Sons Extremos #10: A Canorous Quintet

Quando falamos em death metal melódico, muitos nomes podem vir à mente, como o Dark Tranquility, In Flames, Arch Enemy entre outros, porém hoje eu quero apresentar um dos pioneiros da cena sueca, A Canorous Quintet. Formada no ano de 1991 com o nome de A Canorous Quartet e sobre seus dois anos iniciais não encontrei muita informações até chegar em em 1993 onde a banda passou por algumas mudanças de formação e se transformou em A Canorous Quintet.
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 Logo após a mudança na formação, o ACQ gravou sua primeira demo oficial "The time of Autumn". Nesse trabalho contavam com Mårten Hansen nos vocais, Linus Nirbrant e Matte Ehlin nas guitarras, Fredrik Andersson na bateria e Linus Pettersson no baixo. Mesmo sendo um registro muito cru, ele já começa a mostrar a sonoridade do ACQ se formando, meus destaques nesse trabalho vão para Revert to Life (melancolia e clima densos) e a faixa título The Time of Autumm. A qualidade desse registro abriu muitas portas para eles que conseguiram nessa época dividir o palco com nomes como Edge of Sanity, At The Gates, Katatonia, Dissection, Disharmonic Orchestra, Hypocrisy entre outras.
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No ano de 1994 eles lançaram uma demo, porém a qualidade de som desse material não agradou a banda, caindo em esquecimento, porém ele tem três faixas, uma instrumental, além de The Joy of Sorrow e Strangeland e todo esse caminho nos guiava para o primeiro forte registro da sua discografia "As Tears".
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Atente-se um ponto nesse álbum, se você for ouvir ele agora sem conhecer a banda, vai pensar que já viu o Dark Tranquility fazendo isso muitas vezes, e sim, você não está errado, mas um detalhe é que esse álbum foi lançado em 1995, então fica claro que estamos falando do criador e não da criatura certo?
"As Tears" falha pelo fato de ter apenas 18 minutos e 55 segundos, mas começamos com a ótima Through Endless Illusions, aqui um começo dedilhado de violão logo cai para um death metal melódico com vocais muito fortes e como disse acima, estamos falando de uma das pioneiras, por isso mesmo que um dos elementos que eu mais gosto da sonoridade deles que é a forte presença do black metal, principalmente nos vocais. Um adendo é o uso de vocais limpos que fazem parte do EP, eu particularmente não gosto, mas entendo o seu papel no trabalho. A produção do trabalho conta com Dan Swanö e a gravação no estúdio Unisound ajudou muito a criar um som que depois seria moldado nos próximos registros.
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Chegamos em 1995 e aí temos o primeiro debut e aqui eu consigo dar o total status de clássico injustiçado para "Silence of the World Beyond". Digo injustiçado porque duvido muito que a cena de death metal melódico seria igual se não fosse esse registro, claro que ao olhar para a data de lançamento já temos trabalhos consolidados como do In Flames e Dark Tranquility, porém eles conseguem emular características que se tornam referências, algo de Dissection, mas com a melancolia tão cara a banda desde a sua primeira demo.
Na bateria temos Fredrik Andersson, nome esse que ficaria conhecido pelo seu trabalho no Amon Amarth e uma perca, na minha opinião, foi a banda abdicar dos elementos do doom, algo que tínhamos no "As Tears".
Difícil apontar os destaques, o trabalho abre com a poderosa faixa título que já te arrasta para a proposta da banda, mas note a atmosfera black metal de The Black Spiral, In The Twilight Of Fear e Spellbound, além da melancolia belíssima de The Orchid's Sleep.
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Esse momento foi muito bom para a banda que teve ótimas críticas e embalados com essa resposta, dois anos depois, eis que temos o segundo álbum "The Only Pure Hate", aqui o estúdio escolhido foi o Sunlight e isso consigo dizer que foi um erro, pois ele não conseguiu trazer a sonoridade que esse trabalho merecia, pois a banda ao vivo conseguia fazer esses sons serem monstruosos (dá para ver isso nos vídeos), porém a produção ficou fraca.
Contando na formação com Mårten Hansen nos vocais, Linus Nirbrant e Leo Pignon nas guitarras, Jesper Löfgren no baixo e Fredrik Andersson na bateria, é possível ver as ótimas ideias de The Void, Selfdeceiver (The Purest Of Hate), assim como sons que poderiam estar em algum álbum do Amon Amarth como Red.
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Por isso mesmo que o álbum ganhou uma versão nova em 2018 agora batizado como "The Only Pure Hate MMXVIII" e aí sim conseguimos ver a supremacia do ACQ dentro do death metal melódico, porém o baixo resultado desse álbum e as brigas internas para descobrir qual caminho a banda iria seguir, fez com que eles entrassem em um hiato.
Paralelo a essa pausa, os membros do ACQ formaram uma nova banda This Ending que possuía uma sonoridade próxima do que eles faziam na sua banda anterior e claro, além de em apresentações ao vivo eles tocavam músicas do ACQ, eu como fã, queria muito ter visto isso acontecer, mas a banda nunca se apresentou no Brasil.
No ano de 2012 a Cyclone Empire entrou em contato com os músicos para lançar uma coletânea que mostrasse a importância histórica do ACQ e nisso, eles resgatam fitas de ensaio e encontram faixas que nunca tinham sido gravadas e assim temos "Reflections of the Mirror", um EP com duas faixas novas e sei lá porquê deixaram elas de fora do álbum de estreia, pois são excelentes! Reflections of the Mirror tem ago de Dissection na sua atmosfera, enquanto The Offering pode te enganar pelo seu começo acústico, mas logo vira um petardo e volta a explorar aquela atmosfera triste que sempre apreciei no som.
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Espero que com esse Sons Extremos tenhamos dado um pouco de luz para uma das grandes bandas da década de 90 e caso queira se aventurar nessa rica sonoridade, recomendo a compilação "Quintessence" e o ao vivo "Alive From the World Beyond" que mostra o quanto o ACQ sempre foi uma banda a frente do seu tempo!
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FORMAÇÃO:
Mårten Hansen – vocal;
Linus Nirbrant – guitarra;
Peter Nagy – guitarra;
Linus Pettersson – baixo;
Fredrik Andersson – bateria.