Resenha #262: "Boiada Suicida" (2022) - Mukeka Di Rato

    "Boiada Suicida" é o oitavo álbum do Mukeka Di Rato, que desde 1995 vem mostrando para o Brasil, e para o mundo, o seu hardcore rápido, revoltoso e debochado de Vila Velha, no estado do Espírito Santo.


    Contando com Fepaschoal voz e guitarra, Paulista na guitarra e backing vocal, Brek na bateria e Fábio Mozine, lenda do hardcore nacional, o velho da Läjä Records, no baixo e voz. Esse álbum foi lançado em 05 de agosto de 2022 pela já conhecida Deckdisc, produzido por Rafael Ramos e materializado Jack Endino.
    Já ditando a temática dessa produção, a primeira faixa Luzia, estoura no nosso ouvido berrando sobre um dos incontáveis desastres dos últimos anos e ainda falando sobre o apagamento de memórias e novas construções narrativas do desgoverno Bolsonaro.
    Os guris seguem com a mais cadenciada Coração Sapato e lançam mais um esperto que é Humano Fracasso, que exige a cabeça do homem de bem - “pra bater pelada na sola do asfalto!” Na sequência temos um frenético interlúdio que é a Facada (mal dada, como a banda afirma).
    Após a cadenciada Nuvem, que trás um reggae consigo, somos devastados com o soco no estômago que é a letra de Milico que é acompanhado de riffs frenéticos e barulhos de sirene que nos jogam para o chão. Moderna Idade vem com a construção lírica que é marca registrada dessa banda veterana, abrindo espaço para a música que leva o nome do álbum Boiada Suicida, começando com um berrante e um riff que se arrasta acompanhado de uma letra falando de bois sendo guiados para o abate.


    Na sequência nós temos a letra propositiva, agressiva enérgica de Vidraça, em seguida nós temos Pedrada (releitura de uma música de Chico César presente no álbum "Amor é Um Ato Revolucionário" de 2019). Seu Cérebro Está Em Estado Avançado de Decomposição e Punk Decrépitos são duas pancadas rápidas que se completam falando sobre músicos decadentes que dão uma guinada para direita ou para extrema direita.
    Devir Fascio vem apontando alguns culpados (a classe rica brasileira e a polícia militar) e ainda faz uma pergunta da qual estamos há 5 anos sem resposta - “Quem mandou matar Marielle Franco?”
    Por fim, minha favorita do álbum, Tudo Vai Passar, que além de nos apresentar um ritmo mais otimista, mostra toda a ironia e criatividade da banda, enquanto nos mostra também o panorama dos últimos segundos do ex-governo e 3 lindas soluções para o Brasil.

TRACKLIST:
1) Luzia
2) Coração Sapato
3) Humano Fracasso
4) Facada
5) Nuvem
6) Milico
7) Roubar
8) Moderna Idade
9) Boiada Suicida
10) Vidraça
11) Fome
12) Pedrada
13) Seu Cérebro Está Em Avançado Estado de Decomposição
14) Punk Decrépito
15) Devir Fascio
16) Tudo Vai Passar

FORMAÇÃO:
Fepaschoalvoz e guitarra;
Paulista - guitarra e backing vocal;
Brek - bateria;
Fábio Mozine - baixo e voz.