Playlist de uma Semana Extrema # 12

Ao longo da semana, vamos ouvindo álbuns que merecem ser conhecidos pelos headbangers. Esse é o intuito deste quadro: apresentar discos que vão de clássicos a novos lançamentos escondidos no porão do underground — ou no mainstream, de qualquer forma. Convidamos o leitor a discutir o que foi essa semana de audições extremas. 

01) Devourer – Dawn of Extinction (2019)

O Devourer é um grande nome dentro da cena do Black Metal sueco. Nesse terceiro registro, é correto dizer que eles mantiveram aqueles acertos do álbum anterior, Across the Empty Plain, lançado em 2017. Ou seja, a atmosfera fria e crua se mantém, mas neste trabalho é correto dizer que eles adicionaram uma dose maior de melodia e passagens atmosféricas, que confesso que casaram muito bem no álbum até aqui.    The Sculpting Hands of Doom abre o trabalho com seus mais de oito minutos e passa por vários elementos dentro do Black/Death Metal, como os vocais, que transitam de algo mais perturbador para os mais rasgados e até mesmo agonizantes. Beast of Famine já é mais direta e faz a ponte com o passado da banda, enquanto sons como Nihil e Redemptive Suicide são mais épicos, com destaque para essa segunda citada: um verdadeiro petardo. Agora, se precisa de mais um som para te convencer, Evighetens Bila é aquela que vale o álbum.

 

 02) Spermspawn – Fuck the Future

One man band formada por Goreterrorist, que assume todos os instrumentos e nos entrega aqui uma sonoridade que o título já explica: um total desapego ao futuro e somente uma ode ao Black Metal obscuro e primitivo, mirando seu canhão de ataque para tudo e contra todos.Misanthropic lembra a fase Panzer Division Marduk do Marduk ao longo dos seus pouco mais de 2 minutos. A bateria eletrônica é bem gravada e faz o papel de metralhar o ouvinte. I Am the Darkness e Hail Messenger of Chaos mantêm essa pegada. Eu gostaria muito de ver uma banda completa fazendo esse som, e a surpresa maior foi revisitar a fase Black Metal do Sodom com In the Sign of Evil, e a versão faz muita justiça ao original.

03) Anatomy – The Witches of Dathomir (1999)

Aqui nós vamos dar uma volta no tempo e ver o que estava sendo produzido de Death Metal na Austrália no ano de 1999, e nos deparamos com o grande Anatomy. E eu não entendo muito por que essa banda não é gigante. A sua fusão com o Black Metal é muito rica e dá ao trabalho uma carga enegrecida de total vilipêndio a tudo que pode ser sacro.Sei que esse trabalho ganhou um relançamento em 2016, mas pelo meu apego emocional fiquei na obra original. E falando dela, eis que até hoje a abertura com Ambrosia Death cumpre seu papel de ser sinistra. Note que ela é acústica e agradável, e logo cede espaço para Suncrusher, que mostra como a fusão entre os estilos era aplicada aqui, mas claro, com o Black Metal sendo o centro, com um destaque especial para os vocais agoniantes que traspassam a faixa.                                                              A faixa título é uma das mais conhecidas, méritos também para a velocidade, uma máxima ao longo do trabalho, mas que condensa em partes mais lentas, dando um contraponto interessante, como ocorre em Just One More Nail e Far From the World of Blue, essa até mesmo com uma passagem mais, digamos, rock setentista, logo soterrada por blast beats. E, como sempre gosto de destacar nesse quadro, a faixa que vale o álbum aqui não poderia ser outra que não Cauldron Nebular.

04) Vanfrejd – I

As Ilhas Åland são um território próximo à Finlândia que não tem um grande expoente musical, com exceção do guitarrista Lars Eric Mattsson e o Vorum. Mas podemos colocar outro nome de destaque na playlist desse país: o Vanfrejd. Infelizmente, essa one man band encerrou as atividades, e como se dedica ao Black Metal e ao DSBM, não temos muitas informações acerca do projeto, só que lançou apenas um trabalho intitulado I (um). Mas se não temos muitas informações, por que estou dando o destaque aqui? Pois aí está, meus amigos: esse projeto consegue unir as influências do Black Metal com uma aura de miséria, dor e desespero que é extremamente convidativa para quem ama o estilo, como é o meu caso. As seis faixas passam por momentos do Black Metal tradicional, como Delirium, outros são uma ode à solidão, como Frustration, essa com uma pegada de Post-Black Metal que me cativou demais, e a valsa fúnebre Förakt. Procure conhecer essa grande melancolia.

05) Guttural Slug – Megalodon (2016)

O nome não deixa mentir: estamos à frente de um álbum de Slamming, e claro, a capa deixa tudo mais evidente. E eu adoro essa capa, por sinal. Mas voltando para o trabalho, Sirenens Kald é uma ótima abertura. O uso de sintetizadores parecia ser crescente, mas ficam mais na primeira parte, pois logo depois temos aquela cartilha do Slamming, com vocais pig squeal.  Paranormal Evisceration é uma das melhores faixas e mostra como a banda pode soar. Eye of the Cyclops tem um groove bem interessante e quase uma pegada eletrônica. Isso foi sensacional. Agora, dois erros imperdoáveis: o primeiro é a ausência de um baixo, e o segundo é a duração, apenas vinte minutos, o que deixa um gosto de "quero mais". Realmente eu quero. Vale a pena, até para quem não é muito fã do metal grilo do Slamming.