Resenha #316: "Power and Pain" (1986) - Whiplash

Salve Headbangers! Impossível qualquer lista que venha falar de thrash metal e não reverenciar o Whiplash, responsável por criar um thrash metal com altos toques de speed metal e principalmente agressividade que é um dos eixos que sustentam o estilo.
Vindo da região de Nova Jersey, conhecida por lançar bandas com um estilo muito próprio dentro do metal, o power trio Whiplash bebe de fontes como Exciter e Hallow's Eve, com influências vindas do heavy metal, como o Judas Priest e o Nasty Savage. Porém, ouvidos mais atentos podem perceber uma dose de hardcore/punk, principalmente no quesito velocidade e no meio de toda essa salada musical, eles formam um som único.
Na sua estreia "Power and Pain"  mostrava o porque o Whiplash vinha sendo tão bem visto, pois as três demos que antecederam esse trabalho, "Fire Away" (1984), "Thunderstruk" (1984) e "Looking Death in the Face" (1985) já davam uma prévia e vale dizer que as músicas dessa última, estão bem presentes nesse full e por tabela, devem estar em qualquer lista que se preze que tenha a pretensão de reverenciar o thrash metal.
Stage Dive abre o trabalho com os três Tonys mostrando uma técnica absurda, o vocalista e guitarrista Tony Portaro me impressiona demais como ele conseguia cantar e tocar ao mesmo tempo de maneira tão impulsiva, o baixista Tony Bono faz ao lado de Tony Scaglione uma das cozinhas mais eficientes do thrash metal, direta e com passagens que remetem até mesmo ao progressivo,  tamanha a complexidade, ouça Red Bomb, com adendo da letra que também é muito forte.
A imagem da capa já está acontecendo com você e a banda não vai tirar o pé do acelerador, pois temos muito mais clássicos pela frente!  Last Man Alive com uma pegada rápida nos vocais, na melhor escola Tom Araya. Message In Blood tem um pouco da pegada da escola europeia, pense: se o Kreator fosse mais técnico na época do "Pleassure To Kill" ele teria a pegada desse som! Repare como todos os sons citados até aqui são atemporais, o ano de 1985 foi abençoado para a música extrema.
O riff de War Monger desafia os guitarristas thrashers até hoje, o refrão dessa música é maravilhoso, quase punk, e Power Thrashing Death é um som que define toda a filosofia da banda, basta conferir uma parte que diz:
"Não há nenhuma lição a aprender se levantar, entrar no show/
O poder de satisfazer aqueles que reagem a alta velocidade".
Ouça Stirring The Cauldron e descubra porque muitas bandas de speed black metal como o Nocturnal, o Knife e o Evilcult reverenciam o Whiplash até hoje e o trabalho vem chegando ao seu fim sem tirar o pé do acelerador em nenhum momento. Spit on Your Grave é uma demonstração de força de maneira cavalar e para encerrar um trabalho como começou, sem respiro para o ouvinte, Nailed to The Cross. Ainda não conheci uma banda que tenha uma música ruim com esse nome, vide o Destruction que tem uma outra paulada com esse nome.
Um clássico absoluto e como gosto de dizer, tem bandas que o fato de não serem lembradas é uma pura heresia e pode, sem dúvida, colocar o Whiplash nessa lista.

TRACKLIST:
1) Stage Dive
2) Red Bomb
3) Last Man Alive
4) Message In Blood
5) War Monger
6) Power Thrashing Death
7) Stirring The Cauldron
8) Spit on Your Grave
9) Nailed to The Cross

FORMAÇÃO:
Tony Portaro - vocais e guitarras;
Tony Bono (R.I.P. 2002) - baixo;
Tony Scaglione - bateria.