Entrevista: Creptum Black Metal na sua essência

Quem acompanha o UE sabe que esse recém-nascido blog, tem apenas o intuito de fortalecer a cena e apoiar de forma coletiva todos os esforços daqueles que mantém a chama do Metal viva, exatamente baseado nessa premissa que nossa primeira entrevista não poderia ser menos que especial então corremos atrás e, conseguimos contato com a horda Creptum que. com a experiência de só quem vive de perto o underground possui e por meio dessa entrevista deixa claro o poderio bélico do nosso metal extremo nacional.

Entrevista elaborada por: Luiz Harley Caires 

Entrevista na íntegra:

Underground ExtremoHail Creptum primeiramente queremos agradecer a entrevista somos um blog novo então é com imensa satisfação que iremos desenvolver esse nosso diálogo. Primeiramente gostaria de saber os primórdios da horda, que já acumula mais de dez anos no Underground. Como foram os primeiros passos e a proposta musical sempre foi voltada para o metal negro?

Animus Atra: Nós que agradecemos o contato. É sempre bom contar com novos blogs e novas ferramentas de apoio e divulgação da nossa cena. Tanatos e eu montamos a banda em 2001. Na época ainda com o nome de Nekros. Só depois de alguns meses que resolvemos alterá-lo para CREPTUM. A ideia sempre foi fazer um som extremo, tanto musicalmente quanto liricamente. Ouvíamos muito Black Metal na época e resolvemos montar a banda para poder expressar nossas ideias. Tivemos dificuldade em estabelecer um line-up no inicio, pois era difícil encontrar pessoas que compartilhassem das mesmas ideias que nós e que ao mesmo tempo fossem responsáveis, então tivemos diversas formações. Eu ainda tocava guitarra nesta época.

Depois de várias tentativas, resolvi assumir a bateria e chamamos o Anduscias (atualmente no Amazarak) para a guitarra. Juntou-se a nós também o Deimous Nefus, assumindo o baixo. Gravamos a primeira demo, “...make this world burn”, de 2003, com esta formação.

Depois de alguns shows o Anduscias deixou a banda e ficamos como um trio por um tempo. Durante a preparação para a gravação do nosso segundo material, Tanatos resolveu deixar a banda. Deimous então assumiu as guitarras e o baixista Phlegeton (que depois tocou comigo no CARPATUS) e, o vocalista Necro Occult Lord passaram a fazer parte da banda. Com esta formação gravamos a demo “The Age of Darkness”, que foi lançada em 2004. Em meados de 2005 resolvemos dar um tempo nas atividades da banda. 

UE: A horda aparentemente sofreu hiato de suas atividades, mas ano passado retornaram o quê motivou essa volta aos palcos e o desejo de transmitir suas mensagens?

AA: Neste tempo em que ficamos parados, Tanatos e eu acabamos perdendo contato. Em 2010 nos encontramos ocasionalmente e vimos que muitos daqueles ideais do inicio da banda ainda eram compartilhados por ambos e, foi basicamente isso que nos fez voltar à ativa. Vimos que ainda tínhamos muito a dizer por aí. Entramos em contato com o Deimous, que prontamente aceitou em trazer a banda à cena novamente.

UE: Recentemente a horda tornou se um quarteto como foi esse processo e a incorporação da baixista Bast? Acreditam que o fato de ser uma mulher, ainda causará alguma repercussão mesmo sabendo que as mulheres ocupam um lugar cada vez mais emblemático no metal a nível mundial?

AA: Quando estávamos trabalhando no retorno, começamos a pensar mais tecnicamente nas músicas e vimos que daria uma sonoridade mais interessante à banda manter duas guitarras, então o posto de baixista ficou vago. Durante as regravações do EP ainda nos mantivemos como trio, mas quando começamos a ensaiar parar voltar aos palcos a inclusão de um baixista foi inevitável. Tanatos e Bast já eram amigos, então a entrada dela na banda foi algo bem natural.

Quanto à ser uma mulher, não enxergo nada demais. Não acredito que isso vá repercutir de alguma forma, seja positiva ou negativamente, e sinceramente, não nos importamos com isso. À trouxemos para a banda porque nos identificamos com ela e, porque ela possui uma técnica incrível no seu instrumento e nada além disso é importante.

UE: Ao ler resenhas sobre materiais da banda é muito comum aparecerem citação à cena da Noruega e uma proposta mais tradicional do Black Metal? Vocês concordam com essa classificação ou  acreditam que tal argumentação limita o som da horda?

AA: Nós concordamos. Desde o início pensamos em fazer um Black Metal simples e cru, bem direcionado ao tradicional, então esta comparação com a cena Norueguesa é normal. Particularmente, ficamos bem lisonjeados em saber que nosso som remete à cena mais emblemática do Black Metal. Não há como negar que muitas das nossas influências são de lá. Mas de qualquer forma nós não nos preocupamos muito em soar como bandas de uma cena específica. Apenas fazemos o que gostamos de fazer.

