Entrevista: Hellish War

Hellish War: esse nome tornou se sinônimo de metal tradicional feito com garra e amor pelo estilo acima de tudo enfrentando modismos , e sempre com a faca nos dentes e a certeza de ser fiel as suas essências, não há muito a apresentar, apenas saber o que tem a nos dizer esse verdadeiro baluarte da cena brasileira. Hail, Hellish War!

1)Primeiramente é uma honra para eu estar realizando essa entrevista com uma banda que eu sou fã há muito tempo, desde ter ouvido The Sign em alguma fita gravada por um amigo meu. Sem parecer saudosista, mas foram bons tempos para o metal em si. Mas, inicialmente, gostaria que fizesse um pequeno histórico dos primórdios que daria origem a Hellish War, e quase aprendizados esses anos inicias deixaram na banda?

JR - São 20 anos de banda já. Muitas histórias, muita água já passou por debaixo da ponte. Os aprendizados foram inúmeros, dentre os erros e acertos sempre tiramos alguma aprendizado e amadurecemos com ele.

2)O que mais afetou o desenvolvimento geral da banda foram as mudanças de formação ou gravadoras que acabaram trazendo entraves entre os lançamentos? E como no meio de tantos problemas se manter fiel aos seus ideais e objetivos?

JR - Mudanças de formação são mais traumáticas do que problemas com gravadoras. Com a gravadora você resolve na justiça se for necessário, e é desgastante, posso lhe assegurar. Mas quando uma pessoa que faz parte do processo criativo deixa a banda, isto tende a ser um grande problema e você ou segue em frente ou para tudo. Saber que temos pessoas nos apoiando por aí e querendo ouvir nosso som, é um grande incentivo para sacodir a poeira e tentar novamente.


3)Defender Of Metal de 2001 é um dos meus álbuns favoritos do metal nacional, ainda mais sendo metal tradicional na época em que o New Metal era tão forte, conte nos um pouco acerca da elaboração dessa obra, quais musicas tornaram se hinos e não podem faltar nos shows, e aproveitando a deixa, comente acerca do relançamento desse item indispensável para qualquer headbanger.
JR - Realmente, estávamos indo contra a corrente. E ainda estamos! Algumas das músicas foram compostas quando a banda ainda era um trio, foram anos trabalhando elas até que debutassem no álbum. Músicas que são hinos e não podem faltar são a faixa título e “We are living for the Metal”. Estas duas tocamos em quase todos os shows, com exceção de um outro e mesmo assim uma delas estava sempre presente. As pessoas estavam sempre pedindo o Defender, eles querem comprar. A partir dai tivemos a ideia de relança-lo, nada mais que isso.

4)Tratando de composições, como nasce uma canção da HW? Existe um cuidado especial com refrão pois acredito que Heavy Metal sempre tem que ter aquele refrão para ser cantado com os punhos erguidos como o caso da própria Hellish War!
JR - Geralmente o Vulcano ou Job já trazem as ideias pré-concebidas para o estúdio. Lá a banda toda trabalha nelas. O refrão vem naturalmente, não ficamos estudando uma métrica ou uma formula. Ele surge e se parecer correto, vai para o álbum.

5)Heroes of Tomorrow é uma evolução monstruosa começando pela capa, muito mais profissional, ate mesmo na sonoridade, mais moderna sem descaracterizar a raiz tradicional. Passado um tempo após o lançamento, como você avalia esse álbum hoje, e já adianto que pra mim esse é meu favorito por ter Metal Forever.
JR - Metal Forever foi composta em praticamente cinco minutos e é uma de nossas melhores músicas. Além de ser uma das mais pedidas ou senão a mais pedida. Como tivemos problemas com nossa antiga gravadora, ficamos quase sete anos com ele parado. Ele estava pronto em 2003 já. Neste período chegamos a grava-lo duas vezes e isto nos deu uma perspectiva diferente das músicas onde pudemos lapida-las ao máximo. No final foi um bom resultado, mas ainda acho a mixagem um pouco engessada, sabe, muito limpo. Não me agrada 100%, mas é nossa história e esta aí para todos ouvirem e opinarem.

