Resenha #416: "DEATHinitive Love AtmosFEAR" (2024) - Tellus Terror

Caro leitor! Pense onde você estava há exatamente dez anos atrás, provavelmente você mudou bastante, certo? Então é bem plausível de dizer que uma banda possa mudar durante esse período de uma década, digo isso porque é possível traçar um grande número de diferenças entre o debut dos cariocas do Tellus Terror, “EZ Life DV8” para agora o full "DEATHinitive Love AtmosFEAR".
Uma coisa tem que ser dita logo de cara, sobre a capacidade única deles de fundir elementos que continua intocável, só que aqui eles optaram por seguir uma veia mais próxima do melodic black metal, por exemplo, mas esse rótulo é bem limitador para a sonoridade que a banda apresenta.
Amborella’s Child se inicia com um som cadenciado/macabro de teclado e logo cede espaço para os vocais de Felipe Borges que é impossível, para muitos e eu me incluo, não rememorar Dani Filth dos primórdios do Cradle of Filth, onde a banda estava na sua melhor fase, mas rememorar não quer dizer copiar, por isso, esse som tem toques modernos que vão retomando ao longo do registro, algo construído com muito esmero para que todos os instrumentos sejam captados assim como a mensagem ali repassada, com destaque para os teclados, responsáveis pela morbidez que é outro elemento de intersecção entre as músicas.
Abwsolute Zero é a música perfeita para demonstrar o que eu falei no começo dessa resenha acerca de inovação, pois ela começa bem fiel ao black metal e vai, ao longo da faixa, incorporando outros elementos e mais uma vez o instrumental complexo e os vocais são um achado, do gutural ao mais infernal possível e com uma naturalidade assustadora, e todos esses elementos voltam em Darkest Rubicon e em um interlúdio de melodia na faixa muito bem vindo.
Agora se é para deixar o true from hell nervoso de vez, vamos com Psyclone Darxide que já era um single anterior ao trabalho ser lançado e já deixava a dúvida do que eles estavam tramando! Só para ter uma ideia, pega aquela época eletrônica do Rotting Christ para ter uma referência. Shattered Murano Heart é uma das minhas favoritas, ela tem um aspecto que segue como se fossem duas entidades duelando, o conceito que a capa e a temática do álbum exploram, como você pode observar na nossa entrevista no Fanzine #002 (acesse aqui) e essa quebra da expectativa é algo que o álbum sabe explorar muito bem, por isso não estranhe as passagens góticas de Empty Nails e a pompa ora melodia ora absurda e pesada da faixa título e eu encerro essa resenha perguntando para nosso leitor, quantas bandas na atualidade conseguem passear por tantos caminhos assim e não se perdem na jornada?
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TRACKLIST:
1) Amborella's Child
2) Absolute Zero
3) Darkest Rubicon
4) Psyclone Darxide
5) Cry Me a River
6) Shattered Murano Heart
7) Abyssphere
8) Brain Technology, Pt.2 (...and Humanity Have Feelings No More...)
9) Sickroom Bed
10) Deathinitive Love Atmosfear
11) Lone Sky Universum
12) Empty Nails
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FORMAÇÃO:
Felipe Borges - vocais;
Rafael Lobato - bateria;
Ramon Montenegro - teclado;
Leandro Pinheiro - guitarras;
Marcelo Val - baixo;
Lucas Bittencourt - guitarras.