Resenha #293: "Satyricon" (2013) - Satyricon

     Salve Headbangers! Têm álbuns que quando são lançados ganham um status de serem fracos ou ganham até pontos baixos na discografias, alguns deles mantém esse rótulo por anos e servem mesmo para a banda se reerguer no futuro, outros amadurecem com tempo e merecem uma segunda chance, com esse intúito, hoje vou escrever sobre um dos pontos polêmicos da discografia do Satyricon, seu álbum auto intitulado.


    Claro que a banda tem trabalhos muito superiores que esse como o irreparável "Dark Medieval Times" (1993), mas saindo da sua zona de conforto, os noruegueses miraram no metal progressivo, porém sem perder a agressividade do Black Metal, algo que eles têm latente em seu DNA, e penso também que esse trabalho é muito superior a fase black and roll que vários nomes da cena tinham adotado, inclusive eles.
        A abertura aqui com Voice Of Shadows é um recado do que virá pela frente, uma linha de guitarras melódica e uma bateria totalmente marcial. Tro Og Kraft faz uma ponte perfeita entre esses elementos, note que se você tirar os vocais teríamos uma banda mais próxima do Fates Warning do que do Bathory.
     Our World, It Rumbles Tonight foi escolhida como um dos primeiros singles e desse registro, e a escolha é óbvia, pois ela mantém o ritmo do metal negro, com destaque para o trabalho de bateria de Frost que consegue ir dos andamentos mais lentos para totais blast beats, algo muito bem feito. Nocturnal Flare é aquela que olha mais para o passado e poderia estar em trabalhos antigos da banda, mas aqui temos um destaque bem interessante, o fato deles usarem instrumentos analógicos deixa tudo com uma aura bem interessante.


       Se o trabalho não causou surpresa para você até aqui, então prepare-se para Phoenix, onde Satyr dá espaço nos vocais para Sivert Høyem, e que voz! Ela te guia para toda a proposta, é algo muito bonito dentro de um trabalho que, reafirmo, é de metal extremo e essa música com orquestra fica ainda mais épica.
       Sabiamente, para evitar que o fã mais true jogue o disco pela janela,  Walker Upon The Wind e Nekrohaven são faixas típicas do Satyricon e curiosamente me soam distantes da proposta até aqui apresentada. E chegando ao final, temos mais um momento épico com The Infinity of Time and Space e Natt que encerra esse registro como se fosse o final de uma epopeia heroica.
        Entendo totalmente quem é contra esse capítulo da discografia do Satyricon, mas o Black Metal sempre foi contra regras e dessa vez não foi diferente.

TRACKLIST:
1) Voice of Shadows 
2) Tro og Kraft
3) Our World, It Rumbles Tonight
4) Nocturnal Flare
5) Phoenix 
6) Walker Upon the Wind
7) Nekrohaven
8) Ageless Northern Spirit
9) The Infinity of Time and Space
10) Natt

FORMAÇÃO:
Satyr - vocais, guitarras, baixo, teclados, percução;
Frost - bateria.