Cobertura de Eventos #43: "Cangaço Rock Fest 9ª Edição" (24 - 26/03/23)

   Salve, salve homo metalis!
   A cobertura de hoje foi lá no nordeste, no meu quintal, André (Barros), foi lá no Pernambuco, na cidade de Serra Talhada, onde aconteceu a 9ª edição do Cangaço Rock Fest, festival local que mescla rock regional, metal e cultura popular.
    O evento estava um pouco parado devido à pandemia e essa foi a primeira edição presencial do pós pandemia, repaginado e com um cast dividido em três dias de evento, fato inédito até então, outra surpresa foi o 3º dia acontecer em um sítio.


   Mas vamos lá!
   O primeiro dia contou com as atrações: Kanime, Radiola Serra Alta, Doppamina e Alkymenia.
   Abrir o festival ficou por conta da banda Kanime, vinda da cidade de Petrolina apresentou seu groove metal com pitadas regionais, deixando o metal moderno com um peso incrível, os caras subiram ao palco desconhecidos por muitos presentes e logo contagiaram a galera, destaques para as linhas de baixo e a presença de palco do baixista, mas não podemos deixar de citar que a banda no todo é de excelente qualidade, apresentaram um show enérgico e poderoso, levando a galera ao êxtase com os covers de Sepultura e Gojira, que por sinal de tamanha maestria na execução.  

    Logo em seguida subiu ao palco a Doppamina, banda anfitriã apresentando um hardcore cru, som já conhecido pelo público local, o trio serra talhadense trouxe seu HC autoral e um plus com alguns covers, o que fez a galera agitar. 

    A terceira atração foi a Radiola Serra Alta, banda que apresenta um eletrococo moderno, mesclando música regional, com eletrônica, resultando em uma sonoridade psicodélica, o que deu uma cara multicultural ao festival, som também já conhecido pelo público local, a R.S.A é figurinha carimbada nos festivais multiculturais da região, vale lembrar que a galera já levou a cultura pernambucana para as demais regiões do país e Europa.
  A última atração da primeira noite ficou por conta do trio de Thrash/Death Metal, Alkymenia, o nosso Krisiun do agreste, da cidade de Caruaru. Os caras tem aí uma boa rodagem pela Europa, já foram por algumas vezes citados pelo Andreas Kisser, no programa nas "Pegadas de Andreas Kisser" e chegaram com o show da tour de lançamento do "Meeting Before The Death" e fizeram um show destruidor, Dênis detonando na bateria, Sandro com uma guitarra extremamente nervosa e Lalo com seu baixo avassalador e uma presença de palco fodástica, fecharam a primeira noite de festival com chave de ouro, ou seria chave de metal extremo.

    A segunda noite veio recheada de atrações, do rock ao metal, passando pelo hardcore.
  A primeira atração foi Jay Ferrí, uma cantora da cidade de Salgueiro/Pernambuco, que acompanhada de sua banda, faz um rock autoral em um estilo que flerta com o indie, o pop rock e até com o post-punk, o que trouxe uma leveza ao início da noite.
   Logo em seguida, Dani Carmesim chega com seu rock autoral, com força e protesto, com letras fortes e toda sua representatividade ela trouxe todo o poder do que ela mesmo chamou no palco de rock preto, e particularmente isso me fez ver que cada vez mais, as mulheres são destaques no cenário do rock/metal, e com som forte e necessário.
    A terceira banda da noite foi Saga HC, e mano, que hardcore nervoso é esse desses caras, é de um peso incrível, com letras de protesto, e que flerta muito com o thrash metal, o que deixa o som incrivelmente maravilhoso, foi um show enérgico do início ao fim, levou a galera ao mosh e cada música bateu nos ouvidos do público como um verdadeiro murro de direita que te leva ao nocaute, a única coisa que tenho a dizer é que Saga HC é foda demais.

    Logo após a grande atração do evento, completando aí seus 30 anos de carreira, a Devotos sobe ao palco para destilar seu ódio social com seu hardcore cru e certeiro, com letras que combinam com a realidade da grande massa nacional, a banda fez até os mais reprimidos dos ali presentes, cantarem ou irem ao mosh que se formou.
   A penúltima banda foi a Plugins, apresentando um metal moderno que mescla o rap com música pesada, veio com uma energia bem contagiante que levantou o público, principalmente aqueles mais fãs do chamado new metal, o mosh foi pesado.

    Fechando a noite tivemos a United For Distortion, com seu thrash metal mais atual, veio com peso agitando todos, que mesmo no final da noite não paravam de abrir mosh, e com uma apresentação nervosa a U4D fez o público ficar até o final do evento e ainda sentir aquele gostinho de quero mais, pois já se passava das 2 da madrugada e depois de um thrash metal nervoso a galera estava enérgica, podemos dizer que a banda foi cirúrgica em sua apresentação, mostrando que Pernambuco está muito bem representado no metal.
    O terceiro dia ainda contou com a apresentação da Janete Saiu Para Beber, um rock bem autoral, que flerta ali com o punk, coco e rap, fizeram uma apresentação no sítio "Passagem das Pedras", local onde nasceu o Virgulino Ferreira da Silva – O Lampião, o que deu um clima bem diferenciado ao festival, ficou um lance que eu chamei de o 'Woodstock do Sertão'.
    Antes de finalizar, vale destacar as presenças e palestras do Paulo André – idealizador e produtor do Abril Pro Rock, falando sobre histórias de um motorista de turnê e do Cannibal - Vocalista da banda Devotos, falando sobre a arte como fator de mudança sociocultural.

    E assim foi a 9ª edição do Cangaço Rock Fest, que venha 2024 e que a 10ª edição seja tão boa quanto!