Resenha # 492 - Tetric One (2026) - Tetric Tone

Salve, headbangers. Quem acompanha a cena underground mais de perto deve saber inúmeros exemplos de bandas que se formaram, começaram a traçar o caminho de sair da garagem, lançar material e atingir a atenção do público, mas pelas dificuldades encontradas no caminho acabam sofrendo com estagnação, hiato e, muitas vezes, epílogos de grandes talentos.

O cenário se repete, mas é aquela chama que nunca se apaga que motiva o retorno. Pois bem, é essa narrativa que fez Xande "Camisão" (voz), Rafael "Grilo" (bateria) e Cláudio Figueiredo e Silva (baixo) formarem o Vastness. A eles se juntaram Grilo, Gian Domingues e David Victor, do Morbus Inferno, e dessa fusão temos uma nova banda que apresenta, de antemão, um som mais próximo do Doom/Heavy do que do Death/Thrash de seus projetos anteriores. Mas a qualidade presente aqui é o que o nome Tetric Tone faz questão de carregar.

Aqui é nítido que eles mostraram no som algo que gostam de ouvir. Me veio à mente a sonoridade de bandas como o Sinistra e o Tormenta, ou seja, aquela pegada de peso somada ao espírito do Black Sabbath. Isso vem na faixa Mayday, que abre o trabalho e mostra o que nos espera ao longo da audição. Se bem que, se fosse eu, teria feito a abertura com Oniric Reality, que foi meu primeiro contato com a banda e, por isso, minha favorita. Ela tem uma mudança de andamento matadora e ao vivo deve gerar uma bela linha de headbanging.

O nome Trouble me veio à mente quando ouvi Poison Smoke. Ela tem a levada de um Doom mid-tempo e, à medida que vai vindo, uma base de guitarras mais firme. Um ótimo som e serve como um certo respiro para a pegada Thrash que vem à frente com Lethal Lady. Aqui eu senti falta de uma pegada um pouco mais agressiva nos vocais. A música estava pedindo isso. Essa agressividade vem em Infectus Bar, que homenageia todos os pubs e inferninhos que, na nossa vida de mídia/banda, já frequentamos.

Não posso deixar de citar também a trilogia formada por Evil Ghouls, Hypoxia e Masks of Terror. A primeira parte tem aquele refrão para cantar junto e um ótimo trabalho de guitarras. A segunda é um interlúdio que nos remete à maldita pandemia. E as máscaras do terror são basicamente a realidade de tentarmos nos proteger enquanto os governos eram o suprassumo da incompetência. Esse som é um Stoner sujo, daquele som para ouvir e beber, assim como todo o álbum. Um brinde à perseverança do Tetric Tone.

TRACKLIST:

Mayday (SOS)

Oniric Reality

Poison Smoke

Lethal Lady

Evil Ghouls

Hypoxia

Masks of Terror

The Freak

Infectus Bar

FORMAÇÃO:

Xande "Camisão" – vocal 

Rafael "Grilo" – bateria 

David Victor – guitarra

Gian Domingues – guitarra

Cláudio Figueiredo e Silva – baixo