Albuns Marcantes #57: "Symbolic" (1995) - Death

Turnê de Death to All pelo Brasil, agora em janeiro de 2026 em comemoração aos 30 anos do "Symbolic"
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Salve, headbangers! Sabe aquela pergunta clássica e extremamente boba: "Que álbum você levaria para uma ilha deserta?" (mesmo sem saber onde ouviria o dito-cujo do álbum). Pois bem, há 30 anos a minha resposta é a mesma: "Symbolic". Esse registro é, na minha opinião (minha, entendeu?), o melhor álbum de death metal gravado até hoje. E não estou falando de música como ranking, mas ele é irretocável: desde a sua composição, toda a trajetória que leva até ele – o passado e o futuro da música extrema – passam por esse álbum.
Hoje sabemos que esse era para ser o álbum definitivo do Death e, com esse ímpeto, tudo culminaria para que ele fosse visto como o melhor trabalho composto até ali. O contrato com a Roadrunner deu o tempo de ensaio e as condições para isso, e o resultado vem em um álbum que não possui nenhuma faixa abaixo da média. Além da formação da banda que acompanha Chuck Schuldiner – motivo pelo qual ele era visto como uma personalidade difícil, mas que eu defendo como um artista que queria o máximo do seu potencial, e isso não pode ser julgado como ruim, sem sombra de dúvida.
Bobby Koelble (guitarras), Kelly Conlon (baixo) e Gene Hoglan (bateria) foram exigidos ao máximo, mas aqui os fins realmente justificam os meios. Antes de chegar na parte musical em si, quero destacar a capa feita por René Miville, que entrega a terceira arte para o Death, e sempre achei ela um espelhamento do que "Individual Thought Patterns" representa, tanto nas partes estéticas quanto musicais.
O trabalho abre com uma das músicas mais reconhecidas da banda. Seu riff inicial é hipnótico e, aqui, já observamos Chuck utilizando outra linha de vocais, mais polida, na verdade declamada. É possível ver que ela altera da raiva à indignação por meio da sua performance vocal. Outra observação que já vem desde a abertura são as quebras de andamento e as influências vindas da inspiração jazzística e, claro, um monstro incontrolável na bateria.
Zero Tolerance leva o ouvinte a um labirinto musical extremamente complexo, mas sem perder a agressividade – algo que muitas bandas tentam copiar, mas fracassam. Existe uma linha tênue entre a brutalidade técnica e o simples exibicionismo, e, se for para apontar uma música que é a afirmação disso, eu elegeria Zero Tolerance e Empty Words.
Kelly Conlon tinha uma dura missão de substituir ninguém menos que Steve DiGiorgio, e ele faz isso com uma sutileza de fazer o baixo soar orgânico e preciso. Por isso, a abertura de Sacred Serenity já nos fisga, e o andamento desse som engana o ouvinte, pois parece constante até o momento em que, a partir dos seus dois minutos, temos mais passagens de guitarras deslumbrantes e um interlúdio que só acentua as partes mais brutas.
Ao conferir toda a discografia do Death (algo que faço com frequência e sugiro ao nosso leitor que faça o mesmo), podemos encontrar elementos que já faziam parte da sua obra, como em 1000 Eyes e Misanthrope, com suas passagens vindas do thrash, e mesmo por meio da sujeira das guitarras. E o encontro de dois espíritos – do mais bruto ao melódico – se faz presente com Without Judgment.
O que falar que ainda não foi dito de Crystal Mountain? É curioso dizer que estamos falando de uma música que se tornou um hino dentro do death metal. O equilíbrio quase inatingível entre as passagens acústicas e elétricas, a beleza, a forma como cada passagem da música é um ambiente novo a ser explorado – sensação essa que acompanha a faixa até o final.
Perennial Quest encerra o trabalho com um toque de melancolia, indo de passagens marcadas pela extremidade para algo, a certo ponto, confessional. Algo que apenas uma alma genuína e apaixonada pela música poderia nos entregar. Simplesmente o simbolismo da arte apresentado pelo saudoso Chuck Schuldiner.
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TRACKLIST: 
1) Symbolic
2) Zero Tolerance
3) Empty Words
4) Sacred Serenity
5) 1,000 Eyes
6) Without Judgement
7) Crystal Mountain
8) Misanthrope
9) Perennial Quest
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FORMAÇÃO:
Chuck Schuldiner (R.I.P. 2001) - guitarras e vocais;
Bobby Koelble - guitarras;
Kelly Conlon - baixo;
Gene Hoglan - bateria.
Vale relembrar que agora, em 2026, nós, fãs brasileiros, somos agraciados com o Death To All, levando essa data de três décadas e meia para os palcos brasileiros. O projeto, que tem como objetivo manter vivo o legado de Chuck, vem desde 2012 honrando a obra do Death. Nessa turnê, a formação conta com o baterista Gene Hoglan (Dark Angel, ex-Testament), o baixista Steve DiGiorgio (Testament) e o guitarrista Bobby Koelble. O vocalista e guitarrista é Max Phelps (Exist, ex-Cynic). Além do já citado "Spiritual Healing" (1990), o outro álbum reverenciado é "Symbolic" ao qual essa resenha se dedicou.
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