Entrevista: Obscurity Vision

Os seguidores mais fieis da música obscura brasileira sabem que a Maldita Catarina é o estado que possui uma longa história no Metal Negro, com hordas significativas e 'opus' de extrema relevância. E nesse seleto grupo destacamos a Obscurity Vision. Formada no ano de 1997, por Luiz Rodrigues na guitarra e Rafael Vicente no vocal, tem o intúito de mesclar influências do 'Black' e do 'Death' Metal, sempre sendo um grande flagelo na moralidade cristã. Para lhes dar um pouco mais de informações fizemos o contato com a banda, então confira nossa entrevista exclusiva:


1) Hail Obscurity Vision! Primeiramente obrigado pela entrevista e gostaria de começar esta entrevista, com você apresentando a atual formação da horda, que agora apresenta-se como um quarteto. E pode nos contar como foram os primórdios da formação da Obscurity lá no ano de 1997?

Luiz Rodriguez: Hail, Irmão. Obrigado pela oportunidade. A banda se formou de um grupo de amigos que se juntava pra beber, fumar e ouvir som. Sempre um violão no meio e alguém querendo fazer barulho. Estávamos sempre juntos mesmo, e desta empolgação , foram surgindo os instrumentos, e aconteciam umas 'jams' muito sem noção. Todo mundo queria tocar de tudo, e ninguém sabia tocar nada. Até que alguns começaram a levar a sério, adquirir instrumentos, estudar, e aí sim, nasceu a banda propriamente dita.
Hoje a banda é: Luiz e João Rodriguez nas guitarras, Thiago Junglaus no baixo e voz, e o acelerado Luiz Trentin na bateria.

2) O baixista Thiago assumiu os vocais e sua primeira apresentação foi no Carnival Frek Festival II, vocês pensaram em chamar algum outro vocalista de fora da banda com a saída de Rafael? E essa mudança de vocais atrapalha os planos da banda para o lançamento de um novo material?

LR: Não. A banda já vinha a um tempo com a idéia de se firmar como quarteto. Nunca cogitamos a entrada de alguém pra substituir Rafael. Estamos agora muito focados nos novos projetos, gravações, e shows. Estaremos lançando material físico novo, ainda no primeiro semestre de 2020, já com vocais do Thiago.


3) Voltando um pouco no tempo, qual o papel da 'demo' "Obscurity Creation" para a consolidação da horda na cena underground e como foi o processo para o relançamento do mesmo?

LR: Nossa 'demo', de 2002, foi a responsável por uma maior visibilidade da banda. Ela foi lançada numa época em que as redes sociais não existiam. E através dela, começamos a chegar em lugares até então inexplorados. Em 2016 com a volta total da banda, relançamos ela com uma música bônus, I Can See, gravada em 2016, que mostrava a fase atual da banda.

4) Em 2017 tivemos o poderoso trabalho "Dark Victory Day", olhando em perspectiva tal trabalho, como avaliam esse registro e vocês mudariam algo nesse 'opus'?

LR: Ficou da maneira que queríamos. É a nossa biografia musical, lá dos anos 2000 até 2017. Tem músicas de todas as fases da banda. E quisemos mostrar isso com um som mais cru, mais som de garagem, afinal é uma banda de música extrema. Algumas pessoas não entenderam esta proposta, esperavam uma mixagem mais pra Nx Zero (rsrsrs). Mas para nós, o resultado ficou perfeito.

5) Violência e Apodrecendo são duas músicas em português, acredito que a banda se sai muito bem compondo na nossa língua. Existe planos da horda usar mais esse formato?

LR: Com certeza. Apodrecendo foi nossa primeira música. E Violência está mais atual do que nunca, num mundo de polarizações, onde apenas um lado se diz o dono da verdade. É muito difícil compor e cantar em português, mas já estamos trabalhando em mais músicas em nossa língua mãe. Desafio pro Thiago cantá-las (rsrsrs), mas esperamos que as novas tenham o mesmo retorno que estas clássicas.


6) Os dois sons mais recentes, que são fantásticos por sinal, The Deception of Truth e Imperivm, mostram a banda em um nível acima no quesito técnica e peso, e indo mais direcionada para o 'Black' Metal. Como vocês observam a receptividade do público em relação a esses sons?

LR: Quem faz a banda é o público. E realmente estas músicas tiveram um excelente retorno. É Obscurity Vision em sua essência, maduro. Já estamos gravando músicas novas, com uma roupagem semelhante. Muita novidade boa vindo por aí.


7) A horda já participou de vários festivais aqui em Santa Catarina, para quem nunca assistiu a Obscurity Vision ao vivo, como poderiam descrever uma apresentação da horda? E pegando o gancho de apresentações, vocês tocariam em algum festival com alguma banda de 'White' Metal?


LR: Santa Catarina está cada vez mais forte em festivais. Por todo estado, o ano todo. Nosso show é energia e peso, gostamos de estar no palco e propagar nossa mensagem. Somos muito receptivos e sempre recebemos manifestações de apoio que nos empolgam e nos fazem continuar. Festivais grandes, não tem como excluir este ou aquele tipo de música. Pra mim, 'white' metal é uma farsa. Coisa de gente indecisa. Quero viver a igreja, mas quero fazer “música do mundo”. Em um evento grande, com 30 bandas, não tem como fazer apenas com bandas de um estilo. Já um festival pequeno, com 3 ou 4 bandas, aí é incoerente. E não tocaria.

8) Vivemos em um país que se diz laico, mas tem totalmente a influência religiosa de maneira muito perigosa no poder. Como é hoje ter uma banda de 'Black' Metal em um país como o Brasil ?

LR: Brasil sempre foi liderado por cristão. Fato! Todos os governos facilitaram as coisas para as igrejas. As isenções fiscais não são de criação atual. Ensino religioso obrigatório nas escolas não foi criado hoje. Estado e igreja andam de mãos dadas. Quanto mais ovelhas pra ambas, mais poder eles tem. Temos que acabar com esta influência da religião no estado. Pau no cu da bancada evangélica.



9) Santa Catarina é reconhecida pelos 'headbangers' como o celeiro de muitas hordas extremas, além da Obscurity poderíamos citar, Luciferiano, Forest of Demons, Goatpenis, Ar da Desgraça, The Torment, etc. Sendo uma horda de Metal Extremo, acredita que o estado já atingiu um 'status' maior na cena nacional ou ainda estamos muito distante de outras cenas consagradas como a mineira ou carioca?


LR: Não podemos esquecer do nordeste. Tem uma cena muito forte e bandas excelentes. Distrôs, produtoras, lojas, e muito show acontecendo. Santa Catarina tem se destacado pela qualidade e força dos envolvidos. Muita banda boa e que resiste ao tempo, graças ao empenho e dedicação ao que faz. Se fizer uma coletânea só com banda boa e extrema do estado, bobear não cabe todas em um CD (rsrsrs).

10) Obrigado pela entrevista, gostariam de deixar algum recado para os leitores do Underground Extremo?

LR: Muito obrigado pelo espaço e oportunidade. Estamos trabalhando duro pra trazer bastante novidade. Lançamentos, 'shows', clipe e muitas outras mais. Acompanhem a banda no site, e nas redes sociais. Vá a shows, consumam produto das bandas e façam o 'underground' acontecer.

Ave Obscurity Vision!

Revisão por Carina Langa.

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