Cobertura de eventos #31: "Surra, Silent Empire e Vetor Unitário" - Caverna Kilmister/Tubarão/SC (07/10/22)

    Salve Headbangers! Na última sexta-feira fomos levados até a cidade vizinha, no Caverna Kilmister Bar, para uma noite que, pelo cast, prometia abalar as estruturas do pub e do público que lá estaria. A casa, na atividade desde 2018, já é conhecida por firmar parcerias para trazer periodicamente diferentes bandas do underground nacional, tanto as mais extremas quanto as mais pop rock, unindo tribos pelo mesmo propósito, curtir um rolê com boa música, bebida e pessoas com gostos em comum. O evento foi organizado e produzido pela junção de dois grandes nomes fortalecedores do cenário underground, Colher de Chá Produtora e O Subsolo que já promoveram eventos significativos na região.

    Em torno das 23 horas, entra no palco a banda de death metal criciumense Silent Empire, que após quase dois anos sem tocar em terras catarinenses se apresenta com uma nova formação, esta que consolida e expressa a evolução da banda em toda sua trajetória, dessa forma temos Ivan Agliati como vocal e guitarra, Aline Iladi na bateria, Guilherme Silvano na guitarra e L. Harley no baixo e backing vocal, a entrada dos últimos membros citados e a realocação de Aline na bateria trouxe uma mudança simbólica para a sonoridade da Silent e digo isso de maneira positiva, pois os comentários pós show só condizem com o que pude observar.
    O show se baseou na apresentação de sons do novo álbum que está em processo de gravação, destaco aqui Engoulfed by the Shadow pelo peso, brutalidade e pegada da mesma, pois vem com um refrão marcante fácil de bangear e cantar junto e a qual conta com o inesperado backing vocal do baixista Harley, novidade positiva na banda. Outras faixas inéditas e brutais como Inverted Path, I Would Kill A Thousand Times e In Death I Rest, ao serem apresentadas mostraram quão fechada está a banda com os instrumentos conversando entre si, o que só deixa o público ansioso para o lançamento do trabalho. As já conhecidas Hail The Legions e Unique And Primordial também fizeram parte do set e mostraram uma sonoridade bem coesa e técnica.

    Do death metal brutal da Silent Empire fomos levados ao hardcore da Vetor Unitário, banda conterrânea da casa onde aconteceu o evento e que fez a galera se agitar ainda mais com seus sons autorais, como em Remissão da Culpa e Impulso do seu EP homônimo lançado em 2015 e também com os covers de Ratos de Porão, Dead Fish, Mukeka Di Rato e Titãs, bandas de grande influência nas composições da banda. Aqui o caos e a insanidade tomaram conta dos que estavam presentes fazendo-os cantar junto e exercer a função de bangers no mosh.

    E tem aquele ditado que diz: - 'Depois da tempestade vem a calmaria', porém não foi bem o que aconteceu, as bandas de abertura só deixaram o clima no estilo do que estava por vir com a apresentação do Surra que literalmente te bate do início ao fim de suas apresentações, seja pelas letras ácidas e diretas, seja pelo seu som pegado e impactante.
    Não foi a primeira vez que acompanhei um show dos caras e com certeza não será a última, pois perder oportunidade de ver o Surra é pior do que se jogar de um abismo. Exageros à parte, quero falar do setlist que trouxe pouco mais de 20 faixas em um pouco mais de uma hora de show sem direito para descanso, a não ser no início em que mano Leo foi obrigado a trocar uma corda estourada da guita enquanto trocava uma ideia com Harley, nosso chefe redator.

    Fomos ao delírio com os clássicos Escorrendo Pelo Ralo, Daqui Pra Pior, Tamo na Merda assim como em sons mais recentes com destaque para Guerra Suja Bolso Cheio, Ninho de Rato e Brasileiro Otário e Triste. Como é comum nos shows da banda, teve banger se jogando do palco na galera, participação especial do público cantando Bom Dia Senhor e também fazendo coro 'carinhoso' ao 'querido' governante atual do país. Uma noite esplêndida que ficará marcada nas mentes de cada um que ali estava presente.

    Antes de terminar, gostaria de destacar a presença de um público jovem e enérgico no fest o que nos enche de orgulho e esperança na nova geração. A casa estava cheia, a mensagem foi passada e agora esperamos pelos resultados futuros.