Resenha # 495 - Malleus Maleficarum ( 2026) - Blasfemador

Salve, headbangers. Esse foi sem dúvida o primeiro álbum que eu ouvi em 2026, pois foi lançado no dia primeiro de janeiro, uma data meio peculiar, já que muitos bangers estavam acordando da ressaca de réveillon. Pois bem, procurando a trilha sonora para já começar o ano de 2026 com uma chuva de Speed Metal feito por quem realmente entende do estilo, o Blasfemador, que em seu terceiro álbum apresenta algumas passagens novas dentro da sua sonoridade, mas o mais importante ainda está ali: a fidelidade ao aço.

Ouvindo a discografia em perspectiva, neste seu quarto trabalho é possível perceber que eles estão mais voltados ao Speed, com elementos que vão do Black Metal, mas também com uma sujeira nas composições que bebem da fonte do rock setentista.

O nome do álbum se inspira no famoso escrito traduzido como "O Martelo das Bruxas". Para quem não está por dentro, trata-se daquele guia publicado pela Igreja que servia de base para aplicar punições em muitas mulheres, com o pretexto de ser um combate à bruxaria. Ou seja, a Igreja sendo ela mesma. Porém, não se trata aqui de um álbum conceitual, pois, tirando a faixa título, todas as outras abordam os temas que o Blasfemador mais explora, que são a literatura de terror e o maior pavor de todos, que é viver nesse país que se evangeliza e se vê fadado a repetir o passado. Cientes disso, a banda cearense Blasfemador, atualmente formada por Fabrício Maleficarum (vocal), Igor Shredder (guitarra), Augusto Razor (baixo) e Romário Bruxo (bateria), mostra um registro muito homogêneo no quesito qualidade.

A intro aqui é um destaque para Igor Shredder, e logo o riff principal aparece, algo mais arrastado, mas logo descamba para a velocidade que a gente já espera e gosta (muito). Os vocais são um destaque para mim. Considero que um bom vocalista de metal tem que ser áspero, mas ao mesmo tempo você consiga entender o que está sendo dito ali, e claro, o fato das músicas serem compostas em português ajuda um bocado nisso. Duvido você não sair cantando "a magia é negra e paira no ar...".

Lilith provavelmente é meu som favorito, até porque ela poderia estar em qualquer álbum do Blasfemador. Agora, o meu destaque maior vai para o peso da sobrevivência em tempos que a classe trabalhadora luta para o fim da escala 6x1. Esse som deveria ser o hino dessa jornada, a dura realidade do brasileiro escancarada no Speed Metal.

Ah, e falando em Speed, não podemos deixar de ter o culto à elétrica, não só a guitarra, mas a motosserra (Exciter, Razor, Flagelador que o diga). Por isso, A Motosierra e Satanic Rock N' Roll vêm na sequência, sendo a segunda a acrescentar uma passagem de rock setentista que se incorporou muito bem no DNA da banda.

Para fechar o trabalho, uma das franquias mais sofridas e injustiçadas para nós, fãs de terror: Hellraiser vem com A Configuração Do Lamento, a caixa de Lemarchand, onde se abre o caminho para o prazer e a dor.

Sendo assim, não é menor problema dizer que, ao se pensar em Speed Thrash, o Blasfemador lança mais um capítulo de respeito. O trabalho saiu com a parceria entre os selos Mutilation Records, Misanthropic Records, Jazigo Distro, Distro Rock e Underground Produções.

TRACKLIST:

01- Intro

02- Malleus Maleficarum

03- Lilith

04- O Peso Da Sobrevivência

05- A Motosierra

06- Satanic Rock N' Roll

07- A Villa De Vecchi

08- A Configuração Do Lamento

FORMAÇÃO:

Augusto Índio – baixo

Fabrício Maleficarum – vocal

Romário Bruxo – bateria

Igor Shredd – guitarra