Cobertura #02: X Fear Festival: O medo Invade Porto Belo/SC

Longe demais das capitais... Tal resmungo era muito comum há tempos atrás, porém atualmente não é nenhum exagero dizer que Santa Catarina está cercada de grandes festivais, e que estes se destacam por 'cast's' que agradem vários segmentos dentro do 'Heavy' Metal como, por exemplo o Celebração nos Bosques de Satã , o Inferno Metal Fest e chegando na sua décima edição o Fear Festival, que já trouxe para região grandes nomes da cena nacional como MX ,Volcano, Ratos de Porão, entre tantos outros.

Além de toda organização e respeito as bandas, deve-se elogiar também o lugar, o Vintage Bar é muito bonito e a estrutura de dois palcos é sensacional, não deixando muito espaço para o descanso, pois acabando um 'show' já nos deslocamos para o outro palco lateral. Mesmo com essa dinâmica, algumas bandas foram afetadas pelo atraso e tiveram que reduzir seu 'set', uma pena, mas totalmente compreensível, pois fomos agraciados com um som de qualidade e todas as bandas, sem exceção, tocaram como fossem o último dia de suas vidas. 

Por motivos de distância e deslocamento, não chegamos a tempo de assistir a apresentação da Nomen Eius B, porém em conversa informal com amigos que assistiram, estes elogiaram muito a sonoridade 'doom' da banda assim como a parte visual e estética no palco. Uma pena não ter assistido, mas vamos atrás da banda para poder citar eles aqui no 'blog' em breve. 

Chegando lá, já estava no palco se preparando os paraguaios da The Force. Era estranho imaginar que os caras com uma certa bagagem se apresentariam tão cedo, mas nas palavras do vocalista Mike Martinez a banda tinha que pegar um vôo de volta para casa, então antes de partir, nos brindaram com uma aula de 'thrash' metal 'old school', não faltando hinos do metal latino como Thrash Till We Die, Possessed by Metal, Storm of Steel e num momento memorável foi a execução da longa instrumental Stamped Of Athousand Stallions que fez o público agitar e ainda curtir toda a performance instrumental, com certeza o The Force ganhou mais admiradores. Vida longa ao metal latino americano.



Em um curto período de tempo a Deadpan passou de promessa do metal catarinense para realidade e quem viu o trio ao vivo descobre o porque. Me senti obrigado a sair no final do show e comprar o CD "In Alien WeTrust". Com o perdão do trocadilho, o som que Gustavo Novloski (Guitarra/Vocal), Anderson Biko (Baixo) e Igor Thiesen (Bateria) executam, não é desse planeta! Tocaram versões matadoras de A Mature SongIn Aliens We TrustTwo Faces e Life Olympic Games e ainda de quebra, tivemos uma prévia de novos sons que criam a certeza de que a invasão só está começando.



O massacre 'Death' metal continua, dessa vez perpetuado pela horda de Itajaí/SC, Reggrety. Já tinha presenciado a banda em alguns outros 'shows' e sempre quando a vejo, me assombro com a evolução natural da mesma, cada vez colocando mais agressividade e peso no seu som. Atualmente formada por Bruno Baldessari (guitarra/vocal), Everton John (bateria) e Andrei Ruan de Souza (baixo), sem delongas executaram músicas da 'demo' "Death Corporation", como a faixa título e também Regret It All, destaques também para Burn Me Inside e Straved to Death.



Um pouco de alívio para o pescoço e porque não viajar no som de uma das bandas mais conceituadas do 'Rock' catarinense? Adentra o palco a Vlad B e levou consigo uma leva de fãs que vibraram com as autorais Ouça os AnjosLonge do Fim Filhos de Uma Era, se agitando  ainda mais com 'covers' de Jetrho Tull com o som Aqualung e de Rush com Spirit of Radio.



"Vamos tocar com sangue nos olhos!". Foram essas as palavras do carismático vocalista Fumanchu da Noncoformity. A banda veio do interior do Rio Grande de Sul e cumpriu a risca tudo o que tinham prometido. Com uma energia fora de sério os caras tocaram as faixas de seu CD "Shackled", sendo elas Agonizing, Bloodynations As Walk e para finalizar, fizeram um 'cover' de propaganda do grande Sepultura. Com essa apresentação ficou comprovada que a tradição do 'thrash' metal gaúcho sempre se manterá viva.


E por falar em tradição, eis que no outro palco Flávio Soares grita: "É assim que fazíamos 'thrash' metal lá nos anos 80!". Então Leviaethan ataca e tome Echoes From The PastDisturbed MindAIDS e The Last Supper. Além disso, rolou algumas faixas que estarão em um novo álbum, que é uma promessa antiga, mas temos a certeza de que pelo que ouvimos será algo matador.




