Sons Extremos: Vorum – A Podridão Finlandesa que Você Precisa Conhecer

Salve, headbangers. Em mais uma edição do nosso Sons Extremos, vamos analisar a obra de um dos nomes mais influentes e, ao mesmo tempo, obscuros da cena de Death Metal da Finlândia. Um nome que pode não ser muito conhecido por aqui, mas, para quem mergulha nos poços de lama do metal morte, com certeza sabe da importância do Vorum.

Formado em 2008, o Vorum possui uma discografia pequena: dois EPs, um split e um full length. Porém, todos os trabalhos são bem homogêneos e, o mais importante, todas são pedras de total sustentação para um fluido de Death Metal sueco misturado com as características do seu país de origem. Então espere aquelas melodias bem vigentes para o estilo, mas que se entrelaçam com passagens ora doom, ora mais próximas do Black Metal.

Inicialmente, a banda atendia pelo nome de Haudankaivaja, porém não encontrei registros desta fase inicial, apenas uma demo que já tinha muito da sonoridade que a banda apresentaria logo em sua nova encarnação. Isso vem com o primeiro EP, Grim Death Awaits, com pouco mais de vinte minutos espalhados em oito faixas que soam como uma única peça monolítica.

Intercalando passagens mais lentas, ótimas para criar um antagonismo com as partes mais brutas, algo que o Morbid Angel viria a explorar em seus trabalhos vindouros, os destaques vêm nas faixas Carved in Dead Flesh, Grim Death Awaits e em algo da escola Asphyx e Autopsy, com destaque para Through the Throats of Liars e Obscure Rites.

Em 2010, temos o split Profane Limbs of Ruinous Death, um material raro de dez minutos que une apenas uma faixa para cada banda. O Vorum divide o disco com o Vasaeleth. Enquanto os americanos bebem de uma fonte do Incantation, o Vorum vem com Evil Seed, mostrando que as duas bandas sabem fazer um Death Metal old school. O fato de terem dividido esse split mostra a aproximação sonora entre elas, mas eu fico com o Vorum, que no ano de 2013 lança o seu primeiro full length propriamente dito, Poisoned Void (que terá uma resenha só para ele aqui no site em breve). O fato da produção mais limpa pode ser uma surpresa para quem não conhece a banda, mas logo isso cai por terra com um Death Metal mid-tempo avassalador logo na entrada com Dance of Heresy. As passagens Black Metal estão presentes em Death Stains, assim como um ar atmosférico em Thriving Darkness e o belíssimo solo de Rabid Blood. Joatan Johansson é dono de um vocal muito forte, que consegue ir do negral do Behemoth para LG Petrov.

A discografia se encerra com Current Mouth. Uma pena, mas aqui a banda levou tudo para um nível acima. Já na abertura, vemos Angels Death, com tudo mais acelerado. O Death Metal é primitivo e bruto, as baterias trazem algo do Absu, ao mesmo tempo que os vocais estão mais desesperados. Triennal mantém essa pegada bestializada e apresenta algumas passagens meio eletrônicas, uma novidade no som da banda como um todo.

Nem pense em respirar, pois In Grime in Lust vem como um filho bastardo da máquina de guerra do Vorum. Aqui, dá aquela aura de Panzer Division Marduk, mas, ao mesmo tempo, o som intercala essas passagens com um brilhante trabalho de bateria. A faixa título mantém essa estética sufocante.

Hungry Wounds é a maior faixa do álbum e é extremamente caótica de maneira geral, já dando um indício do que seria o Concrete Winds, banda que os músicos do Vorum formaram com acento mais do Death e do Grind. Mas isso fica para uma outra resenha. Por agora, iremos ressaltar a genialidade do Vorum.