Resenha #363: "Grey" (2023) - Unguilty

Salve Headbangers! Nós aqui no Underground Extremo sempre defendemos que o DSBM é um dos estilos mais extremos dentro de tudo que tange o Heavy Metal e explico que isso não se estende apenas a parte sonora, e sim, também à temática e diria até à atmosfera que esse estilo carrega, amargura, decepção, dor e solidão são alguns dos terrenos frutíferos que as bandas exploram com total supremacia.
No Brasil, temos um celeiro de grandes nomes e como fã, sempre destaquei Lamúria Abissal, Lado Esquerdo Vazio e o Unguilty como alguns dos meus favoritos. Esse último, lançou em 2023 seu terceiro full, "Gray", um ode às sombras e ao mundo monocromático que vivemos.
A missão do Unguilty se inicia no ano de 2018 e nesse trabalho podemos ver uma escalada na sua forma de entregar uma música triste e muito tocante. Meu papel de fã chato pode falar que uma produção melhor permitirá ver mais detalhes da obra, mas sabendo da realidade do nosso underground não deixo que isso tire algum brilho da obra, brilho esse que é lançado por frias camadas de melodia e vocais que são mais urrados do que chorados (um grande diferencial no estilo).
Esse não é um trabalho para o fã de música comum. Não espere ouvir ele como som ambiente, pois aí estará desrespeitando o intuito da obra que te pega pela mão e te convida a adentrar na caverna escura que é a nossa existência, por isso todas as faixas têm algo de um 'slow burning'... Mas a viagem será recompensadora!
Essa sensação já fica nítida na abertura com Awake With The Midnight Sun, e criando um excelente contraponto The Abyss And The Pendulum é uma faixa bem fiel ao black metal tanto que recomendo para quem tem barreiras com o DSBM. 
Gray e Coexistence contemplam a escuridão de nossa alma ao mesmo tempo que apresentam riffs hipnóticos que se propagam por todo o som, o uso de violão deixa tudo com aquela vibe de desolação. Note como outros elementos vão se fundindo à sonoridade em Hill House e Rest que tem algo próximo de shoegaze.
O trabalho vai chegando ao fim e nos apresenta uma trilogia que eu observei como um único ato, uma poesia declamada que carrega dor em cada palavra e ao final com New Meaning é nos dito que a única salvação possível vem de cada um de nós e por isso é preciso continuar. E ser o portador dessa mensagem é o grande múnus do Unguilty.
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TRACKLIST:
1) Awake With The Midnight Sun
2) The Abyss And The Pendulum
3) Coexistence 
4) Gray 
5) Hill House
6) Rest 
7) I - The Garden Of My Suicide 
8) II - After My Suicide (The Lost Land) 
9) III - New Meaning
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FORMAÇÃO:
F.R. - vocal e todos os instrumentos.