karl Schramm - baixo.