Resenha #264: "Resonance" (2021) - Felipe Andreoli

    Salve Headbangers! Quando pensamos em instrumentistas virtuosos, dificilmente o nome do Felipe Andreoli não será lembrado, o músico que surgiu como uma revelação no conturbado momento do Angra foi, a cada álbum, mostrando sua versatilidade e sendo um músico insubstituível, seja no Angra ou nos diversos projetos que se envolveu, porém faltava algo que levasse seu nome, bem, faltava, pois em 2021 essa lacuna foi preenchida e se você lê, pode pensar, - "puta merda, álbum solo de baixista deve ser meio chato!" Aí eu atrevo-me a dizer que estais totalmente equivocado, pois sim, se fosse de um músico medíocre, realmente um álbum de qualquer instrumento tem total chance de ser um porre, mas quando temos envolvidos profissionais acima da média, a chance de acerto é altíssima!


    E esses acertos já começam na masterização que ficou a cargo de Brendan Duffey que fez álbuns do Almah, que é a melhor coisa que saiu do Universo Angra, e mais legal ainda é saber que ocorreu um financiamento coletivo para produção do trabalho, já a capa foi feita por Gustavo Sazes, ou seja, tudo conspira à favor!
    Abrindo o trabalho, a música escolhida para ser o single, Driven é uma ótima escolha e vai alegrar todos os fãs, desde aqueles que procuram um groove com feeling até aqueles que, assim como eu, vão pensar como que esse cara faz isso.
    Um músico como Andreoli tem a manha de chamar um time de músicos acima da média para gravar com ele, então ao longo das faixas eu vou comentar os convidados e aí, não tem como não pensar que, é muito importante para o metal nacional ter um músico tão conceituado como é o caso aqui.


    A faixa título tem um começo grandioso, criando um aspecto cinematográfico para a música, note como ela vem numa crescente bem interessante e nos seus cinco minutos tem espaço para todos brilharem o que é uma ótima qualidade desse trabalho como pode conferir também em Chaos Theory que, como o nome já entrega, é uma belíssima música prog.
    Fã confesso de Hard Rock, Andreoli tem a genialidade de chamar na música Thorn In Our Side simplesmente, Simon Phillips, baterista que tem uma pegada de feeling e blues muito evidente e Dino Jelusick do Whitesnake e o resultado é algo próximo de um hard rock prog que me remeteu ao Firehouse ainda mais pela pegada do baixo e o senhor Jelusick canta que é uma barbaridade.
    Nota a Day Goes By tem um começo que remete muito as baladas do Angra, notei algumas similaridades desse som com o trabalho executado no "Temple of Shadown", não a toa um dos melhores trabalhos da sua banda.
    Falando em Angra, o ex companheiro de banda aparece aqui em Sagan, uma justa homenagem a uma das mentes mais brilhantes desse planeta e o som é aquela simbiose que tanto Kiko como Andreolli desenvolveram no tempo juntos de Angra, me lembrei muito daquele bônus do DVD "Rebirth World Tour Live In São Paulo", onde os dois 'duelam' e ali o jovem baixista já impressionava.
    O trabalho ainda nos reserva grandes demonstrações de virtuose como em Metaverse, onde o feat é feito com Virgil Donati e Andre Nieri e em Neutron Star com Brett Garsed do grande Planet X. Seria fácil um trabalho desse soar cansativo, mas tendo um músico da humildade e talento de Andreoli, esse registro é de obrigatória audição para fãs de boa música.

TRACKLIST:
1) Driven
2) Resonance
3) Thorn In Our Side (Feat. Simon Phillips & Dino Jelusick)
4) Not A Day Goes By
5) Metaverse (Feat. Virgil Donati & Andre Nieri)
6) Neutron Star (Feat. Brett Garsed)
7) Chaos Theory
8) Down The Line (Feat. Guthrie Govan)
9) Sagan (Feat. Kiko Loureiro)
10) Thorn In Our Side (Feat. Simon Phillips)