Resenha #344: "Triade III: Nyx" (2023) - Aara

Salve Headbangers! Arrisco-me a dizer que dentro do nicho do black metal atmosférico poucas bandas conseguem superar o que vem sendo feito pelo Aara, principalmente tratando-se da trilogia musical que agora chega no seu terceiro capítulo "Triade III: Nyx", que tinha a difícil missão de se igualar ao fascinante antecessor "Triade II: Hemera" (2022), será que conseguiram? O resultado discutiremos agora nas linhas que seguem.
Antes de mais nada, acho que é importante situar nosso leitor, o Aara é uma banda da Suíça, formada no ano de 2018, em formato de um power trio composto por Berg, inicialmente tratava-se de uma one man band, mas ganhou o formato atual com a entrada de Fluss nos vocais e J. na bateria, cabendo ao líder fundador as guitarras, teclados e baixo.
A banda tem toda uma estrutura teatral nas suas temáticas, vestimenta e principalmente proposta de som. O seu primeiro lançamento foi "So Fallen Alle Tempel" de 2019 e no ano de 2021 começaram sua trilogia com "Triade I Eos", o já citado "Triade II: Hemera" e agora chegamos em "Nyx", que faz uma referência à deusa grega que representa a noite, e para isso eles mergulham ainda mais na sua proposta de um black metal atmosférico com uso de melodias marcantes.
Heimgesucht abre o trabalho com uma melodia melancólica e um cortejo de que algo mau se aproxima e logo somos inseridos na atmosfera da obra, lembrando que por se tratar de um álbum conceitual, esses interlúdios são deveras importantes, logo o instrumental muito bem apurado se faz presente e aqui temos o grande diferencial do Aara, eles sabem, como poucos, manter a estrutura caótica do black metal, mas com melodia e os vocais de Fluss são um destaque, me lembrando o trabalho do Anorexia Nervosa.
Emphase der Seelenpein vem na sequência e já demonstra o arcabouço da sonoridade dos suíços, o uso de teclados e guitarras mais limpas exploram a veia melancólica tão cara a banda que segue essa proposta dentro do black metal, fórmula essa que pode ser também muito bem observada em Des Wanderers Traum. Ao mesmo tempo que J. prova porque é um dos bateristas mais requisitados do país e isso explica o porque também dele ter tantas bandas! O trabalho que ele entrega aqui é um dos motores para a complexidade desse álbum, o uso do bumbo duplo e frenético, cria um interessante contraponto com as partes mais sentimentais como em Moribunda.
Em cada audição é perceptível como os elementos da obra são diversos, seja o uso de vocais limpos como em Edo et Edam e na já citada Moribunda, ou nos arranjos intricados de teclados em Des Wanderers Traum e logicamnte os riffs de Unstern, uma amostra de como o black metal não precisa se limitar em covers mau feitos de Darkthrone. Sem mais, um dos grandes lançamentos do ano e fiz essa resenha, pois tenho a pretensão de que o nome Aara seja mais reconhecido por aqui, o que seria de total merecimento para o trio!
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TRACKLIST:
1) Heimgesucht
2) Emphase der Seelenpein
3) Moribunda
4) Unstern
5) Des Wanderers Traum
6) Edo et Edam
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FORMAÇÃO:
Berg - guitarras, baixo, teclados.;
Fluss - vocais;
J. - bateria.