6)Comparativos são sempre feitos com qualquer banda, é claro que a HW busca inspirações da velha escola alemã e inglesa, mas esses comparativos chegam a incomodar a banda ou é algo que é visto apenas como referencial?

JR - Já incomodou. Hoje não mais. Todos precisam de referência e isto acontece até com bandas consagradas. Não me importo, desde que não desmereçam ou façam isto de forma pejorativa.


7)O mercado internacional é mais receptivo para a HW do que os bangers brasileiros? Comente nos um pouco a cerca das experiências internacionais e o que a nossa cena underground pode aprender com os gringos?

JR - Internacionalmente tivemos uma experiência ímpar. O clima é diferente, mas no final das contas são pessoas interessadas em ver e ouvir a banda. Da mesma forma que temos aqui. A maior diferença é na estrutura. Até para shows em pequenos bares o equipamento de som e luz é de primeira, isto faz com que as bandas consigam demonstrar todo seu potencial de forma honesta.

8)Uma curiosidade, Metal Forever apareceu no jogo guitar flash, claro que pela dificuldade técnica da musica, mas esse tipo de mídia auxiliou a banda? E qual suas opiniões acerca de plataformas virtuais e downloads?

JR - Sim, ajudou bastante. Nos expôs a um público diferente, de uma molecada mais jovem e isso renovou nosso público. Outro dia o Gene Simmons teceu um comentário, de que não gravaria mais discos pois as pessoas simplesmente o baixariam. Algo nessa linha. Ele tem razão, mas ele vem de uma época diferente. Hoje as coisas são diferentes e temos que nos adaptar a elas. Pegamos o final da época onde uma gravadora e um álbum físico eram essenciais. Mas isso já tem uns quinze anos, então ou vamos em frente ou ficamos nessa briga eterna. Não é certo, mas cada um tem sua opinião.
9)Saxon, UDO, Tim Rippers Owens, entre outros, acredito que o sonho de muitos
headbangers é dividir o palco com essas lendas. Conte-nos um pouco desses eventos open acts qual foi o mais marcante e qual banda gostariam ainda de ter a chance de tocar?.


JR - O Saxon, com certeza. Foi nosso primeiro openingact. Se tivesse a chance, claramente seria o Iron Maiden.

10)Qual a opinião de vocês acerca dessa nova onda de metal tradicional que começou com bandas adotando a veia oitentista e hoje executando grandes sons bebendo nas melhores fontes de Judas, Iron, Saxon , entre outros? Felizmente a arte de fazer solos voltou a fazer sentido, mas acreditam que essa será uma cena duradora ou ira se desgastar?

JR - Acho que é cíclico. Daqui algum tempo perde o sentido de novo e as pessoas precisaram redescobrir este estilo. A partir daí surgirão novas bandas. É sempre assim. Vide o que aconteceu com o grunge e como o estilo voltou mais forte no final dos anos 90.

11)Mesmo optando pelo metal tradicional muitas bandas brasileiras optaram pela língua pátria assim como o Azul Limão, Centurias, entre outros. Já existiu alguma composição da HW pensada em português? E focando em bandas nacionais, quais vocês indicariam para nossos leitores?

JR - Ainda não. Mas quem sabe um dia. Harppia é uma puta banda!

12)Finalizando a entrevista, mais uma vez agradecendo a mesma e reafirmando a honra que foi para mim, como fã e admirado do trabalho de vocês. Gostariam de deixar um recado para nossos leitores e divulgar os próximos passos da HW?

JR - Continuem a apoiar suas bandas locais e mais importante, tentem adquirir material delas e comparecer aos shows de bandas autorais. Apenas desta forma teremos uma cena que sobreviva ao tempo. Obrigado pelo espaço. Grande abraço a todos! Metal Still Burns!!





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