Cobertura de Eventos #35: "Underground Extremo Fest"

    Apesar de fora do tempo, eu retorno para esse texto que tinha deixado pela metade em um caderno aqui pelo meu quarto, por motivos de correria de final de ano. Assim um dos primeiros textos que terminarei no início de 2023, será sobre um dos melhores momentos do infernal 2022.

    Surgindo do litoral catarinense, abrigando vários quadros voltados para o submundo da música podreira, abrigando vários redatores e com o saldo de 2 fests online e 2 especiais de Natal (perfeitos para se assistir com a família) o Underground Extremo em 2022 decide fazer um festival presencial.
    Assim, Harley, idealizador da mídia, escolhe 4 bandas do underground catarinense (Vetor Unitário, Silent Empire, Rest In Chaos e Cäbränegrä) e um lugar na cidade de Tubarão/SC o Pub Casa da Mãe.
    Então, no dia 20 de novembro, um belo domingão de sol, eu pego carona com Daniel Russo (criador e idealizador da mídia A Hora Hard), junto com Guigo Romagna e Leandra Sator (da mídia Urussanga Rock Music) para sairmos da lúgubre e infernal Criciúma e ir até a cidade Azul de Tubarão. Lá encontramos Harley e Carina, do Undergroud Extremo, Maykon, lindíssimo, do O Subsolo e alguns membros da Silent Empire.
  A primeira devastação a subir no palco é a banda de hardcore de Tubarão, Vetor Unitário que conta com Vitor, na bateria, Gabriel Cunha no baixo, Michael nos enérgicos berros e pulos, Gustavo e Fred nas guitarras. Eles começam a destruição com dois clássicos do hardcore nacional, Conflito Violento do Ratos de Porão e Afasia do Dead Fish, já levando o público a loucura e mostrando seu peso e energia.


    No segundo bloco, eles alternam entre músicas autorais com Remissão e Culpa e Impulso e um cover de Cachaça do Mukeka Di Rato. Seguindo no terceiro bloco eles nos presenteiam com mais 3 de suas músicas, A Própria Piada, Buracos Subterrâneos (com uma letra criativa falando sobre os problemas da cidade natal da banda), Não Somos Tão Iguais e fechando o bloco com Expresso da Escravidão do Ratos de Porão.
    No último e maior bloco a banda mostra um pouco de seu gosto musical com uma série de covers: Polícia (Titãs), Ligoligo (Chuva Negra), Proprietários do Terceiro Mundo (Dead Fish), Linaceum (Nofx) e fechando com Produtos Químicos Eletrodomésticos e Auxílio Palito do Mukeka di Rato.
   Depois do hardcore, nós fomos aniquilados com o death metal criciumense da Silent Empire, formada por Ivan Tirano, na guitarra e vocal, Aline Iladi, na bateria, Guilherme Silvano na guitarra e Harley no baixo. No primeiro bloco eles começam com a clássica Unique and Primordial, do primeiro álbum deles "Dethronement Of All Icons" e seguem com In Death I Rest que estará presente no segundo álbum.
    Após uma breve apresentação, eles seguem para um segundo bloco onde somos arrebatados com mais 3 novos sons, Engulfed By The Shadows (que sempre me surpreende com o back vocal de Harley enquanto Guilherme sola riffs dissonantes), Silent That Precedes Death e I Would Kill A Thousand Times. No terceiro bloco seguimos com mais duas das novas devastações, Inverted Path e The Inner, e um dos maiores, Hail The Legion, esse clássico que já esteve tanto no primeiro álbum como no primeiro EP da banda, convida todos os headbangers presentes a vociferar o seu refrão em coro.


    Nos dois últimos blocos eles tocam Absurd Within The Absurd, Towards The Awakening Of Dethronement e Moutains Of Knowlegde. A cada show que passa essa formação parece cada vez mais entrosada, deixando seu death metal cada vez mais brutal e enérgico, assim eles terminam o show deixando o público ainda mais ansioso pelo seu próximo álbum.
    O Sol desce manchando o céu de laranja e o crepúsculo surge trazendo a escuridão, as fogueiras são acesas e a terceira devastação se prepara no palco. Assim a Rest In Chaos com Maicon na bateria, Juliano na guitarra, Adrian no baixo e Gustavo nos temíveis berros, banda de thrashcore de Florianópolis faz seu primeiro show desde o início da pandemia.
      No primeiro bloco somos arremessados contra a parede com as músicas, I Need A Reset e Let Me Rest e enquanto nós nos recuperávamos dessas duas pancadas eles apresentavam a banda e sem demora já seguiam para o segundo bloco onde eles mais uma vez nos derrubam com Shallow Happines e Belas of Destructions, depois explicar sobre as temáticas das músicas eles dão sequência tocando Ego Riser (que tem um grotesquíssimo clip que vale muito a pena ver). Por fim eles fecham o show com as músicas Artificial e Worship Machines.


    Agora completamente imersos pela escuridão da noite e após sermos arrebentados por essas 3 primeiras bandas, a última hecatombe se prepara pra terminar de nos destruir. O Cäbränegrä é composto por Renan o guitarrista, Roger na bateria e Bruno nos urros desgracentos), um power (violence) trio de grindcore de Blumenau.
    Eles sobem ao palco para o último show de sua turnê pelo Sul e começam socando um pé na porta e mostrando toda a sua brutalidade com riffs frenéticos seguidos por uma bateria tocada a bilhão, acompanhados com os urros mais brutais e violentos que já escutei ao vivo.
    Nessa apresentação que reuniu músicas dos álbuns/EP's "Cäbränegrä" (2019), "Abismo" (2020), "Aurora" (2021), e do Split com Jarnboerd (2022) é quase impossível não ficar hipnotizado com a personificação da anti-música que é essa banda.


    E esse foi o primeiro festival realizado pelo pessoal do Undergroud Extremo, que além de uma excelente escolha de bandas da região contou com uma grande organização por parte dos idealizadores dessa mídia, que esse seja o primeiro de muitos festivais!