Playlist de uma semana extrema # 14

 1) A Binding Spirit  - A Binding Spirit  Alemanha - demo 

O A Binding Spirit lançou apenas essa demo autointitulada em 2020, mas é aquele projeto que a gente espera que volte com uma sonoridade que vai ambientar passagens de um black metal mais raw, cru mesmo. A partir dos dez minutos, entra algo como elementos fantasmagóricos na fórmula — tudo mérito da mente de Entheogen, que consegue condensar uma sensação de esgarçamento, entrando em um ambiente obscuro ao qual não teremos saída. É apenas uma peça que, pelos seus pouco mais de 14 minutos, deixa o ambiente tétrico.

 

 2) A Blackened Sight – Bodies on the Road (2015)

O A Blackened Sight é de Madri, Espanha, e o álbum Bodies on the Road (2015) começa com uma abertura mais técnica e vocais poderosos, muito acima da média do EP autointitulado. Mas aí entra o vocal limpo e joga uma bela d'água fria: o guri não canta mal, mas a voz tem aquele pé no emocore que faz o peso ir pro chão. Em New Form, ele repete os mesmos erros.Mere-Exposure Effect tem aura de Killswitch Engage, com a banda usando uns corias meio hardcore — e eu curti demais essa pegada, e espero que eles usem mais em trabalhos futuros, como em Sick Mind Sam, que tem esses elementos de forma bem natural. Já Ex-Girlfriends and Other Animals se aproxima do emocore e é a mais fraca do álbum. Through This Ordeal é uma baladinha que pode ser pulada sem problemas.  O trabalho vai mantendo essa estrutura de Metalcore, e no final eu prefiro o começo, mais voltado para o Death Metal. É uma banda que tem onde melhorar e potencial para isso.

03) A Bleak Epitaph  -  Trials

O A Bleak Epitaph é uma one man band de Technical Death Metal de Mansfield, Connecticut (EUA), liderada por Kevin Narowski. A banda lançou seu único registro até agora, o EP "Trials", em 7 de março de 2025 . A premissa é forte: Narowski sofreu um acidente de carro e essa passagem de quase morte o fez transformar o trauma em death metal da melhor qualidade. Riffs rápidos e brutais bombardeiam os sentidos antes de darem lugar à melodia e à melancolia. O melhor é que isso faz o brutal death metal não ficar enjoativo — ao longo de passagens que são pura violência, como em "In Death" e "Deception", outras apresentam um lado mais trabalhado, como a faixa-título "Trials". Um ótimo registro.

04) "Into the Abyss"  -  A Bond Between 

 O A Bond Between é de Duisburg, na Alemanha, formado em 2021, e a enciclopédia Metallum está desatualizada: estou ouvindo o full "Into the Abyss" e gostando medianamente. Tem coisas boas e muito bem gravadas, mas falta algo. A banda se descreve como uma mistura de metal alternativo grooveado com elementos de death, thrash e hardcore, com influências de Trivium, Parkway Drive, Lamb of God, Whitechapel e Bleed From Within — e isso explica a confusão sonora.                                                                                            Começamos com "When Scorns Turns to Fury": peso bem timbrado, mas os vocais parecem roucos e não combinam com o andamento do som, e aí entram os vocais limpos porque o metalcore tem essa mania. "How Times Have Changed" mantém essa sequência de boas ideias e acrescenta um pouco mais de death metal melódico — isso é assertivo. Já "Zero and Ones" e "Separations" voltam para o metalcore, e aí está o erro pra mim: não saber para que lado virar. O trabalho fica confuso, e essa pegada do metalcore se mantém. Eu achei que a banda poderia explorar mais o caminho do death metal melódico. Aguardar os próximos passos.

05) A Break in the Storm - Metanoia 

 O A Break in the Storm é de Merrill, Wisconsin, e o "Metanoia" é o único álbum deles. É metalcore, e a banda já acabou. Começando por "Beneath The Surface", que completa a cartilha do estilo com vocal limpo — ah, meu satã. "My Last Goodbye" é boazinha, e os vocais limpos não são ruins, só adolescentes mesmo. "Passenger" tem umas inovações na bateria, mas é pouco. "Reflections" tem um solo bonito, mas os vocais enjoam. "Roam This World" é a que eu salvaria. "The Showdown" tem os melhores vocais guturais, mas eles são secundários — e, como já disse, isso é uma pena. "In Pain and Peace" tem um vocal limpo que irrita e o gutural é bom (tô ficando redundante, mas é porque é assim, pow). Pena que a banda acabou, porque eu ia dar uma ideia pra eles: mandem o vocal limpo embora e invistam no gutural. E o guitarrista é muito bom; espero que esteja em outros projetos.

06) A Breath Before Surfacing - 

>"Death Is Swallowed in Victory"(2008)

 O A Breath Before Surfacing é de Tucson, Arizona, formado em 2006 e separado em 2009 — durou só um disco. O "Death Is Swallowed in Victory" (2008) tem uma capa muito bonita, e o som é um deathcore que dá pra ouvir tudo sem aquela bagunça que o estilo às vezes vira. "Disharmony Among Choirs" e "Ray Road" são a junção de dois mundos indo até o slam, e eu adorei isso. "Cosmetic Abomination" e "Writhing" me lembraram Aborted no começo, e isso é um puta elogio. "Looking Into the Sun Without Going Blind" é uma indecência de violenta. O trabalho vem nessa pegada extrema mas audível. Pena que essa banda acabou; dentro de um estilo tão limitrofe, eles poderiam ser um frescor de originalidade

07) A Bribe for the Ferryman  -  A Bribe for the Ferryman 

 O A Bribe for the Ferryman é de Colchester, no Reino Unido, formado em 2015, e essa demo autointitulada é de 2018. É uma pena que seja uma demo, mas a qualidade é boa. O vocal tem uma rispidez na voz muito legal, algo Machine Head nas guitarras, mas falta originalidade: as três músicas parecem uma continuação uma da outra, parece que faltou achar uma identidade maior e uma originalidade maior entre as faixas. Meu destaque vai para "Fallen Empire".