Resenha # 490 - Effigy of the Forgotten (1991) - Suffocation

Vou começar essa resenha já falando o que pode ser óbvio para alguns, mas não para todos. Afinal de contas, Effigy of the Forgotten é o pai do Brutal Death Metal. Para o bem ou para o mal, esse álbum não é apenas clássico, mas um divisor de águas.

Primeiramente, temos que falar do maldito ano de 1991. Além do foco da nossa resenha, tivemos Human, do Death; Necroticism, do Carcass; Unquestionable Presence, do Atheist; Butchered at Birth, do Cannibal Corpse; Testimony of the Ancients, do Pestilence; Like an Everflowing Stream, do Dismember; e Considered Dead, do Gorguts. A maioria tem resenha aqui. E um destaque: o Suffocation apresenta novos elementos para o Death Metal, unindo a técnica do Death e do Gorguts ao lado da podridão do Cannibal.

Vamos abrir o registro com uma faixa indispensável em todo setlist: Liege of Inveracity. Ela une o brutal slam com o toque da caixa "um, dois, três e morra", até uma passagem mais groove lá no meio da faixa, mostrando que não é só velocidade, e sim técnica e pegada.

Seeds of the Suffering ultrapassa os seis minutos, mas tem muito a dizer. Destaque para a bateria de Mike Smith. E se precisa de um trabalho para reverenciar Scott Burns, esse sem dúvida é um deles.

Porém, preciso começar um parágrafo novo para falar dos vocais. Frank Mullen é um pioneiro em fazer um vocal tão característico que você pode nunca ter ouvido Suffocation, mas logo irá reconhecer. Detalhe também é o fato de ter o encontro de dois dos meus vocalistas de Death Metal favoritos juntos: Mullen e Corpsegrinder (nesta época ainda no Monstrosity) nas faixas Reincremation e Mass Obliteration. E os elogios não param. Afinal de contas, criar um estilo é mérito para poucos, e o cenário slam não seria o mesmo se não houvesse faixas como Infecting the Crypts.

Terrance Hobbs e Doug Cerrito são uma dupla de guitarras que fatalmente nem sempre é lembrada, o que é injusto. Porém, pergunte para os músicos das cordas em Guttural Slug, Extermination Dismemberment, Party Cannon quem são suas fontes de inspiração, e perceba em sons como a pungente Involuntary Slaughter.

Para fechar o álbum, um grande clássico que, com perdão do trocadilho, faz Jesus chorar. Jesus Wept não é apenas um encerramento em grande estilo, mas também uma demonstração da sonoridade que o Suffocation iria construir na sua vitoriosa discografia.




TRACK LIST:

01- Liege of Inveracity
02- Effigy of the Forgotten
03 -Infecting the Crypts
04- Seeds of the Suffering
05- Habitual Infamy
06- Reincremation
07- Mass Obliteration
08- Involuntary Slaughter
09 - Jesus Wept


FORMAÇÃO:
Frank Mullen – Vocais;
Terrance Hobbs – Guitarra;
Doug Cerrito – Guitarra;
Josh Barohn – Baixo;
Mike Smith – Bateria.