Resenha #340: (Dia das Crianças) "Seringas Compartilhadas Vol. 2 (Concertos para Fagote Solo, em Sí Bemol)" (2003) - UDR

Salve Headbangers e crianças de todo o Brasil! Como hoje é uma data especial, porque não homenagear uma banda super indicada para trazer os pequenos para o lado bom do satanismo, a UDR e o seu primeiro trabalho com alguns maiores hits da música brasileira, "Seringas Compartilhadas Vol. 2 (Concertos para Fagote Solo, em Sí Bemol)".
Essa resenha, assim como a obra do UDR, exige um pouco de interpretação e senso crítico, então esteja avisado.
Responsável por criar um gênero novo chamado de Funk Satanista ou Rap Gorefuck, na verdade é difícil ao longo da discografia da UDR identificar todas as vertentes que eles visitam, em um mesmo som você vai ser invadido por batidas eletrônicas, vocais rasgados, rimas inusitadas, passagens em alemão e tudo o que eles simplesmente acharem que ficou bom!
Ano de 2003, o maldito solo de Minas Gerais que nos revelou grandes nomes como Sarcófago, Sepultura, Drowned, entre outras, preparava mais um atentado a moralidade, dois jovens com menos de 18 anos, decidiram dar vazão a suas ideias musicais que uniam humor ácido e uma vontade de chocar, isso já vinha desde a escolha do nome onde, antes de chegar no consolidado UDR, foram cogitados Anal Creation, BTK e Nine Inch Snails.
Foi assim que MS Barney, Professor Aquaplay e MC Carvão, diz a lenda que se conheceram em chat de namoro evangélico da Uol, formaram os seus primeiros hits, como A Dança do Pentagrama Invertido e Bonde da Orgia de Travecos. Para quem não conhece a banda, pode pensar que ela se trata daquela leva de filhos do Mamonas Assassinas que faziam música boba e engraçadinha, mas consigo perceber diferenças, a ordem principal aqui é a subversão, a aversão e o escárnio, o choque pelo choque, tão pouco, na verdade, levando o humor para o absurdo para passar uma mensagem.
Um exemplo para provar meu argumento, UDR pode ser uma sigla para União Democrata Ruralista, que foi uma das representações políticas mais conservadoras na questão de terras, um dos principais entraves de uma reforma agrária no país. Mesmo com toda essa postura, fato é que a UDR recebeu alguns processos até encerrar as suas atividades, mas a obra fica, então hoje vamos falar do seu debut!
Bonde da Depressão - ... [Dentro da minha alma apodrece a cada dia nessa triste estrada chamada agonia], com passagens que deixaria o Lamúria Abissal orgulhoso e a citação clara que quando a coisa pega se apela para o Alice in Chains, refrão grudento que ficará na sua cabeça por dias!
[Funkeiro bom é funkeiro são frio], essa é a mensagem de Bonde da Mutilação, coloquei essa na sequência, pois vejo como uma continuação direta da primeira! Bonde de Jesus é uma metralhadora para todas as religiões, de Satã a Buda, de Shiiva ao Alcorão, nada passa sem ser ofendido, e essa trinca fica ainda mais completa com Dança do Pentagrama Invertido que tem um vídeo desse som em algum programa da MTV que mostra a escrotidão da banda ao vivo e com o Evangelho Segundo Serguei onde temos uma bela homenagem ao músico e uma crítica as tradicionais missas católicas.
Bonde da Orgia de Travecos é aquela que fez a UDR ser conhecida e será que a ideia de Wanderlei foi tão errada? O lado romântico da banda aflora ainda mais com o Bonde do Amor Incondicional, e claro, aquela que fez um dos primeiros de muitos processos que a banda sofreu, Bonde do Aleijado e mau sabiam eles que pior do que processos seriam as parodias mal feitas que eles inspiraram como Vômito Podraço, o som que inspirou uma bandinha cópia do desprezível também 'Carne e Sal'.
Encerro esse texto citando UDR logicamente:
"Ser melhor que a gente vocês não podem, nós somos tipo Ulver, vocês são pagode".
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TRACKLIST:
1) O Evangelho Segundo Serguei
2) Bonde de Jesus
3) Dança do Pentagrama Invertido
4) Bonde da Mutilação
5) Bonde da Depressão
6) Vômito Podraço
7) Bonde do Amor Incondicional
8) Bonde da Orgia de Travecos
9) Bonde do Aleijado
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FORMAÇÃO:
MS Barney
Professor Aquaplay
MC Carvão