Voltando para o palco A, Shadow of Sadness vem mostrar que temos representantes de peso no dito 'death' metal melódico. Se tal rótulo preocupa, pois muitas bandas abusam da passagens alegres até demais, o mesmo não pode ser dito aqui dessa horda catarinense que sem dúvida, seus anos de estrada foram responsáveis por músicas tão fortes como a Summoning Ocean's Son, Suicide: Open Solution, Screams of Self e Destruction. A banda tinha pensado em parar a carreira, então esse que os escreve, pede encarecidamente, não façam isso, pois a cena precisa de bandas como Shadow of Sadness.


Então chegou a hora de ver o retorno do mal. Adentra o palco do Fear, de maneira reformulada, Torture Squad. Não desmerecendo o trabalho das antigas formações, mas parecia que Vitor Rodrigues era insubstituível, bem, parecia, porque May Undead Puertas não só ocupou bem esse espaço como trouxe aquele aspecto mais 'Death' Metal, claro que há méritos também para o exímio guitarrista Rene Simionato e completando a formação da horda Castor, que continua sendo o monstro que conhecemos, o mesmo vale para Almicar, um dos melhores bateristas do metal extremo mundial. O 'cast' meus amigos, parecia um 'best of' passeando por vários momentos da carreira do Torture. Tivemos Return of Evil, Living For The Kill, Pandemoniun, Tower in Fire, Horror and Torture e para fechar, que coisa linda, Unholly Spell. Prestes à embarcar para Europa, temos a certeza que os gringos vão voltar a ver o que o nome Torture realmente significa.




O 'Black' metal não pode nunca ficar de fora de um festival, e então para honrar o nome do metal negro tivemos a horda Spiritus Diaboli. Quem acompanha este 'blog' lembra que fizemos uma resenha bem positiva do trabalho auto intitulado. Então, ao vivo as boas impressões só se certificaram. O vocal de Larissa é muito bom e a banda executa as músicas muito fiéis aos arranjos do CD, foi muito legal ver sons como Acheron, Slender Man, War e Curse of The Widow


Um ponto bem forte desse 'show', foi quando a vocalista dedicou a música Elizabeth Bathory para todas as garotas que estavam tocando com suas bandas no festival, seja na NervoChaos, Soul Torment, ou Torture Squad é fato de que as mulheres já ocupam merecidamente seu lugar na cena metal e isso é extremamente positivo.


Por paixão não por moda é essa a sensação de ver um 'show' do NervoChaos e dane-se a imparcialidade, sou muito fã dessa banda e foi muito legal ver os músicos de várias bandas que já tinham se apresentado a postos para curtir esta apresentação. Uma pena que o horário fez o 'set' ser encolhido, mas não temos do que reclamar, pois não faltaram os sons brutais como Total Satan, For Passion Not Fashion, Pazuzu is Here Pure Hemp. Se você não conhece a Nervochaos sinto em lhe dizer que estais no 'blog' errado.


Vamos agora para o metal tradicional com Axecuter. Esse foi um 'show' feito para bater cabeça, simples assim, 'heavy' metal puro e afiado, é isso que Danmented (guitarra e vocal), Rascal (baixo) e Vigo (bateria), nos trazem como em Bangers Previls, No God, No Devil Worship Metal e Metal Is Invencible, com certeza essa é uma banda 'anti-posers'.



Se o Axecuter já vinha trazendo o tradicionalismo na cena, O Bode Preto manteve essa proposta com seu furioso 'black' 'death' metal. Não a toa que seu trabalho chama-se "Mystic Massacre", pois a mescla de peso, agressividade e blasfêmia foi arrebatadora. Mesmo os 'bangers' que estavam exautos, foram para frente do palco para bater cabeça perante os hinos Dark Obsession, Sweet fever e Deep Reality. A cena do nordeste nunca decepciona e quando vem para o sul sempre arrematam mais uma leva de fãs e eu pertenço a essa legião.

O cansaço ou a idade estava pesando, mas foi só a Soul Torment começar a tocar que fomos assistir. Estava curioso para ver a nova formação e foi muito legal ver como Deisi Wolff assumiu bem os vocais e trouxe um brilho a mais para a banda, completando a atual formação de Rodrigo Garcia (Guitarra), Mateus (Guitarra), Marlon Hoerlle (Bateria), Leonardo (Baixo) e Lorenzo (Guitarra). Quem não conhece a banda gaúcha, ouça Empire of The Machines e Jugment Day e veja a nova fase da banda, grave bem esse nome!

Estamos passando das três da manhã, então juntamos nosso resto de energia para ver Tressultor, banda que tem uma proposta muito legal de misturar um thrash metal nervosíssimo com letras em português e digamos politicamente ofensivas, e a ideia é essa mesmo, como verificamos em Ministério da Enganação, Mande a Merda e Missão Cumprida, para finalizar, fizeram um cover de Slayer com Raining Blood, matando de vez os sobreviventes.

Final de festival vamos nos arrastando até o veículo com o corpo moído e a alma lavada. E com aquela pergunta que sempre fica quando saimos de um festival, quando será o próximo?

Hail Fear Festival!

Revisado por Carina Langa.

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