Resenha # 489 - We, The Dead (2025) - HellLight 


Hoje se torna impossível pensar em Doom Metal e suas divisões no Brasil sem citar nomes como
The Cross, Ode Insone e, nos caminhos mais fúnebres, o Hellight. Com 30 anos de carreira e oito álbuns, podem muito bem dizer que superaram diversas barreiras dentro da dificílima cena extrema brasileira.

Após o excelente registro ao vivo "Live at Haunting the Castle Festival", temos um novo álbum de inéditas. Aqui, a confirmação da boa fase se faz presente. Começando já pela belíssima capa, imersiva, que conversa diretamente com os primeiros acordes de Echoes of Eon. A forma como a sonoridade vai dando passos firmes ao desfiladeiro é complexa e precisa ser ouvida com atenção às minúcias. Soma-se a isso uma produção muito cristalina, que permite ao ouvinte captar as variações tensionadas dos vocais e a melancolia que o estilo tanto pede.
As variações de vocais são impressionantes, indo de um aspecto a outro: do mais gutural ao rasgado, e até mais limpos. E, pasmem, tudo isso casa perfeitamente com a ambientação sonora. A melhor forma de demonstrar isso é As a Fading Sun We Lie.
Desperate Cry mergulha na raiva e na amargura, me trazendo à mente o November's Doom pela estrutura e pelo fato de passar ao ouvinte a angústia, o luto e a raiva — estágio marcante e necessário para chegar às respostas das perguntas mais existenciais. Fazendo um contraponto com esse lado mais agressivo, a faixa título é belíssima: um interlúdio e, ao mesmo tempo, uma narrativa emotiva que serve para um dos momentos mais melancólicos de todo o registro. As Daylight Fades tem a participação especial de Heike Langhans, ex-vocalista do Draconian. É impossível não notar as influências do Draconian e, por isso mesmo, esse lado mais Gothic Metal soa bem na sonoridade do Hellight. Destaque para um solo fenomenal.

Obsolete Dreams é uma súplica, um pedido de socorro para uma alma caída. Pedido esse que foi negado. Me lembrou, em alguns momentos, o grande Imago Mortis. Para fechar essa obra, The Last March, uma marcha fúnebre final que marca tudo que esse álbum tem a entregar: a amargura, a dor e a tristeza, aliadas ao desprezo por continuar uma vida que não pedimos, mas sentimos suas marcas.

TRACK LIST:

01) Echoes of Eon
02) As a Fading Sun We Lie
03) Desperate Cry
04) We, the Dead (Interlude)
05) As Daylight Fades (part. Heike Langhans)
06) Obsolete Dreams
07) The Last March

FORMAÇÃO

Alexandre Vida - Baixo
Fábio de Paula Guitarras, vocais, teclados
Renan Bianchi - bateria

Lembrando o Helllight estará presente no Sc Metal Winter com coberuta do site Underground Extremo