Playlist de uma semana extrema # 13



 Ao longo da semana, vamos ouvindo álbuns que merecem ser conhecidos pelos headbangers. Esse é o intuito deste quadro: apresentar discos que vão de clássicos a novos lançamentos escondidos no porão do underground — ou no mainstream, de qualquer forma. Convidamos o leitor a discutir o que foi essa semana de audições extremas. Sem filtro.

01) A Balance of Power – Stomp the Ground (2009)

Esse EP de estreia do A Balance of Power, lançado em 2009, é de um grupo formado em Salt Lake City, Utah (EUA). Eles apresentam algo que fica entre o Metalcore, com algo de Groove e até mesmo pegadas de Death Metal melódico.

Se tratando de uma estreia, é legal ver que eles foram construindo uma sonoridade própria, mas claro, com aqueles acentos do metal estadunidense. A abertura do EP com In Memory é uma boa intro, mas só apenas isso mesmo. Meus destaques vão para Hatred... So Far, a melhor do álbum pra mim, Confined e Metalhead, que é um hino para convocar você para o mosh pit. Além desse, eles possuem também Pride Precedes The Fall (2011) e Knifing The Beast (2012). No de 2011, a banda flertou muito com Metalcore, o que me perdeu, então esse aqui vai ficar como o meu favorito.

02) A Band Named Jon – Mind Your Own Fucking Business

Tem trabalhos que chegam na gente por acidente e, ao ouvir, tu vê que está chegando perto do fundo do poço do underground, e isso é ótimo. A one man band A Band Named Jon tem apenas um EP, Mind Your Fucking Business, feito no melhor estilo DIY. Temos aqui um Brutal Death Metal que flerta com Grindcore, méritos da mente provavelmente perturbada de Jonathan "Skullcrusher" Sager. E aqui tenho que dizer que ele é dono de um vocal cavernoso que eu curti bastante. Acho que mais perturbado que isso só o seu senso de humor para ter músicas como Standing in Line for 36 Hours to Buy Shit You Don't Need for a "Deal". Eu gostei, mas assim, meu gosto já está bem estragado.

03) Baptism by Fire – Darkness Welcomed (2016)

Baptism by Fire é um projeto solo de Progressive/Power Metal de Ontario, Canadá, formado em 2013 por Samuel Stirpe, que toca todos os instrumentos. Nos vocais, ele conta com Lucas Di Mascio, da banda Malacoda. A discografia inclui o single de estreia Baptism by Fire (2013), o full-length Darkness Welcomed (2016, 11 faixas, gravado em 2015) e os singles posteriores This Surrender, Welcome to the Chaos e Beneath Barren Waters.

E foi esse último som que me fez trazer o trabalho aqui, pois é nítida a técnica do músico, suas influências, sendo o Savatage a maior delas, e algo de Megadeth e Metallica nas guitarras. Agora, o que quebra muito esse trabalho é a produção, jogando todo o esforço por água abaixo. Acredito que uma boa produção para esse álbum iria fazer ele ter um destaque maior. O álbum ganhou uma edição de 5 anos em 2021, remixada e remasterizada em CD limitado a 50 cópias. Quero pegar esse pra ouvir, pois se a produção melhorou, o trabalho tem muito a ganhar, pois talento o Stirpe tem de sobra.

04) A Bastard's Breath – Demo I: Foulest Avidity ov Greed

Acho que é a primeira vez que trago aqui algo do selo de Black Metal DIY Lost Armor, e vou começar então por um projeto que me chamou atenção demais: A Bastard's Breath.

É um projeto de Black Metal atmosférico cuja demo de estreia, Demo I: Foulest Avidity ov Greed, foi lançada em 26 de janeiro de 2022. O material é um concept demo baseado em eventos históricos e trágicos das comunidades mineradoras de Montana, EUA, no pós-Primeira Guerra Mundial. A ganância, a morte e o sofrimento nas minas são o fio condutor das letras. A formação conta com Myst (letras e vocais) e Celestial Sword (guitarras e composição).

A demo tem três faixas: a primeira, de oito minutos, mergulha no horror de estar "quinhentos pés abaixo", com o cheiro de morte ao redor; a segunda, mais curta, ataca a ganância que esmaga os trabalhadores; a terceira completa o clima denso e cru. O lançamento saiu em digital (16-bit/96kHz) e em edições físicas limitadíssimas: 20 fitas cassete C60 numeradas à mão e 10 CDrs caseiros com mídia vintage, ambas esgotadas. A produção crua e DIY é justamente o que dá charme à demo, casando com a temática histórica e sombria. Indo do DSBM para um Raw Black Metal, e pensando que se trata de uma demo, ganha um baita destaque.

05) A Belt Above Black – Old Scars (2021)

Dentro de um estilo que considero limitado como o Metalcore, destacar-se é para poucos. Confesso que, ao ouvir os singles isolados do A Belt Above Black, a impressão não foi boa. Mas no EP Old Scars (2021), a banda virou a chave: corrigiram os erros, a produção ajudou e entregaram suas três melhores faixas até agora.

O destaque fica para American Battlestar (segunda faixa) e Enlightenist, que mostram uma banda indo para um caminho mais agressivo — e, na minha visão, isso é sempre melhor do que ser um pastiche dos alemães do Caliban. O vocal limpo ainda irrita, mas o peso e a melhora na execução compensam.

06) A Bid Farewell – Beneath a Veil of Tears

O A Bid Farewell é daquelas bandas que a gente ouve e já sente o peso da pena: formada em 2025 e já separada em 2026, mal teve tempo de existir. Em Beneath a Veil of Tears, a banda mostra que estava anos-luz à frente de muita coisa moderninha do Metalcore. Tem um pé fincado no Deathcore e no Death Metal mais moderno, com aqueles acentos de metal americano que aparecem, mas nada que comprometa.

O som é pesado, bem executado e com identidade. O tipo de material que faz a gente lamentar o fim precoce. Uma pena que acabou.

07) A Billion Limbs – Catalyst (2016)

O Catalyst (2016), do A Billion Limbs, é um amaranhado de boas ideias de um guitarrista virtuoso — e isso fica claro porque é o projeto solo de Gary Sackman, ex-guitarrista do Dark Matter Transfer.

O problema é que a bateria programada mata toda e qualquer variação que o álbum poderia apresentar, fazendo com que você entre em cinquenta minutos de uma grande faixa que explode em monotonia. Não é ruim, mas um baterista humano faria muita diferença aqui. Além disso, é um trabalho de Groove sem dúvida, mas falta aquele tempero que deixa a fórmula mais palatável.