Resenha #343: "Menschenmühle" (2021) - Kanonenfieber

Salve Headbangers! Sabe aquela impressão de ouvir uma banda e torcer muito para que ela não te decepcione? Pois foi isso que aconteceu quando eu tive contato com a obra do Kanonenfieber, e claro, todos os elementos pesaram para criar essa sensação inicial, pois trata-se de uma one man band que vem da Alemanha e pratica um black death metal com temática bélica, mas depois de uma pesquisa e de conferir as letras traduzidas, foi possível analisar que eles se baseiam em relatos e fatos da primeira guerra sem alusões e hinos de adoração ao nazismo, ainda bem!
Passado o susto inicial, eis que a guerra das trincheiras foi um dos conflitos mais brutais da humanidade e essa brutalidade se apresenta aqui com uma sonoridade que une passagens do black metal com death metal melódico só que esse melodia aqui vai muito mais para as raias da melancolia.
O trabalho se inicia com uma fala de Erich Ludendorff, um dos generais alemães da primeira guerra, Die Feuertaufe logo da espaço para um absurdo de som, temos aqui black metal com aquele toque moderno, uma mistura entre o Marduk com algo de Vintesorg, note como ela é rápida quando precisa e ao mesmo tempo que sabe bem reduzir a velocidade, os vocais transmitem uma noção de desespero, por isso méritos a Noise que é responsável por, além de todos os instrumentos, também reproduzir os vocais.
Na sequência, Dicke Bertha se refere aos canhões 'Big Bertha' e por isso mesmo que ela começa com o som dos mesmos, aqui já fica evidente o que eu disse sobre os toques mais melancólicos da sonoridade desse álbum, fãs de Amon Amath podem curtir, principalmente os vocais dessa faixa, o fato de o Kanonenfieber cantar em alemão deixa tudo mais ríspido como podemos perceber em Die Schlacht bei Tannenberg e aqui, o toque da caixa da bateria da aquela atmosfera bélica tão perfeita ao som!
Der Letzte Flug e Grabenlieder tem estruturas parecidas com uma entrada mais apoteótica e quando o som acelera, ele realmente nos entrega algo de qualidade. Algumas resenhas alegaram que o vocal de Noise poderia ser mais variado e realmente da essa impressão no álbum, mas eu particularmente acredito que essa é mais uma escolha estética do que uma limitação.
Grabenkampf vem trazendo aquela sensação de terra arrasada depois de um bombardeio eu, invés de uma narração, teria colocado um vocal limpo, mas vale destacar que essas passagens dão para o álbum uma impressão de um documentário. Falando ainda nessas passagens de vocalizações, que grande surpresa foi Ins Niemandsland, ela tem um toque de modernidade que mostra um caminho que não tinha sido explorado ainda e ficou muito bom e ouça também Verscharrt und Ungerühmt que é surpreendente e um encerramento épico e até mesmo catártico.
O nome Kanonenfieber vem ganhando força na cena europeia, então não se assuste se a banda começar a criar uma verdadeira tropa de fãs aqui no Brasil e nesse exército eu me incluo!
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TRACKLIST:
1) Die Feuertaufe
2) Dicke Bertha
3) Die Schlacht bei Tannenberg
4) Der letzte Flug
5) Grabenlieder
6) Grabenkampf 
7) Ins Niemandsland 
8) Unterstandsangst
9) Verscharrt und ungerühmt
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FORMAÇÃO:
Noise - todos os instrumentos e vocais.