Resenha # 491l - Sealed Into None (2026) - Exxûl


Salve, headbangers. Na minha busca por lançamentos de 2026, me deparei muito com o nome Exxûl, apontado por muitos como um dos grandes discos do ano. Por minha total ignorância, a banda tinha passado despercebida no meu radar. E, convenhamos, o rótulo de "power doom black" (e mais alguns que ouvi na mídia) não soava nada atrativo. Porém, fui ouvir e, meus amigos, que álbum. Que viagem. Um mergulho na sonoridade desses canadenses, que realmente entregam essa amálgama em cinco faixas tão complexas que demorei um tempo para sintetizar essa resenha. Encontrem agora as minhas opiniões.

Previamente, um histórico: formada no ano 2000 com o nome Crestfallen, a banda transita para Exxûl em 2024, quando entra para suas fileiras o incrível vocalista Stargazer. Com seus dotes de Midnight do Crimson Glory com algo de Messiah Marcolin, ele casa perfeitamente com a sonoridade desse álbum incrível.

A introdução atmosférica Bells of the Exxûl é um amontoado de sintetizadores e, para mim, descartável, pois logo vamos para as próximas faixas. São poucas, apenas cinco, mas todas passam facilmente da casa dos oito minutos. Fazer isso mantendo a atenção do ouvinte é para poucos. Acredito que aqui está o segredo do Exxûl: o trabalho técnico de Defender nas guitarras, além da cozinha muito bem equilibrada de Sentinel e Etherial Hammer, fazem você não saber o que te espera ao longo da audição.

Argumentando o parágrafo acima: Blighted Deity tem algo de Candlemass na sua parte final, mas, antes de chegar ali, temos passagens power e os agudos de Stargazer são impressionantes. Walls of Endless Darkness explora esses elementos. Seu começo caminha para uma linha do Rhapsody, mas, para nossa surpresa, ela vai se abraçando ao heavy metal clássico. E que trabalho de guitarras, com aquelas cavalgadas tão clássicas ao estilo. Mérito também para a produção do álbum, que soube deixar tudo cristalino, mas ao mesmo tempo com uma aura mais orgânica.

Labyrinthine Fate é o momento épico do álbum. Aqui eu quero destacar um ponto que acredito ser de vital importância ao tratar deste álbum: ele merece algumas audições, pois os elementos estão espalhados e precisam ser captados. Por isso, não se espante se na primeira audição você quiser, por exemplo, que o vocal fosse mais contido ou a bateria mais à frente. Ao longo de outras passagens, você vai entender como as peças desse complexo quebra-cabeça foram pensadas.

The Screaming Tower é o final épico de uma narrativa. Aqui o eu lírico do vocalista nos pega pelas mãos e nos leva a uma jornada. Tive a mesma sensação quando ouvi Dante's Inferno, do Iced Earth, pela primeira vez. Ou seja, a construção de um universo sonoro único.

Não sei se coloco esse álbum na minha lista de melhores do ano, pois estou fazendo essa resenha no final de agosto. Mas a presença dele na lista, ainda mais se tratando de um full de estreia, não seria nenhum assombro.


TRACKLIST:

1.Bells of the Exxûl

2. Blighted Deity

3. Walls of Endless Darkness

4. Labyrinthine Fate

5. The Screaming Tower

FORMAÇÃO:
Stargazer – vocal
Defender – guitarras
Sentinel – baixo
Etherial Hammer – bateria
Spectre – sintetizadores

Produzido por Defender.
Mixado e masterizado por Andrew Lee.
Engenharia de som, design de som e pré-mixagem por Defender.
Bateria gravada por Vincent Pilon.Arte por Aaron Lawrance.