UE: Um ponto importante na Creptum é a temática da banda que foge do simples satanismo panfletário e sem sentido que muitas supostas hordas assume, gostaria que esclarecesse para nossos leitores qual a visão  ideológica  explicita nas letras do grupo

AA: Não somos satanistas. Nossa visão é basicamente anti-religião, seja ela qual for. Toda e qualquer religião tem o único intuito de ceifar o pensamento individual do ser humano e é contra isso que bradamos.

UE: A Creptum tem um contato muito próximo com seus fãs por meio de varias redes sociais o que é uma exceção já que muitos grupos de Black Metal acreditam que isso torna a mensagem aberta para todos, gostaria de saber como vocês definem a importância dos meios virtuais para uma banda e se isso realmente descaracteriza o Black Metal em si?

Nova capa de "The Age of Darkness" (Divulgação)
AA: Não estamos mais nos anos 90. Isso é um fato. A internet está aí e fazer um bom uso dela cabe à cada um. Nós encontramos nas redes sociais uma forma de fazer com que nossa mensagem chegue à uma quantidade muito maior de pessoas. Isso não descaracteriza a nossa mensagem. Começamos a ouvir o Black Metal, musicalmente e ideologicamente, porque a mensagem de alguém chegou até nós. Então é algo progressivo: quanto mais pessoas a mensagem chega, mais pessoas podem entendê-la e vão “desvencilhar-se das correntes” .

O trabalho "The Age of Darkness", já ganhou resenha no blog, clique aqui para ler.

UE: A ideia de relançar  um material antigo como a demo “The Age of Darkness”, veio devido à quais fatores e quando teremos um álbum  completo  da horda?

AA: Há musicas que estão nesta demo, de 2004, foram todas escritas e compostas pela formação original da banda, Tanatos, Deimous e eu. Como Tanatos deixou a banda antes de entramos em estúdio, as musicas acabaram sendo gravadas com outra formação.

Quando decidimos trazer a banda de volta a ativa, decidimos regravar este material da forma que ele foi pensado anos atrás. Aproveitamos que, em 2014, fariam 10 anos do lançamento e resolvemos dar uma roupagem mais atual à ela, com uma produção melhor, uma parte gráfica melhor. Além de sermos melhores músicos hoje em dia.

Quanto ao debut, estamos trabalhando já em novas músicas e pretendemos entrar em estúdio até o final de Agosto acredito, para lançarmos o material anda este ano. Estamos muito empolgados com as novas músicas e posso adiantar que o álbum será matador.

UE: "Oh My Lord..."  é uma faixa que não pertencia ao trabalho lançado em 2004, e, esta música apresenta como sendo de melodia maior, seria esse um caminho à ser abordado nos próximos trabalhos?

AA: Na verdade, “Oh my Lord...” é uma das nossas músicas mais antigas e está presente em nossa primeira demo “...make this world burn”. Quando decidimos regravar a “The Age of Darkness” com uma produção mais profissional, resolvemos adicionar à ela duas de nossas músicas favoritas da primeira demo, e assim “Disciple of Evil” e “Oh my Lord...” acabaram entrando como Bônus Tracks.

Mas de fato temos trabalhado em mais melodias e com certeza algumas de nossas novas músicas seguirão por este caminho, mas nunca fugindo do extremo, que é sem dúvida nossa característica principal.

9) Na minha opinião o metal extremo nacional é superior a muitas modinhas que assolam à cena, além da Creptum, são quase infinitas as bandas que atuam nas mais vertentes do metal feito em nosso pais. Sendo músicos que estão inseridos na cena como vocês analisam o metal nacional nas raias da cena extrema?

AA: A cena extrema nacional não deixa nada a dever a nenhuma cena de nenhum canto do mundo. Diversas bandas brasileiras batem de frente com qualquer banda Europeia ou Americana. Bandas como Desdominus, Necromesis, Amazarak, Patria, Krow, Velho... todas fazem um som extremamente foda. Nosso único problema é que alguns produtores não enxergam desta forma, ou até enxergam, mas no final o bolso acaba falando mais alto, e acabamos vendo festivais inflados com bandas gringas e quase nenhum apoio às bandas daqui. Claro que ver bandas de fora aqui em nossos palcos é importante, mas acredito que mais importante ainda é a apoiar a nossa própria cena. E não apenas por parte de produtores, mas por parte do público em geral. Por isso incentivamos as pessoas a frequentar os shows em sua cidade e apoiar as bandas locais.

UE: Muito obrigado pela entrevista e por obséquio poderiam deixar algum recado para os leitores do Underground extremo?

AA: Novamente, nós que agradecemos a oportunidade.
Aos leitores, dizemos apenas para que continuem apoiando a nossa cena. Frequente os shows, adquira material... é o apoio dos fãs que faz que as bandas continuem em frente e isso só faz com que o nosso underground se fortaleça cada vez mais.

Aproveito para deixar aqui o nosso site, www.creptum.com, pra quem quiser conhecer mais sobre a banda. Lá vocês vão encontrar também os links para todos os nossos canais de comunicação e sintam-se a vontade para entrar em contato.

Stay Evil.



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