Sons Extremos #10: A Breach of Silence – A Ascensão e a Queda do Powercore Australiano


Salve, headbangers! Nesta edição do Sons Extremos, vamos analisar a discografia de uma banda australiana que começou muito bem e depois se perdeu no próprio som: o A Breach of Silence. Do Metalcore pesado e maduro do primeiro disco ao "powercore" melódico que dominou os trabalhos seguintes, essa é uma trajetória de ascensão e queda.


Dead or Alive (2013)

Eu costumo torcer o nariz para Metalcore com vocal limpo que às vezes soa como criança birrenta. Mas no caso do A Breach of Silence, eu me enganei.O Dead or Alive (2013) é o primeiro álbum deles, e a produção ficou a cargo de Fredrik Nordström, que já trabalhou com At the Gates e In Flames, e isso faz toda a diferença: o som é muito bem gravado, pesado e maduro para um disco de estreia.

A crítica gringa também recebeu bem. A SonicSandbox descreveu o som como uma mistura que funciona, chamando de "powercore", e destacou que o Nordström soube extrair o melhor da banda justamente nos refrãos melódicos, onde a maioria das bandas de Metalcore tropeça.

Tem algo de As I Lay Dying no trabalho deles, e não dá pra negar: para um primeiro álbum, é muito bom. Eyes of the Enemy é o melhor som desse trabalho, e conta com a participação de Brett Anderson, do Buried In Verona. Também tem sons realmente muito agradáveis como To Oblivion.

Ainda é Metalcore, o que me afasta um pouco, mas é muito melhor que 90% da cena.


02) The Darkest Road (2014)

O The Darkest Road (2014) é onde o A Breach of Silence começou a se perder, na minha visão. A primeira faixa é boa, mas já tem um acento mais moderninho, e aí entrou o maldito vocal limpo. Eles adotaram o termo "Metalcore melódico", que eu acho uma porcaria.

Vultures abusa do vocal limpo; Silhouette é instrumentalmente ótima e o som vem numa crescente até os vocais limpos serem pífios. Fãs de Bring Me the Horizon vão pirar, principalmente em Hang 'Em High. In Reality We Trust também chega perto, e This Is the End é boazinha. Mas os vocais limpos não dão: esse trabalho é um retrocesso perante o primeiro.

A tempo de dizer que a capa é muito bonita. A crítica gringa, claro, discorda. Eles chamaram o disco de "powercore" e disseram que a banda melhorou a fórmula, com vocais limpos maiores e refrãos mais grudentos. A V13.net destacou que In Reality We Trust é o tipo de Metalcore que fãs de Killswitch Engage vão amar, e a Amplify the Noise elogiou Vultures e Silhouette como as mais cativantes. Mas pra mim, o vocal limpo continua sendo o problema.

                    03) Secrets (2017)

O A Breach of Silence é bom no conceito que faz, investe pesado e é bonito — eu gosto, mas não é pra mim, muito menos.

Estou ouvindo o Secrets (2017), e a coisa começa com Falling Away, que é puro Rage Against the Machine emo. Essa pegada continua em Ride or Die, e a faixa-título é Metalcore feliz, feliz demais pra mim. Ao longo do trabalho, dá pra perceber que o vocal gutural caiu para segundo plano, o que aproximou muito da cena Metalcore atual.

The Revelator abraça o emocore, e eu nem sei que banda é The Weeknd, então essa Shameless achei melhorzinha que a original. Mas Sugar and Spice, sem ironia, é a melhor do álbum: um hard rock sem paiada que me fez cair da cadeira. É uma viagem esse som dentro desse álbum.

A crítica gringa se dividiu. A Wall of Sound deu 4/10 e disse que o disco é "apenas mais um álbum banal de Metalcore", mas elogiou Falling Away como a melhor faixa e criticou Sugar and Spice como a pior, com uma letra constrangedora. Já a Hysteria deu 8/10 e disse que o álbum mostra um lado mais suave da banda, com foco nos vocais e letras sobre depressão e saúde mental. A Get Exposed Music deu B+ e chamou o cover de The Weeknd de "respiro sonoro" e Sugar and Spice de "ode gratuita ao hair metal dos anos 80". 

DISCOGRAFIA:

Dead or Alive (2013)

The Darkest Road (2014)

Secrets (2017)